Xerografia e duplicação digital
Felipe Martos Toledo
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[editar] Introdução
Você já deve ter passado por essa situação: precisa muito ler alguma coisa ou ter a cópia de um documento – seja um texto científico, literário, artístico, informativo ou de qualquer outro tipo – para escola, faculdade ou trabalho, mas não tem tempo para sair à procura da obra original ou não tem recursos para adquiri-la. Para resolver esse problema, você logo pensa no quê?
Sim, em "tirar xerox"! Para ser mais preciso, você pensa em xerografia ou, mais recentemente, em duplicação digital. A xerografia, do grego xeros (seco) e graphein (escritura), é um processo que permite obter cópias de documentos utilizando um pigmento seco e propriedades elétricas que se modificam quando expostas à luz. A duplicação digital, por sua vez, utiliza os princípios do mimeógrafo, em que a tinta é passada para o papel por meios mecânicos.
A facilidade cada vez maior em obter cópias por meio desses dois processos provocou, mais recentemente, conflitos relacionados aos direitos autorais, com autores de determinadas obras se sentindo prejudicados, já que muitas pessoas optam pelas cópias em detrimento dos originais. Entretanto, esses dois processos beneficiaram uma grande quantidade de pessoas ao redor do mundo, por conta de sua rapidez, facilidade e baixo custo para acessar diversos tipos de informação, que não seriam acessíveis caso a xerografia ou a duplicação digital não estivessem disponíveis ao grande público.
[editar] Xerografia
[editar] Histórico
A xerografia, também conhecida como eletrofotografia, foi inventada em 22 de outubro de 1938, em um laboratório improvisado em Astoria, no bairro nova-iorquino de Queens, pelo cientista e advogado norte-americano Chester Carlson, que buscava uma maneira simples de reproduzir documentos (já que trabalhava em um escritório de patentes e a necessidade de produzir cópias era maior do que a quantidade possível de obtê-las com a tecnologia da época).
Em seu experimento, que aproveitou conceitos da fotocondutividade, em que algumas substâncias se tornam condutoras de eletricidade na presença de luz, Carlson utilizou duas superfícies: uma placa de zinco (coberta com enxofre e eletrizada, após atritá-la com algodão – parecido com o que fazemos quando usamos um pente e atraímos, com ele, pedaços de papel) e uma lâmina de vidro (onde escreveu a nanquim a data e o local do experimento: “10-22-38 ASTORIA”).
Figura 1 - Modelo do experimento de Carlson
imagem encontrada em: http://www.cursovencerpicos.com.br/2009/10/xerografia-nossa-famosa-xerox.html
Colocando a placa de zinco sobre a lâmina de vidro e incidindo luz sob ambas, Carlson observou que toda a placa se descarregava, exceto a região que estava escura (parte escrita com tinta de nanquim).
Jogando pó de licopódio (pequeno vegetal), sobre a placa, Carlson observou que o pó aderia às partes carregadas eletricamente (parte escrita), fazendo com que a imagem do texto escrito fosse reproduzida. Comprimindo uma folha de papel sobre a placa e aquecendo ambas, a escrita tingida pelo pó de licopódio aparecia no papel, formando a cópia.
Figura 2 - Resultado do experimento de Carlson
Imagem encontrada em: http://www.rabbitinformatica.com/offertexerox.html
Carlson tentou durante anos vender seu invento para diversas empresas, entre elas a IBM e a General Electric, mas não obteve interesse. Com isso, o Battlelle Memorial Institute, de Columbus, Ohio, o contratou, para que ele aperfeiçoasse seu invento.
Em 1947, o instituto fechou uma parceria com uma pequena empresa chamada Haloid, que fabricava principalmente papel fotográfico. Essa empresa obteve a licença para desenvolver e comercializar uma máquina que utilizava a tecnologia de Carlson, dando a ela o nome de XeroX Model A. Com o modesto sucesso de suas copiadoras, a empresa mudou seu nome para Haloid Xerox Inc.
Figura 3 - XeroX Model A
Imagem encontrada em: http://www.rabbitinformatica.com/offertexerox.html
O sucesso de fato veio com a Xerox 914, o que fez a empresa mudar novamente de nome, agora para Xerox Corporation. A partir daí, a fotocopiadora, a fotocópia e a empresa Xerox se tornaram praticamente sinônimos, atingindo um grande sucesso até os dias atuais.
[editar] Processo de Cópia
As fotocopiadoras atuais se utilizam do mesmo princípio utilizado por Carlson, mas com novas tecnologias, que aumentam a velocidade do processo e diminuem tanto o preço quanto o tamanho das máquinas e dos produtos utilizados no processo de cópia. Além disso, os clientes podem optar por cópias em preto e branco ou em cores, impressão frente e verso, ampliação ou redução, diferentes tipos de papel entre outras opções. O custo de impressão é sempre o mesmo, independente da quantidade requerida, não sendo preciso imprimir uma quantidade maior do que a necessária (para reduzir os custos, como em outros processos de impressão), sendo, por essa razão, muito utilizada em empresas e escritórios.
O processo de cópia é realizado nas fotocopiadoras modernas na seguinte sequência (ver fig.4):
1) Carga
Um cilindro metálico fotocondutor, presente na máquina fotocopiadora, recebe cargas eletrostáticas de um fio metálico, chamado ‘’corotron’’.
2) Exposição
O documento original é colocado na superfície da máquina, sobre uma superfície vazada, que deixa que a luz das lâmpadas situadas na parte interna da máquina percorra o documento, projetando sua imagem - através de lentes e espelhos - sobre o cilindro metálico carregado eletricamente (em fotocopiadoras mais atuais, em vez de lentes e espelhos, são sistemas digitais que captam a imagem, digitalizando o documento, sendo que a projeção no cilindro é feita por meio de raios laser). A parte clara do documento original dissipa a carga elétrica, enquanto a região do cilindro com a parte escura da imagem original permanece carregada, formando uma imagem “latente”.
3) Revelação
Em um segundo momento o cilindro, carregado eletricamente nas regiões que são escuras no documento original, entra em contato com o toner (um pó muito fino que está carregado com carga oposta à do cilindro). O pó adere ao cilindro, pela atração entre as cargas opostas, carregando consigo a informação do documento.
4) Transferência
Na sequência, o cilindro (com a ajuda do rolo de transferência) entra em contato com o papel, carregado com cargas mais fortes do que as do cilindro e opostas à do toner. Pela atração entre as cargas opostas do toner e do papel, há o depósito do pó na superfície do papel, ocorrendo a transferência da informação.
5) Fusão
O papel passa por rolos que, através de pressão e calor, fixam o toner no papel, formando a imagem e finalizando o processo da cópia (máquinas mais avançadas depositam uma película de silicone sobre o papel, aumentando o brilho e a durabilidade do impresso).
6) Limpeza
Por fim, depois de realizada a cópia, o cilindro passa por uma lâmina de limpeza, que retira o toner ou as cargas residuais que permaneceram no cilindro, preparando-o para a próxima impressão.
Figura 4 - Fotocopiadoras modernas (raios laser)
Encontrado em: http://www.printsupplies.com.br/artigo_processo.aspx
figura 5 - Fotocopiadoras mais antigas (conjunto de luzes e espelhos)
Encontrado em: http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem2_2002/995108_Rog%E9rioPalhares_maq_fotocopiadora.pdf
[editar] Duplicação Digital
[editar] Histórico
A duplicação digital, por sua vez, tem como origem o estêncil e os mimeógrafos (criados no início do século XX), que se utilizavam de uma matriz impermeável com perfurações, por onde a tinta (comumente feita a base de álcool) passava, aderindo à superfície final. No mimeógrafo, a matriz era depositada em um cilindro poroso, carregado com tinta. Para fazer a cópia, uma manivela acoplada ao cilindro era movimentada, passando a tinta do cilindro para o papel, por conta da força centrífuga.
figura 6 - Mimeógrafo
Por volta dos anos 1980, foram criadas as máquinas automáticas que realizam as duplicações digitais (duplicadoras digitais), que se utilizam do mesmo princípio dos mimeógrafos, realizando cópias a partir de um documento original, mantendo seu baixo custo de cópia, mas melhorando bastante a qualidade da impressão.
figura 7 - Duplicadora Digital
[editar] Processo de Cópia
Nas duplicadoras digitais um scanner digitaliza o documento original (1 - ver figura 8) e grava uma matriz em um papel especial preso ao cilindro (2). Do cilindro sai a tinta (3) que, bombeada mecanicamente, passa pelos poros da matriz e se afixa ao papel (4). O fluxo da tinta e a velocidade de impressão, que podem variar dependendo do papel (por conta das diferentes capacidades de absorção de tinta para cada tipo de papel) são controlados por circuitos digitais, sendo , dessa forma, um processo automático.
Figura 8 - Processo de duplicação digital
Encontrado em: http://www.tecnologiadoglobo.com/2009/07/tecnologias-reproducao-grafica/
A duplicação digital é caracterizada pelo baixo custo e rapidez (entre 60 e 150 páginas por minuto, nas máquinas comuns disponíveis no mercado), sendo recomendada para a produção de folhetos, panfletos, manuais, formulários, comandas, circulares, notas fiscais, santinhos, envelopes, provas, apostilas, certificados, entre outros documentos que não contenham meios-tons, já que o duplicador digital não tem bom desempenho quando imprime tons de cinza. Além disso, esse processo é normalmente utilizado para grandes quantidades de cópias, uma vez que ocorre a redução do custo unitário à medida que se aumenta o número de duplicatas.
figura 9 - Folheto produzido por Duplicação Digital
Encontrado em: http://www.3torres.net/folheto.php
[editar] Glossário
Fotocópia – Cópia de documento original obtida por meio do processo xerográfico.
Xerox – Empresa norteamericana fabricante da primeira fotocopiadora. Se tornou a empresa mais conhecida do setor, sendo seu nome empregado muitas vezes como sinônimo de fotocópia.
[editar] Referências
Bem Original. Tipos de Impressão Industrial. Encontrado em: http://www.bemoriginal.com.br/duvidas/Tipos%20de%20Impress%E3o%20Industrial.htm#C6 Acesso em: 26/06/11
Melo, Mariana. Case de sucesso: Xerox. Encontrado em: http://www.casodesucesso.com/?conteudoId=68 Acesso em 29/05/11
Nanoprint. Duplicadores Digitais. Encontrado em: http://www.nanoprint.com.br/duplicadores-digitais Acesso em: 26/06/11
Palhares, Rogério Boucault. Estudo do Funcionamento de uma Máquina Fotocopiadora. Encontrado em: http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem2_2002/995108_Rog%E9rioPalhares_maq_fotocopiadora.pdf Acesso em 30/05/11
Print Supplies. Engenharia do cartucho – Processo Xerográfico. Encontrado em: http://www.printsupplies.com.br/artigo_processo.aspx Acesso em: 16/06/11
Radfahrer, Luli. Aula 6. Processos de impressão (parte 2). Encontrado em: http://www.slideshare.net/ECALuli/aula-06-4480029 Acesso em: 26/06/11
Superinteressante. A Fotocopiadora. Encontrado em: http://super.abril.com.br/superarquivo/1989/conteudo_111478.shtml Acesso em 29/05/11