Toulouse-Lautrec

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

[editar] TOULOUSE-LAUTREC

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa: pintor pós-impressionista e litógrafo francês

Toulouse-Lautrec tem, primeiramente, que ser destacado por sua singularidade e ousadia ao registrar e publicar imagens de cabarés, moças nuas e momentos íntimos numa época em que tais realidades, apesar de muito comuns, eram dissimuladas ou mesmo “abafadas” frente aos olhos públicos. Todavia, as reproduções desses ambientes e situações não são expostas de maneira chocante como o gênero poderia sugerir, mas sim de maneira serena, comedida e muitas vezes levemente divertida. Outro ponto que chama bastante a atenção nas fotos é a capacidade do “fotógrafo” de perceber determinados movimentos que apreendidos precisamente expressam todo o contexto de um momento único. Além disso, o artista sabe trabalhar os ângulos e a representação dos movimentos de modo que transmitam uma espontaneidade e dinamicidade dos personagens flagrados em momentos cotidianos. Essa natureza excêntrica das imagens, ligada ao dinamismo e delicadeza das retratações (das cores, do equilíbrio espacial e do próprio conteúdo das cenas), proporcionam ao fotógrafo situações com grande carga de espontaneidade e emoção. As fotografias, assim, tornam-se, aos olhos do observador, um cenário atraente, curioso, harmonioso e agradável. Maria Luciana Garcia Cunha

[editar] ANÁLISE DE ALGUMAS OBRAS DO PINTOR

Baile no Moulin Rouge

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Já neste primeiro exemplo podemos apontar os cabarés e as danças; temas constantes na obra do artista. O ambiente – cenário inusitado para retratações da época – é captado através de um grande plano geral, não sendo totalmente explicitado, mas, basicamente caracterizado por um primeiro e um segundo plano melhores definidos enquanto que o restante é apenas sugerido através de pinceladas imprecisas. Esta delimitação dos dois planos mais visíveis determina um dos principais méritos da imagem; um contraste rítmico entre a mulher parada no primeiro plano e o casal dançante mais ao fundo, situação que equilibra toda a ação que é ali representada. O enquadramento também garante que tal “choque” entre movimentações seja percebido ao colocar as duas mulheres numa mesma linha diagonal, condicionando o olho do observador a uma determinada direção na qual a grande ação do quadro se desenvolve. A mulher de ares serenos, que se encontra imóvel em relação ao casal em movimento ao fundo, tem seu destaque garantido pela técnica de contraste da qual o artista de utilizou. Ela parece emergir da monotonia do fundo devido ao contraste deste – de tons marrons e amarelados – com o rosado de suas vestimentas; tal choque de cores proporcionam à imagem dessa mulher o destaque necessário para singularizá-la frente à multidão que a rodeia. O mesmo ocorre com a moça dançando no segundo plano. Entretanto, a iluminação incidente nela é de menor intensidade devido ao menor contraste de suas roupas - marrom, amarelo e alaranjadas – com o ambiente ao seu redor de semelhante tonalidades.

Jane Avril dançando

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Outra “fotografia” de dança ajuda a reafirmar o caráter dinâmico com que Toulouse-Lautrec capta suas imagens. O plano de conjunto que caracteriza a pintura recorta uma realidade de modo a priorizar e singularizar um exato movimento de dança realizado pela mulher em meio a tantas outras ações, provavelmente, concomitantes a ela. Neste caso o contraste de cores entre o fundo e as vestes da mulher não é tão gritante quanto no primeiro exemplo, entretanto, há um forte e importante contraste entre o terço central e esquerdo e as quatro linhas brancas do terço direito. Tal fato é de extrema relevância, pois intensifica a perspectiva conseguida no enquadramento adotado pelo artista. A opção de captar o movimento da dançarina através de um enquadramento diagonal, cujos pontos de fuga convergem ao fundo, proporciona à imagem uma imensa vivacidade e dinamismo próprios da ação que o pintor que retratar. Nesse sentido ele logra de forma louvável, colocar o observador frente a uma figura que parece ir de encontro a seus olhos ao mesmo tempo em que deixa para trás o ambiente em que iniciou a ação.

Moça diante do espelho

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Apesar de não retratar salões de cabarés e movimentos de danças o pintor ainda insiste em retratar as mulheres ligadas a esses ambientes. A mulher da imagem, retratada sem a consciência da presença do fotógrafo, se encontra bastante a vontade e sem pudores. Encontra-se nua e mira-se de uma forma melancólica e serena como a maioria das feições que as mulheres apresentam nos quadros de Lautrec. O plano utilizado é novamente o de conjunto, pois mostra o corpo inteiro da modelo, apesar de deixar vestígios de um possível plano geral, como as roupas jogadas no canto esquerdo sugerem, por exemplo. A escolha do plano, entretanto, não tem valor não fosse pela escolha decisiva do enquadramento e das cores empregadas no quadro. O primeiro trabalha uma angulação interessante uma vez que permite ao espectador observar não apenas a figura feminina, seu corpo nu, visto de trás mas também garante que ele a veja de dois ângulos simultâneos, pois através de sua imagem no espelho é possível vermos partes da frente da mulher. Tal tática não apenas constrói um caráter mais dinâmico e multifocal à imagem como proporciona a multiplicidade de expressões e consequentemente de emoções que transparecem da mesma. A mão caída que segura o pano, a postura relaxada – sem maiores poses – frente ao espelho confirmam a aparência tranqüila e quase triste da mulher. Essa atmosfera é ainda bastante marcada pela escolha das tonalidades vermelho e branco que por todo o ambiente se contrastam entre si, formando um espectro monocromático, monótono. A preferência pelo vermelho, não por acaso, confere à cena um toque sensual e passional, próprio da realidade que o pintor retrata.

Senhor Boileau no café

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Nesta imagem o “fotografo” foge bastante de sua temática dinâmica ou sensual formada por bailes em cabarés ou moças dessas realidades. mostra um cavalheiro num bar ou restaurante. A imagem chama a atenção não pelo ambiente que representa, pelos fregueses, pelas ações ou a comida que nele habitam, mas sim, pela particularidade de um cavalheiro sentado, captado sob um plano americano, e destacado num momento peculiar. O tom levemente pesado e sombrio das cores escuras como o marrom e azul reforçam a ambientação soturna e comedida do ambiente. Os restos de bebida e a mesa semi-vazia a sua frente indicam o final de uma refeição, ajudando a ambientar a expressão do senhor. O enquadramento trabalhado com a mesa num primeiro plano, captada levemente de baixo para cima intensifica a posição de relaxamento do personagem que após uma refeição se recosta na cadeira como numa atitude de satisfação e quase um cansaço para provavelmente saborear o cigarro que tem na mão. A opção por colocar os elementos que caracterizam o ambiente (copos e bandeja sobre a mesa) no terço direito inferior garante a não centralização da imagem assim como o acompanhamento da perspectiva da mesa e do posicionamento do sujeito que sugerem uma inclinação para a esquerda.

O Beijo

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A cena de paixão “fotografada” pelo artista, apesar de ser bastante explícita quanto aos sentimentos ali envolvidos, é apresentada de forma terna e sensível. As feições de ambos mostram certa calma na cena, transparecem carinho e ternura, ao mesmo tempo que suas posições – principalmente o braço do jovem – sugerirem uma ação mais intensa do momento. Tais impressões são bem latentes e visíveis ao observador graças ao enquadramento, à angulação levemente inclinada de baixo para cima, que valoriza justamente as feições do casal, o beijo apaixonado e carregado de significado, em detrimento as suas posições ou ao simples fato da presença de um casal numa cama. Apesar do enquadramento da imagem ser essencial para a significação do quadro, o aspecto mais marcante na imagem é, sem dúvida, a potencialidade que o artista confere ao tom da pintura. O fundo vermelho cria uma atmosfera intensa de paixão que ambienta o relacionamento do casal de tal modo a transmitir ao observador a verdadeira essência do momento. Além disso, o contraste entre esse fundo vívido e monocromático com a pele do casal e principalmente com a camisa da jovem desviam a atenção do espectador a ser concentrada no centro da imagem, região onde a ação ocorre, oferecendo maior destaque, visibilidade e importância àquele momento.



Maria Luciana Garcia Cunha

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