Tipos de tinta e pigmento

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Tema desenvolvido por Camila Augusta Ferreira

Tabela de conteúdo

[editar] Apresentação

Este capítulo é destinado a explicar os componentes encontrados na tinta, os processos pelos quais as tintas secam, que tipos de tintas devem ser usadas em cada processo de impressão e quais os tipos de tintas disponíveis hoje. Apesar de a preparação das tintas não ser responsabilidade do designer ou do planejador da comunicação, ter conhecimento desses processos potencializa as possibilidades de atuação na hora da criação.

[editar] Desenvolvimento

Imprimir é fixar um grafismo em um determinado suporte, que pode ser de diversos tipos: papel, papelão, vidros, materiais plásticos etc. As primeiras tintas de impressão foram criadas pelos chineses que já as usavam 300 anos antes de Cristo. Inicialmente eram compostas de negro-de-fumo, depois foi melhorada com a adição de óleo de linhaça. A quantidade de tintas não passava de 3 ou 4 e essa situação permaneceu até o século XIX, quando as tintas adquiriram uma qualidade realmente considerável por conta da introdução de óleos sintéticos.

COMPONENTES DA TINTA

A tinta de impressão é composta por pigmento em pó disperso em um veículo. Além desses dois componentes, encontramos também secantes, diluentes e vernizes antidecalque. A dispersão pigmento/veículo deve resultar numa forma homogênea de modo que, a olho nu, não se possam enxergar as partículas do pigmento e a tinta se comporte como um conjunto bem “amalgamado”.

Pigmentos – São substâncias corantes sólidas naturais ou artificiais. Essa substância deve ser fixada pelo veículo de maneira estável ao suporte que ela cobre e sua tarefa é passar para o impresso a sua própria cor. Os responsáveis pela cor são os elétrons periféricos dos átomos que compõem o corpo colorido porque os mesmos absorvem da luz branca apenas determinados raios e refletem os outros que, por síntese aditiva, proporcionam a sensação de cor à nossa percepção visual.

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A qualidade de um pigmento é avaliada a partir dos quesitos:

  • Solidez à luz: avalia-se se há o risco de variação nas tonalidades com o passar do tempo em decorrência da exposição à luz. Após a avaliação os pigmentos recebem uma nota que vai de 1 (não resistente) a 8 (excelente resistência).
  • Solidez às intempéries e a temperatura: avalia se há o risco de variação nas tonalidades por conta da ação do tempo, bem como do sol, chuva e poeira. A resistência térmica de um pigmento é determinada pela temperatura mais alta a que pode ser exposto.
  • Poder de Cobertura: diz respeito à capacidade de não deixar a luz ser transmitida através do meio onde será aplicado. Ou seja, quanto maior for o poder de cobertura do pigmento menor será a quantidade de luz que atravessará o produto final.
  • Tamanho das partículas: O tamanho das partículas também é um ponto avaliativo fundamental na performance de um pigmento, é imprescindível a uniformidade e regularidade no tamanho dos grãos, isso influenciará na capacidade de homogeneização no produto final, para que não sejam gerados grânulos no meio em que estará aplicado.

Os pigmentos podem ser de natureza orgânica ou inorgânica.

Os Pigmentos Inorgânicos são obtidos pela precipitação química partindo de compostos inorgânicos. Normalmente os pigmentos inorgânicos possuem poder de cobertura elevado; apresentam uma excelente estabilidade química e térmica; geralmente não são tão brilhantes quanto as cores orgânicas (muitos são descritos como cores terrosas); são os pigmentos exteriores mais duráveis.

Alguns exemplos são o branco-de-zinco (óxido de zinco), branco-prateado (carbonato de chumbo), amerelo-cromo (bicromato de potássio), o azul-da-Prússia (farrocianato férrico) e o negro-de-fumo. O negro-de-fumo é um pigmento negro obtido a partir da condensação sobre corpos frios dos produtos da combustão imperfeita de madeiras resinosas e substâncias ricas em carbono como alcatrão, óleos, graxas etc. O negro-de-fumo serve de base para a fabricação de tintas pretas de impressão, incluindo as usadas nos jornais.

Os Pigmentos Orgânicos são obtidos por meio de reações químicas iniciadas em substâncias orgânicas (aquelas derivadas do carbono). Os pigmentos orgânicos possuem as cores mais brilhantes; são transparentes ou semitransparentes; possuem alto poder de tingimento; possuem uma gama variada de cores; têm baixo poder de cobertura, o que pode a princípio parecer um defeito mais não é, pois é necessário em determinadas aplicações; e possuem boa solidez a intempéries. Há ainda o fator impacto ambiental, que no caso dos pigmentos orgânicos é mínimo, pois possuem baixa toxidade e em alguns casos são até mesmo isentos de toxidade.


Veículos

Veículo é a parte fluída (líquida) que mantém o pigmento em suspensão. Sua função é possibilitar a transferência do pigmento para o suporte, bem como sua fixação sobre este. Ele é o principal responsável pela dureza e brilho da camada de tinta seca. É o veículo quem determina o “corpo” da tinta, isto é, a viscosidade, a consistência e a fluidez. O processo de impressão e o sistema de secagem determinam qual o tipo de veículo que deve ser usado, podendo ser: óleo de linhaça, óleos de petróleo, óleos resinosos e álcool.


Secantes

São adicionados à tinta para ajudá-la a secar mais rapidamente, ele deve ser distribuído uniformemente sobre a massa de tinta. Quantidade excessiva de secante pode causar secagem da tinta nos rolos da máquina e a geração de partículas de tinta seca. Os secantes são compostos que podem ser a base de cobalto, manganês, ferro, cobre, zinco etc.

É ele o ingrediente mais importante nas tintas que secam por oxidação.


Diluentes

Substâncias utilizadas para diminuir a viscosidade da tinta. Trata-se de solventes de composição química bem definida, como álcool, toluol, etc. Para cada categoria de tintas, há um diluente específico, algumas, inclusive, exigem a mistura de 2 ou 3 solventes em proporções prefixadas. Uma quantidade muito elevada de diluentes pode determinar uma redução de grau de brilho do impresso.


Verniz antidecalque

São substâncias borrifadas sobre as folhas impressas enquanto ela não está completamente seca para evitar que a tinta manche o verso da folha sucessiva, as finíssimas partículas de antidecalque mantêm as folhas separadas até a secagem da película de tinta. Os vernizes podem ser substâncias líquidas ou sólidas: as líquidas são soluções aquosas de goma-arábica com o eventual acréscimo de álcool e piridina; as sólidas são à base de sulfatos e metais alcalino terrosos. O uso dos vernizes antidecalque é cada vez mais raro por conta da crescente utilização das tintas Quick-Set (secagem rápida).

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PROCESSOS DE SECAGEM DA TINTA

Assim que despejados sobre o papel, o pigmento e o veículo permanecem misturados homogeneamente na superfície do papel. O assentamento da tinta é o primeiro estágio do processo de secagem: o veículo penetra vagarosamente nas fibras do papel, deixando apenas o pigmento na superfície. Nesse estágio as folhas impressas podem ser manuseadas sem manchar apesar de não estarem completamente secas ainda.

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Depois dessa primeira etapa, se inicia o processo de secagem que pode se dar por qualquer um dos seguintes fatores ou, mais comumente, pela combinação de vários deles:

  • Secagem por absorção ou penetração: A tinta usada normalmente é muito fina, o veículo não contém secante, e é comum em papéis com baixo grau de colagem. O veículo penetra na fibra do papel deixando o pigmento na superfície. Esse processo é utilizado na impressão de jornal.
  • Secagem por evaporação ou volatilização: A tinta seca pela evaporação do veículo, deixando uma película sólida de pigmento. Processo utilizado na rotogravura, flexografia, serigrafia e nas tintas Heat-Set.
  • Secagem por Oxidação/Polimerização: Processo acontece em 2 etapas: o oxigênio é absorvido pelo secante (através de um processo de oxidação) e é seguido por uma ligação cruzada das moléculas (polimerização) provocando a formação de um gel na película da tinta e depois endurecendo-a. Usado na maior parte das tintas off-set.
  • Secagem por precipitação: A peça impressa é sujeita a vapor d’água que faz com o veículo seja expulso da solução (precipitado), prendendo o pigmento firmemente ao papel. Usado para tintas com base de água e de cera.


TIPOS DE TINTA

Cada tipo de impressão exige um tipo de tinta:

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As tintas podem ser, basicamente, de dois tipos: Pastosas e Líquidas.

  • Tintas Pastosas: Tintas pastosas são aquelas cujos veículos contém fluído a base de óleos secantes ou minerais que secam por oxidação/polimerização ou penetração. São tintas usadas na impressão tipográfica, serigráfica e off-set.
  • Tintas Líquidas: As tintas líquidas são aquelas cujos veículos contém como fluído fundamental um solvente volátil. Essas tintas secam por evaporação e são usadas na rotogravura e flexografia. Quanto mais fina a tinta, mais rápido é o processo de secagem.

Tipos de Tinta:

COLD-SET: Série fria. São tintas sólidas à temperatura ambiente e se fundem entre 65 e 93º C. A chapa de impressão e a impressora devem ser pré-aquecidas para fundir a tinta. Esse tipo de tinta produz bons resultados de impressão, com boa nitidez, e não há formação de decalque ou manchas, mas exigem um complexo sistema de aquecimento e resfriamento.

HEAT-SET: Série quente. Tinta de secagem rápida, que permite grandes tiragens com alta velocidade e boa qualidade. A impressora deve ser equipada com uma unidade de aquecimento e, à medida que a folha passa por essa unidade, o solvente evapora deixando apenas a película de tinta que seca quase que imediatamente. Usada em grandes tiragens.

FLUORESCENTE: São cores brilhantes e vibrantes, mas são limitadas a poucos tons de vermelho, amarelo, azul e verde, além de necessitar de 2 passadas de tinta para adquirir cor total. Usadas principalmente para impressão de sinais em serigrafia.

ALTO BRILHO: Tintas cujo veículo tem uma penetração mínima no papel. Para potencializar o efeito de alto brilho, o papel deve ser tratado com uma superfície resistente à penetração do veículo. A secagem deve utilizar a menor quantidade possível de calor para não reduzir o brilho. É disponível para off-set e para tipografia.

MAGNÉTICA: São tintas feitas com pigmentos especiais que são magnetizados após a impressão. O impresso com essa tinta pode ser reconhecido por um equipamento eletrônico de leitura como, por exemplo, cheques bancários e formulários. Na imagem, um scanner de cheques que faz o reconhecimento dos caracteres impressos em tinta magnética.

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METÁLICA: Cores como dourado e prateado. Um pó metálico fica suspenso no veículo, que aglutina o pó na superfície do papel. Essas tintas também podem ser encontradas em pastas metálicas, que fazem menos sujeira.

TINTA À BASE D’ÁGUA: São tintas relativamente sem odor e populares na indústria de alimentos. São tintas que secam por precipitação.

TINTA DE JORNAL: Tintas feitas com matérias-primas baratas, como óleos minerais e carvão preto, e geralmente secam por absorção.

QUICK-SET ou SECAGEM RÁPIDA: Projetada para evitar decalque, o veículo penetra rapidamente no papel, deixando na superfície uma película de tinta que seca quase imediatamente. Essa tinta permite impressão em alta velocidade e reduz o tempo necessário para impressão no verso da folha. Essas tintas têm alto brilho, que para ser potencializado pode ser impresso em papel cuchê. Usada em tipografia e off-set.

TINTA CONTRA ABRASÃO: tintas de secagem lenta, feitas especialmente para rótulos, cartões, caixas de papelão ou qualquer peça impressa que possa ser estragada pelo atrito entre elas.

TINTA À BASE DE CERA: desenvolvida para uma impressão mais rápida nos papéis encerados: o veículo permite imediato assentamento e secagem da tinta quando imersa num banho de cera fundida.

TINTA PARA SECAGEM COM RAIO UV: Empregada para impressão em off-set sobre suportes metálicos, tem importante papel na impressão flexográfica.

TINTAS INVISÍVEIS: Essas tintas tornam-se visíveis quando iluminadas com determinadas fontes de luz como, por exemplo, a luz negra (radiação ultra-violeta). Utilizada como uma segurança a mais contra a falsificação de impressos e tem aplicação também em livros de criança nas quais as ilustrações aparecem como “por mágica” quando esfregadas com o grafite de um lápis.

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[editar] Glossário

Pigmento - Substâncias corantes cuja função é passar para o impresso a sua própria cor.

Veículo - Parte fluída (líquida) da tinta que mantém o pigmento em suspensão. Sua função é possibilitar a transferência do pigmento para o suporte de impressão.

Secante - Substâncias adicionadas à tinta para ajudá-la a secar mais rapidamente.

Diluente - Substâncias utilizadas para diminuir a viscosidade da tinta.

Verniz Antidecalque - Substância aplicada sobre as folhas impressas para evitar que a tinta manche o verso da folha sucessiva.

[editar] Fontes

Produção gráfica para planejador gráfico, editor, diretor de arte, produtor, estudante. James Craig, 1980, São Paulo, EDUSP.

Tintas de impressão: http://www.graficarfil.com/files/tintas%20de%20impressao.pdf

Controle e Qualidade no produto final: http://www.triplicecor.com.br/corantes/pigmentos/controle-de-qualidade-do-produto/

Pigmentos Orgânicos: http://www.triplicecor.com.br/corantes/dicas/pigmentos-organicos/

Pigmentos: http://www.pqi.com.br/dq/dql1.html

Ferramentas pessoais