Tipos de papel

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

por Giovanna Sanchez Pedron

TIPOS DE PAPEL

Num trabalho de design gráfico, uma ótima criação não basta. Temos que conhecer o material com que vamos trabalhar para que se possa conseguir sempre o melhor resultado.

A escolha do papel no qual será impresso o material é importante para garantir um diferencial do produto, tendo assim mais qualidade e ótimos resultados. O conhecimento sobre os papéis e suas características nos auxilia no momento da escolha, para que ele seja o mais adequado possível à peça gráfica em questão. Para que esta escolha seja correta, devemos considerar o tipo da criação, a tinta e as possibilidades de acabamentos.

Alguns fatores acabam sendo decisivos na escolha do papel para a impressão:

Custo: Quanto maior a tiragem, maior o custo relativo do papel. Em pequenas tiragens, muitas vezes a diferença de preço compensa o uso de um papel mais caro, pelo valor subjetivo que será agregado.

Disponibilidade no mercado: No caso da disponibilidade do papel, o mercado é sazonal, pois alguns tipos de papéis são produzidos somente em determinados períodos do ano, exceto o sulfite e o couchê que são mais freqüentes. Dessa forma, recomenda-se entrar em contato com o fornecedor com certa antecedência, garantindo a informação de que o papel que você tem interesse de usar em seus impressos esteja sendo fabricado.

Restrições técnicas: Alguns processos não permitem o uso de determinados tipos de papel. Mesmo no caso do offset, processo que aceita praticamente todos os papéis, há diferenças de qualidade de acordo com as propriedades de cada tipo. Na dúvida, consulte a gráfica previamente.

Atualmente, existem infinitas variedades de papel no mercado, permitindo que a escolha seja feita de acordo com a sua peça gráfica e criatividade. Para diferenciar um modelo de papel do outro, existe uma classificação básica:

Densidade: A densidade do papel é medida em gramatura (g/m²), variando normalmente de 50 a 350 gramas e definindo o peso e o volume final do impresso. A gramatura é fator preponderante na composição de custos do impresso, tanto na impressão, quanto na distribuição, principalmente quando via correio. Quanto maior a gramatura, mais grossa é a folha, maior o peso terá o impresso, maior opacidade (ou seja, a folha é menos “transparente”, o que beneficia a leitura no caso da impressão frente e verso) e maior o custo. Além disso, a gramatura influencia na sensação táctil do papel e na largura do caderno, o que é importante para números de dobras e encartes. Um papel de gramatura excessivamente baixa é mais barato, mas poderá fazer com que a publicação seja muito maleável, comprometendo a apresentação e a futura conservação. Esse fator define o peso e o volume do seu impresso final e, consequentemente, no valor da impressão. Alguns exemplos de densidade de papel e sua aplicabilidade: • Papéis de baixa gramatura (até 60g/m2) - Impressos de um lado, material pequeno ou maleável • Papéis de média gramatura (75-90g/m2) - Folhetos, revistas, livros • Papéis de alta gramatura (mais de 130g/m2) - Capas, cartões, embalagens • Cartolinas (mais de 180g/m2) • Papéis-cartão (mais de 225g/m2)

Formato: O formato bem definido resulta no maior aproveitamento de papel, o que pode proporcionar economia, o que é importante não só por questões financeiras, mas também por questões ecológicas. Por exemplo, parece haver pouca diferença entre um cartaz 46 cm X 32 cm e um de 46 cm X 34 cm, certo? São apenas dois centímetros a mais de largura, o que pode trazer um resultado estético mais bonito para o cartaz. Entretanto, com 32 cm de largura, cabem quatro cartazes em cada folha 2B, formato bastante utilizado em impressão de grande escala. Com 34 cm, cabem apenas dois cartazes, o que resulta num grande desperdício de papel. Considerando-se uma tiragem de quatro mil cartazes, precisaríamos de pouco mais de mil folhas de papel para a impressão do cartaz de 32 cm (levando-se em conta sobras para testes e erros). No caso do cartaz de 34 cm, seriam necessárias mais de duas mil folhas. Dessa forma, antes do início do projeto, devemos sempre nos informar com a gráfica na qual a impressão será realizada ou na Tabela de Formatos de Papéis sobre os formatos disponíveis, buscando sempre gastar a menor quantidade de papel possível.

Cor: A cor do papel, seu grau de alvura e opacidade determinam sua aplicação e influenciam na composição criativa das cores utilizadas na arte. Como as tintas offset contêm transparência, a cor pode sofrer alteração de acordo com o papel utilizado. Recomenda-se papéis com bom grau de alvura para reprodução de policromias. Papéis de tons amarelados ou caramelados, com alto grau de opacidade, são indicados para livros (leitura), evitando o cansaço visual e a transparência de textos e figuras de uma página com relação ao seu verso. Existem diversas peças gráficas que podemos realizar com os papeis já coloridos de fábrica, deixando a peça gráfica com uma criação diferenciada ou com o custo mais baixo.

Textura: A textura pode ser definida como o aspecto do papel (lisos, telados, etc.) ou quanto ao seu grau de rigidez. A textura do papel pode ser escolhida de acordo com a arte. Se considerarmos o processo offset, por exemplo, quanto mais liso o papel, mais nítida e viva será a impressão. Os papéis com textura, por sua vez, tendem a singularizar o produto final, mas não são indicados para policromias com grande exigência de nitidez nos detalhes (como livros de arte, por exemplo). Da mesma forma, devem ser evitados quando do uso de corpos muito pequenos (abaixo de oito pontos). Na serigrafia, na xerografia e na impressão digital, eles são contra-indicados no que confere a legibilidade e definição de detalhes.

Entre os diversos tipos de papel, podemos citar:

Acetinado: Fabricado com celulose branqueada, com adição de carga mineral na ordem de 10 a 15% de cinzas, bem colado, acabamento supercalandrado. Por ser prensado em calandras, aparelho composto de pesados cilindros superpostos e aquecidos, perde um pouco em espessura, mas permite melhor impressão de caracteres e ilustrações. É empregado em maior escala para impressão tipográfica comercial de uso geral, e em menor escala para impressão em offset, para a confecção de impressos, catálogos, folhetos, livros e revistas. É usado, também, na fabricação de embalagens, às vezes impresso em rotogravura, quando depois é laminado, colado ou impregnado com ou em outros materiais. A variedade mais comum de papel branco é o de segunda, macio e de acabamento opaco. O acetinado de primeira é feito essencialmente do mesmo material que o de segunda, porém, é mais fino e mais brilhante. Já o de terceira é idêntico ao jornal, porém com acabamento suopercalandrado.

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Imagem mostra uma calandra, que comprime o papel para obter uma superfície mais lisa.

Apergaminhado: Papel de qualidade superior, feito de trapos e pasta química, que imita, no aspecto, pergaminhado legítimo. Também conhecido como sulfite, é bem colado e possui acabamento alisado. Seu uso é comercial e industrial, para finalidades variadas, principalmente de escrita, como cadernos, envelopes, almaços, mas também para impressos em geral, formulários contínuos, etc. O volume deste papel fabricado no país é quase igual a todos os outros papéis de escrever e imprimir juntos.

Bouffant: Papel muito leve, absorvente, bem encorpado, “fofo”, áspero e não acetinado, sendo pouco ou nada calandrado, conservando assim o seu acabamento áspero e desigual, usado particularmente na impressão de livros.

Bíblia: Outro nome com que é conhecido o papel-da-Índia, opaco, extremamente fino e resistente, usado na impressão de bíblias e outras obras muito extensas e quando se visa a reduzir a grossura dos volumes. Fabricado com celulose branqueada com a adição de carga mineral adequada para dar elevada opacidade, alisado, gramatura geralmente não excedendo 45 g/m2.

Offset: Papel com bastante cola, superfície uniforme livre de felpas e penugem e preparado para resistir o melhor possível a ação da umidade, o que é de extrema importância em todos os papéis para a impressão pelo sistema offset e litográfico em geral. Sua aplicação é na impressão para miolo, livros infantis, infanto-juvenis, médicos, revistas em geral, folhetos e todo serviço de policromia.

Offset Telado: Suas características são textura e gofrado. Sua aplicação é em calendários, displays, convites, cartões de festas e peças publicitárias.

Polen Rustico: Papel offset com um toque rústico e artesanal. É usado em papel para miolo, guarda livros e livros de arte.

Polen Bold: É um offset de tonalidade diferenciada, excelente opacidade e maior espessura. Sua tonalidade reflete menos a luz, permitindo uma leitura mais agradável.É usado em livros quando necessário papeis mais espessos, sem aumento do peso do livro.

Polen Soft: Papel com tonalidade natural, ideal para uma leitura mais prolongada e agradável. Suas aplicações são em livros instrumentais, ensaios e obras gerais. Alta Print: Papel offset “top” de categoria, com alta lisura, brancura e opacidade. Produzindo através do processo “soft calender on-machine”, oferece a melhor qualidade de impressão e definições de imagens.

Couché: Papel com uma ou ambas as faces recobertas por uma fina camada de substâncias minerais, que lhe dão aspecto cerrado e brilhante, e muito próprio para a impressão de imagens a meio-tom, e em especial de retículas finas. Para a impressão de textos, o papel gessado é muito lúdico e incomoda a vista. Tem-se procurado amenizar esse efeito com a criação de couchés em tonalidades mate. Para a distinção do couché de duas faces de alguns papéis simplesmente bem acetinados, deve-se molhar e friccionar uma extremidade do papel. Se for couché, a camada de branco desfaz-se.

Couché L1: Papel com revestimento couché brilhante em um lado. Policromia. Suas aplicações são sobre capas, folhetos e encartes.

Couché L2: Papel com revestimento couché brilhante nos dois lados. Policromia. Suas aplicações são em livros, revistas, catálogos e encartes.

Couché Monolúcido: Papel com revestimento couché brilhante em um lado, mas liso no verso, a fim de evitar impermeabilidade no contato com a água ou umidade. Suas aplicações são em embalagens, papel fantasia, rótulos, outdoors, base para laminação e impressos em geral. Couché Matte: Papel com revestimento couché fosco nos dois lados. Suas aplicações são em impressão de livros em geral, catálogos e livros de arte.

Couché Textura: Papel com revestimento couché brilhante nos dois lados, gofrado, panamá e skin (casca de ovo). Suas aplicações são em livros, revistas, catálogos, encartes, sobrecapas e folhetos.

Couché Textura Skin: Papel com revestimento couché texturado nas duas faces imitando casca de ovo.

Couché Textura Panamá: Papel com revestimento couché texturado nas duas faces imitando trama de uma tela de linho.

LINHA COTE: Aplicações técnicas de acabamento em móveis, artigo de festas, auto-adesivos, brinquedos, calendários, capas (de balanços, discos, livros, relatórios, revistas e talões de cheque), cardápios, cartazes, cartões em geral, catálogos, convites em geral, displays em geral, divisórias de agendas e relatórios, embalagens em geral, etiqueta (tanques), folhetos, folhinhas, literaturas médicas, papel de presente, pastas, pôster, provas de impressos, reproduções de telas de pintura e revestimento para forração de embalagens de micro ondulados. Entre os papéis dessa linha, temos:

Couché Cote: Papel branco revestido com camada couché de alto brilho “Cast Coated”, sendo o verso branco fosco.

Duplex Cote: Cartolina branca revestida com camada couché de alto brilho “cast coated”, sendo verso branco fosco.

Color Cote: Papel revestido com camada couché de alto brilho “Cast Coated” em cores pastéis e intensas: azul, verde, rosa, amarelo, chamoi vermelho, preto, prata e ouro, verso branco fosco.

Pearl Cote: Cartolina perolada.

Doble Cote: Papel branco, revestido com camada couché de alto brilho “Cast Coated” em ambas as faces.

Gofra Cote: Papel branco revestido com camada couché de alto brilho “Cast Coat” grofado nos moldes: linho fino e casca de ovo, sendo o verso branco fosco.

Lami Cote: Cartão laminado com poliester metalizado nas cores: prata, ouro e outras, sendo o verso branco fosco.

Metal Cote: Papel “Cast Cote” metalizado a vácuo nas cores: prata e ouro, sendo o verso branco fosco.

Film Coating: Papel revestido e calandrado na máquina de papel, com excelente reprodução de cores e brilho, alta definição de imagens e superior qualidade de impressão. Esse papel é intermediário entre o papel offset e o couché.

Top Print: Suas características são alvura, sedosidade, lisura, opacidade superior, fidelidade na reprodução de cromos, fotos e ilustrações, maior produtividade na impressão, menor carga de tinta utilizada para obter-se a mesma densidade de cor. Sua aplicação é em tablóides, malas diretas, jornais de imprensas, house organs, impressos promocionais, livros didáticos, revistas técnicas, folhetos e manuais.

Opaline: Apresenta excelente rigidez (carteado), alvura, lisura, espessura uniforme. Sua aplicação é em cartões de visita, convites e diplomas.

Vergê: Suas características são marca d’água, aparência artesanal, formação de folhas homogêneas, resistência das cores à luz, controle colorimétrico e é adequado para impressão: offset, tipografia, relevo e etc. Suas aplicações são para papel de carta, envelopes, catálogos, capas, trabalhos publicitários, cartões de visita, formulários contínuos, mala-direta, para miolo e guarda de livros.

Color Plus: Apresenta colorido na massa, boa lisura para impressão, sem dupla face, resistência das cores à luz, estabilidade dimensional, controle colorimétrico e continuidade das cores. Suas aplicações são em trabalhos publicitários, papel para carta, envelopes, convites, catálogos, blocos, capas, folhetos, cartões de visita, mala-direta, formulários contínuos.

Super Bond: Originalmente, era um papel feito todo com pasta, usado pelos norte-americanos na impressão de títulos da dívida pública (bonds); a denominação se estendeu depois aos papéis de carta com bastante cola, relativamente leves e constituídos de pasta de trapos, pasta química de melhor qualidade, ou mistura de ambos. Suas aplicações são em formulários contínuos, cadernos, blocos, envelopes, talonários e serviços gerais de escritório.

Flor Post: Tem um de seus lados brilhante, que dá uma opção a mais para obter-se uma melhor qualidade de impressão. Suas aplicações são em vias de notas fiscais, pedidos, cópias de carta e documentos.

Cartolina: É um intermediário entre papel e o papelão. É fabricado diretamente na máquina, ou obtida pela colagem e prensagem de várias outras folhas. Conforme a grossura, diz-se cartolina ou papelão. Na prática diz-se cartão, se a folha pesar 180 gramas ou mais por metro quadrado; menos que isso, é papel. A distinção entre cartolina e papelão costuma-se fazer pela grossura; é papelão quando supera o meio milímetro.

Papelão: É composto de diversos tipos de pastas, segundo a sua finalidade e utilização, como pasta mecânica, pasta de palha, pasta mecânica com química, para obter mais reistência. Para o papelão gris, a pasta é usada com papéis e restos de trapos, manilha e outros. Suas aplicações são em pastas, fichas, caixas, cartões e uso escolar.

Cartão Grafix: Cartão de massa única, ideais para policromia. É indicado para capas e permite plastificação.

Capa Texto: Papel com aparência artesanal. É indicado para miolo e guarda de livros.

Cartão Triplex: Cartão com duas camadas de celulose branca, miolo de celulose pré-branqueada e cobertura couchê em um dos lados. Suas aplicações são em capa de livros em geral, embalagens para produtos alimentícios, cosméticos, impressos publicitários, produtos que exijam envase automáticos e pastas.

Cartão Duplex: Cartão com três camadas, duas com celulose pré-branqueada e a terceira de celulose branca com cobertura couchê. Suas aplicações são em capa de livros em geral, cartuchos em geral (para produtos farmacêuticos, alimentícios, higiênicos), embalagens de disco, embalagens para eletro-eletrônicos, embalagens para brinquedos, vestuários, displays e elaminações em micro ondulado.

Papel Jornal: Produto á base de pasta mecânica de alto rendimento, com opacidade e alvura adequadas. É fabricado em rolos para prensas rotativas, ou em folhas lisas para a impressão comum em prensas planas. A superfície pode, ainda, variar de ásperas, alisada e acetinada. Suas aplicações são em tiragens de jornais, folhetos, livros, revistas, material promocional, blocos e talões em geral.

Papel Kraft: Papel muito resistente, em feral de cor pardo-escuro, e feito com pastas de madeira tratada pelo sulfato de sódio (Kraft = força). É usado para embrulho, sacos e sacolas.

Micro Ondulado: Cartão especial que, em lugar de constituir folha plana, forma pequenos canais salientes e reentrantes. É usado na embalagem de mercadorias quebradiças, ou trabalhos diferenciados.

Papéis reciclados: São constituidos por 50% de papéis aparas (sobra de papel), sem impressão. O restante varia entre 20 e 50% de papéis impressos reciclados pós-cosumido, de acordo com o efeito que se deseja obter. Além de alguns mais específicos que são reciclados em 100%, outros utilizam-se de anilinas em processo exclusivo de fabricação. Todos os papéis oferecem uma variedade muito grande de cores e textura, proporcionando ao usuário um resultado diferenciado dos papéis freqüentemente utilizado. É ideal para impressões finas em livros de arte, hot stamping, relevo seco, obras de arte, efeitos de porcelana, impressão em jato de tinta e impressão à laser.

Papel Canson: Papel colorido utilizado em colagens, recorte e decorações.

Sites consultados

Bracelpa - Associação Brasileira de Celulose e Papel http://www.bracelpa.org.br/bra2/index.php

Panucarmi - Preservação, Conservação e Restauro Documental http://panucarmi2.wikidot.com/glossariotipospapel

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