Tipografia contemporânea
Podemos considerar que o modo de trabalho da tipografia contemporânea começa a se desenvolver com o surgimento da fonte Times New Roman, no início da década de 1930. Encomendada pelo jornal The Times of London, a fonte é uma releitura das clássicas fontes romanas. Pela primeira vez uma família tipográfica foi desenvolvida por interesses comerciais e desligados do Estado ou religião.
Após essa mudança de paradigma diversas fontes foram desenvolvidas, por motivos comerciais ou artísticos, ao longo do século XX. As fontes passaram a representar as características visuais de uma década, de uma geração. A Bauhaus desenvolveu uma série de fontes baseadas em seus lemas de produção artística. Parte da imagem que temos dos anos setenta se deve às fontes curvilíneas e psicodélicas, desenvolvidas e utilizadas à exaustão no período.
Com a consolidação do design digital a liberdade de desenvolvimento que vinha se consolidando no século XX se potencializou. Qualquer indivíduo com um computador e um software de edição podia criar sua própria tipografia. Com isso estabeleceu-se uma forte cena de tipógrafos contemporâneos. Há cada vez mais opções de fontes, tornando o trabalho do designer cada vez mais preciso e único. Foi graças à web que a tipografia iniciou uma nova e produtiva fase. Há muito mais contato entre as diversas etapas do design, há também uma maior demanda por novos tipos e fontes, para o desenvolvimento de layouts e identidades visuais variadas. Com o crescimento da produção de design e a necessidade cada vez maior de fontes para web, ser um tipógrafo se tornou uma opção interessante para o designer contemporâneo.
Muitas fontes estão passando por processos de releituras ou de transformação neste novo momento. Muitas marcas optam por utilizar fontes já desenvolvidas, porém com um apelo contemporâneo, para reconstruir sua imagem. É interessante analisar o caso do canal GNT e d’O Boticário, que passaram recentemente por transformações em suas identidades visuais.
O GNT, que reformulou sua identidade baseada em uma extensa pesquisa entre seu público alvo, chega com uma tipografia baseada em Bree light, que garante um toque mais leve para as chamadas do canal. O trabalho tipográfico foi essencial para esta reformulação e apresenta uma fonte pouco usual, que garante um aspecto de ineditismo visual para este projeto.
Com essa nova cena tipográfica proporcionada pela web muitos estúdios de design estão concentrando seus esforços produtivos no desenvolvimento de fontes exclusivas. No Brasil é interessante citar o trabalho do designer Daniel Justi, que desenvolve uma série de tipos de forma comercial e não comercial e tem boa parte de seu trabalho como designer voltado para esta produção. Ele realizou uma ação muito interessante, promovendo a venda de suas fontes e doando parte da renda para vítimas da enchente no Estado do Rio de Janeiro.
O comércio de tipos, apesar de restrito para o universo do designer profissional, é bastante produtivo, pois há uma grande e constante demanda por este tipo de produto. A tipografia digital está crescendo e se tornando uma alternativa muito interessante para jovens designers. A web está sempre se reformulando e há uma demanda incessante por novos elementos visuais, como tipografias exclusivas para web e outros itens de design. O designer que está imerso neste contexto de produção deve ficar sempre atento às mudanças ao seu redor e saber que sempre há espaço para novas experimentações no espaço online.
Bibliografia: http://new.myfonts.com/fonts/type-together/bree/ http://cargocollective.com/danieljusti http://www.ideafixa.com/gnt-nova-marca http://chocoladesign.com/
Imagens