Retículas
O meio-tom é uma técnica de reprodução que simula uma imagem contínua através do uso de pontos que variam no espaçamento entre sim, formato e tamanho. Esta técnica, na verdade, nada mais é do que um truque de ilusão de ótica: o olho humano não percebe, de longe, estes pontos - a imagem é vista como uma cor contínua. Só podemos enxergar os pontinhos utilizando um aparelho chamado conta-fio.
Conta-fio
A idéia surgiu no começo da década de 1950, desenvolvida por Willian Talbot. Nas décadas que se seguiram, o processo foi se aprimorando e se desenvolvendo até chegar ao que temos nos dias de hoje. Os métodos mais comuns da criação das telas de reprodução são:
Retícula Convencional (AM - Amplitude modular): são os pequenos pontos que formam a imagem impressa. Por ter características próprias de utilização e de montagem, são chamadas de convencionais. Apesar do crescimento do uso das retículas estocáticas, as convencionais ainda são as mais usadas por atenderem com menos custo e boa qualidade as exigências das reproduções atuais.
Nos anos 70 e 80, quando eram normais os trabalhos manuais na montagem do fotolito, iniciou-se a utilização de processos computadorizados e das Imagesetter, o que possibilitou a saída direta dos fotolitos, reduzindo o tempo gasto com tarefas e estágios da produção. Para fazermos uma retícula convencional, iniciamos seleionando no programa do computador que faz a reticulagem (RIP - raster imagem process), um perfil de formação dos pontos - redondo, quadrado ou elíptico, o ângulo de saída de cada cor e a lineatura escolhida. Com essas informações, o RIP inicia o processo de conversão da imagem de tom-contínuo para imagem reticulada.
As retículas convencionais possuem características próprias, que são:
- Ângulos das retículas: este ângulo é definido pelo RIP na reticulagem digital e possui um determinado valor para cada cor (veja na figura abaixo). Se colocamos ângulos incorretos, podemos causar maior visibilidade de um problema chamado moiré - na retícla convencional ele sempre existe, sendo mais ou menos visível; para tentar minimizar o efeito, algumas vezes se invertem os ângulos do ciano e do magenta. Quando se utiliza mais de 4 cores, pode ocorrer sobreposição, mas ajustando corretamente as lineaturas dessas outras cores, conseguimos minimizar o problema com moiré. A utilização correta dos angulos formará pontos em roseta, o que dará um aspecto visual agradável. Abaixo podemos ver a formação com rosetas e com moiré.
Ângulos - normalmente usados - das cores.
Roseta.
Moiré.
- Lineatura: é a forma pela qual é determinada a quantidade de pontos de retícula que o fotolito ou chapa apresentará em 1 centímetro ou polegada linear - o que determina a quantidade de detalhes que a reprodução apresentará. Quanto maior a lineatura, menos serão os pontos de retícula - o tipo de papel, tinta e/ou o processo de impressão definirão a quantidade. Na hora da escolha da lineatura, que ocorre no fechamento do arquivo, tem que se levar em conta o tipo de papel que será usado: para papéis mais lisos e menos porosos, como couché, pode-se utilizar uma lineatura maior (60 lpc, 70 lpc...); já para papéis mais ásperos e mais porosos, como no caso do papel jornal, a lineatura deverá ser menor (40 lpc, 50 lpc...). Isso ocorre porque quanto maior a lineatura, menor os pontos de retícula. No caso de um papel muito áspero, os poros serão maiores do que o tamanho dos pontos da retícula, o que causará no impresso um aspecto de desbotado. Abaixo, temos uma tabela-guia para a escolha do lpc.
- Formato dos pontos: os pontos podem ser:
Quadrados - usado para reproduções em preto e branco, onde qualidade não é fundamental; normalmente é utilizado em jornais e impressos baratos;
Ponto quadrado.
Redondos - é o mais adequado para impressões rotativas de alta velocidade, já que causa menos entupimento e diminui a sensação de aproximação dos pontos que ocorrem por conta dos vértices nos outros formatos;
Ponto redondo.
Elíptico - com seu formato de losango, proporciona alta qualidade, normalmente utilizado em folhetos e catálogos;
Ponto elíptico.
Linha - não são estritamente pontos e oferecem má qualidade, pois dificultam a leitura da imagem, sendo utilizados apenas para fins específicos.
Ponto geométrico - linha.
Retícula Estocástica (FM - Freqüência modular): nada mais é do que o uso de retículas bem pequenas, que resulta numa melhor qualidade de imagem. Os estudos de utilização das retículas estocásticas datam de antes de 1990; porém, por conta dos pontos serem muito pequenos, a tecnologia existente na época (fotolitos) causava grande perda nas tranferências para as chapas. Após o surgimentos da tecnologia direta à chapa (CtP - computer to plate), foram feitos grandes investimentos neste tipo de retícula, que já é bastante usada hoje em dia e abriu espaço para utilização de outras técnicas de impressão como a Hi-Fi Color e Hexacromia. Outras características da estocástica são a economia de tinta e diminuição no problema de moiré.
As retículas estocásticas podem ser definidas em três gerações:
- Primeira geração: se diferem das convencionais por não ter que seguir uma grade de distribuição. Possui pontos com o mesmo tamanho, de modo que para escurecer ou clarear uma área, é necessário diminuir/aumentar a quantidade dos pontos e aumentar/dimunuir a distância entre si.
- Segunda geração: foram corrigidos os problemas que ocorriam na primeira geração quando a imagem apresentava degradê; os pontos agora não tinham o mesmo tamanho e podiam ser distribuídos conforme a necessidade da imagem.
- Terceira geração: também conhecida como híbrida por unificar os benefícios das retículas tradicionais com as estocásticas. Através da programação do RIP é possível colocar estocásticas de diversos tamanhos, convencional ou mistura das duas, conforme a necessidade da imagem.
Abaixo, alguns exemplos de imagens feitas com retículas convencionais e com retículas estocásticas - há uma diferença gritante entre elas.

Referências Bibliográficas:
http://tudibao.com.br/2009/05/saiba-mais-sobre-reticula.html
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http://www.pallotti.com.br
http://atenagrafica.com.br
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