Relevância
Em uma fotografia, o que é relevante pode ser mostrado por meio do enquadramento, da cor, da luz, ou de qualquer um dos elementos que compõem a imagem. Quando esse foco de importância é muito previsível, ou não comunica um conteúdo ou sentimento, a foto se torna ruim. Para saber se determinada situação é relevante para ser fotografada, deve-se analisar o contexto em que acontece e em que a fotografia capturada a inserirá.
No entanto, relevância nada mais é que retratar a importância que algo tem. Em uma fotografia, envolve empatia e sensibilidade por parte do fotógrafo, uma vez que para saber o que é importante para àqueles que se quer impressionar com suas fotos deve-se saber o que pensam e como pensam (ou ao menos imaginar como o fazem). Há uma imagem de Henri Cartie Bresson [1]em que um casal se abraça enquanto duas freiras olham para eles. A mais nova sorri enquanto a mais velha apresenta um olhar de desaprovação. Se as freiras fossem cortadas da foto, seria papel do fotógrafo imaginar que reações essa imagem poderia causar em freiras.
Relevância envolve ainda a escolha do enquadramento exato para o que se quer mostrar como importante em uma cena. Na foto[2]de Marcelo Carnaval, que mostra o corpo do engenheiro Leonardo Tramm Dumond, baleado em pleno centro do Rio de Janeiro, o foco não é exatamente o corpo do rapaz morto, nem sobre a multidão de curiosos que rondava o corpo, mas sim a expressão de indignação, dor e incompreensão da mãe, que sentada na calçada, amparava a cabeça de seu filho.
Tem também a ver com contexto. Em uma outra foto[3]de Henri Cartier Bresson, podemos ver uma senhora que está sendo hostilizada pelas pessoas a sua volta. O título nos conta que a foto foi tirada em 1945 em plena Segunda Guerra Mundial, em uma cidade alemã, Dessau e a senhora, não é uma simples senhora, era uma das informantes que a Gestapo mantinha em sigilo para vigiar e delatar quem demonstrasse a mínima indisposição ao Partido Nazista. Se a imagem fosse cortada em volta da mulher, em plano americano, por exemplo, perderíamos as pessoas à volta dela, com expressões extremamente duras ao olha-lá. Perderíamos a relevância. A foto deixaria de ser importante historicamente pois perderíamos seu contexto.
Relevância em fotografia usa também cor. As pessoas tendem a gostar mais de composições que apresentem cores quentes, por isso fotografias como o Beijo[4], de Toulouse-Lautrec, (essa em especial é extremamente empática também, o que acaba gerando uma certa relevância para qualquer um de nós) que apresenta o vermelho como cor predominante, chamam tanto nossa atenção.
Relevância envolve contraste, quando o uso da diferença entre as cores serve para comunicar alguma coisa. No quadro O Espólio [5], de El Greco, o contraste entre o amarelado em volta da figura central e o vermelho-vivo chama a atenção para o sentimento de Cristo na imagem, enquanto todos em volta se concentram uns nos outros. Dessa forma, o contraste dirige nossos olhos para pontos diferentes da imagem, onde naturalmente não nos deteríamos, mostrando na serenidade de Jesus a relevância da pintura. Dessa forma também a luz é um elemento que direciona nossa visão para focos inusitados, mostrando o que é relevante em cada fotografia.
Relevância tem a ver com temática, pois o que se quer comunicar deve estar centrado no receptor da mensagem. Na maioria das vezes, o que é importante para algumas pessoas, não faz sequer sentido para outras, portanto, escolher o tema certo para retratar já é um grande passo, pensando no que o observador da fotografia irá imaginar sobre ela quando estiverem em contato.
Enfim, a relevância, por mais relativa que seja, deve ser a todo momento planejada pelo fotógrafo, como comunicador, para que sua mensagem visual seja captada sem ruídos. Para qualquer comunicador, a irrelevância é consequência de uma série de falhas que impede o receptor de reter o que lhe foi transmitido, e assim também acontece com a fotografia.
Daniela Moniwa e Jéssica Diniz
A relevância pela irrelevância
É possível aprender o que é relevante em fotografia analisando o seu oposto, a irrelevância. É irrelevante o que é descartável, inexpressivo, inútil. Se um determinado elemento se apresenta sem motivo aparente, se eliminá-lo não significa prezuízo algum, então, deve-se descartá-lo, caso contrário, a foto pecará pelo excesso. Obviamente, o excesso, o exagero pode ser proposital, mas não é a essa forma de exagero que me refiro aqui. Não se trata do exuberente, mas daquele tipo de exagero que incomoda, que agride, simplesmente por ser demais, por ser redundante. Já que em estética, as palavras, muitas vezes, são pequenas demais, vamos aos exemplos.
Na foto http://farm1.static.flickr.com/123/408769351_78974c63fd.jpg?v=0 Temos um caso típico de exagero. As garotas ocupam praticamente a foto inteira, cortando a curva formada pela água do mar e cobrindo as outras pessoas que andam pela praia. Um distanciamento em relação as garotas, trazendo o quadro mais para a direita poderia valorizar a foto, integrando-as à praia.
Em outra foto de praia, http://farm3.static.flickr.com/2154/2136554490_1167159df1.jpg?v=0, percebemos que composição não é tudo. Essa foto é irrelevante, pelo excesso do mesmo, pela ausência de contraste. Apesar do belíssimo enquandramento, é difícil encontrar um elemento que se destaque, a luz e a cor são praticamente as mesmas nos diferentes planos.
A foto a seguir
é irrelevante pelo tema, por não conseguir criar um elemento de destaque suficiente para deixar claro que o tema é o carnaval em Olinda. Poderia ter efeito mais interessante se focasse apenas nas pessoas que se encontram na rua, ou se fechasse nos elementos decorativos das casas. Muitas vezes, quando se quer mostrar tudo não se mostra nada.
Renata Tiemi Owa--201.52.209.6 13:00, 14 Fevereiro 2008 (PST)