Regra dos terços

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

A regra dos terços, assim como qualquer regra, não precisa ser seguida milimetricamente, à risca quando vamos tirar fotos. Essas regras servem para guiar nossos olhos e educar nossa mente para que nossas fotos sejam mais equilibradas e consigam transmitir o que queremos. Talvez não exista muito mistério na Regra dos Terços. Mas, às vezes, é preciso ressaltar o óbvio para que ele permeie nossa mente.


A imprevisibilidade instiga e salta mais aos olhos. Não é preciso olhar e questionar-se sobre o que é previsível. Assim, o simétrico é previsível e sabemos o “outro lado da moeda”. Ele é "sem graça" e não requer que trabalhemos o raciocínio sobre ele. A Regra do Terço existe para tentar retirar o óbvio e simétrico das fotos. Deste modo, leva o "leitor" da foto a um raciocínio sobre esta.
A Regra dos Terços consiste na seguinte proposição: a foto deve ser dividida em três partes iguais tanto na vertical, quanto na horizontal. Ficará desta forma divida em 9 quadrantes (se assim podem ser chamados) iguais.

Mas para que tantas partes e linhas?

Desta forma é mais fácil não construir a simetria tanto na vertical quanto na horizontal.
Dividindo ainda a foto desta maneira, torna-se mais evidente os focos de atenção existentes - ponto de encontro das linhas. Estes entroncamentos das linhas são 4 pontos importantes e que prendem a atenção do "leitor". Posicionando elementos importantes da foto nestes pontos, há uma valorização ainda maior daqueles.



Alguns exemplos podem nos ajudar.

  • Uma foto assim...

Cuti Cuti
Tirando o lado óbvio da não simetria, percebemos o quanto o há de Regras dos Terços e o quanto ela contribui com a foto. A árvore ocupa dois terços verticais da foto. Com isso, sobra uma pequena parte para o fundo de cor contrastante. Assim, é possível perceber o tamanho relativamente imenso que a árvore possui. Essa imensidão ainda é ressaltada pelo fato de termos um esquilo (cuti cuti) na árvore. A proximidade de cores e tons ainda faz com que o esquilo quase passe despercebido. Mas depois de certa análise, tal ganha a real relevância aumentando ainda mais o tamanho da árvore. O esquilo está em um dos focos de atenção, ganhando o devido destaque. A diferença de cores, contraste, formas e tamanhos produzem uma instabilidade que valoriza a foto e leva ao raciocínio.


  • Nas montanhas de Cork-oaks nem no céu há simetria.

Apesar de todos os elementos terem proximidade com seus semelhantes, não há simetria. As cores ajudam neste ponto. As montanhas possuem as mesmas cores e seus tons próximos. No entanto, o degrade presente orienta nossos olhos em direções distintas e quebra a simetria que poderia existir. Isso acontece com as árvores e até mesmo com o céu. As nuvens com os vários tons de azul e o branco atribuem certo movimento para o conjunto. As árvores estão em completa assimetria e ainda posicionadas nos focos.

Tudo isso poderia contribuir para um ambiente agitado e instável.

Mas mesmo com todas as características, em Cork-oaks, o que predomina é a tranquilidade e o sossego.




João Paulo de Oliveira Tavares & Selma Regina de Vequi

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