Otavio Nunhez da Silva


				

				

Fala moçada, aqui é Otávio Nunhez, aluno de PP do 3º ano, e atualmente na WECA por cursar a disciplina Produção Gráfica.

Aqui, segue uma análise dos trabalhos gráficos com base nos critérios de alfabetização visual:

Fotografia:

great-white-thumb.jpg

MEDO, além de ser um monstro do mar, o maldito ainda voa...

O foco da foto dá ênfase ao tubarão e a distância sugerida entre ele e a superfície da água, o barato da foto por sinal, sendo todo o resto secundario, e portanto, fora de foco, apenas contextualizando a cena. Por ser um pôr do sol, notamos um contraste ocasionado pela sombra no tubarão, o que o destaca mais do fundo. O movimento de queda, logo após abocanhar a presa e o fluxo de água provocado pela ação dão o fluxo e o ritmo da foto.


Artes Plásticas:

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Por se tratar de algo físico, e não uma sugestão desenhada, o equilibrio está seriamente comprometido nessa peça, o que por sinal é o que a deixa intrigante. Forma e (não)cor destacam a figura do fundo de maneira bem simples, dadas as formas primárias e a monocromia. As formas e (a)cores sólidas sugerem estaticidade, ainda que o equilíbrio seja comprometido, como dito anteriormente pela bola que, por Deus, vai cair!

Cartaz:

POTW-570.jpg

Há um contraste de saturação das cores com o fundo branco, destacando o desenho, e dentro do próprio desenho, entre as cores quentes e frias. Esse contraste interno quebra um pouco a harmonia cromática, mas por outro lado apresenta um efeito provocante, que tira o cartaz da perigosa zona do simplório, dada sua simetria e simplicidade das formas, colocando-o de modo interessante na zona do simples e objetivo. Apesar de basicamente estática,dada a simetria do castelo, árvores (ok, pinheiros ou bandeirinhas... fico com a primeira opção)e sol, a transgressão das nuvens à camada de fundo bege (ou seja lá o que for), sugerem um movimento de fluxo, vento.


Basmala:

2gvk560.jpg

Harmonia, equilíbrio, e fluxo entre componentes entrelaçados, compondo uma forma circular simples. A baixa luminosidade cromática garante o forte contraste com o fundo branco, enquanto o gradiente claro/escuro dão maior sensação de fluxo e profundidade dos componentes de formas curvas e simples.

Mosaico:

mosaic1.jpg

Apesar da completa simetria e harmonia cromática desta peça dionisíaca, observamos o destaque à figura central, o próprio deus dos vinhos e bacanais,a única figura destoante da simetria da obra. O uso da cor promoveu o fluxo e movimento circular da flor (hélice, ou seja lá o que for),cujo eixo central é a divindade. Destaque ao predomínio de cores de baixa saturação e luminosidade (ou seria o efeito do tempo?).

Sumi-e:

30_o_japao_02.jpg

A harmonia cromática quebrada, ironicamente, pela presença de cor, no caso o vermelho, acaba por apresentar, talvez, o motivo, e ênfase, da ação e fluxo que guia o movimento para baixo dos peixes: quem sabe folhas (se assim o forem) que caíram na água assustaram os dois... A peça não apresenta contornos fechados por si mesmos, mas sim fundidos em formas e linhas, formando as imagens texturizadas.


Iluminura

http://fotos.sapo.pt/rnZGJbbZ2ydby9UCr3fn/

Bela como peça de arte, mas deficiente como peça de comunicação, por ser inclusive um livro. Pergunto-me quando conseguiríamos lê-lo sem que nossos olhos fossem desviados pela saturação cromática das peças em volta. Altamente complexa e prolixa. É interessante observar a simetria dos elementos gráficos que formam uma composição assimétrica. A estaticidade das figuras humanas contrasta com o fluxo das formas rebuscadas das molduras internas dos elementos gráficos.

Caligrafia asiática

SJ2050_cat.jpg

Notável harmonia e equilíbrio entre os elementos formadores de cada símbolo, o que é ressaltada pela uniformidade e semelhança dos traços. Ainda que haja um fluxo dada a assimetria de cada traço, a sugestão de formas fálicas dos símbolos conferem certa solidez. Em termos gerais a peça apresenta harmonia cromática dadas as cores orgânicas, ainda que certa texturização dada a diferença de intensidade no preenchimento (talvez sejam as pinceladas). O destaque vai para qualquer coisa em preto, ou seja, a caligrafia e a moldura. O efeito é interessante já que enclausuram o fluxo provocado pela texturização cromática da peça.

Anúncio

Ad+Ayla+4.jpg


Harmonia cromática (mesma matiz em diferentes tonalidades) e equilibrio entra a estaticidade da forma definida da garrafa e o fluxo amorfo do "viva a natureza" (ou seja qual for sua intenção). A simplicidade da peça se dá nas cores solidas, a monocromia (apenas uma matiz e branco de fundo), e as formas não texturizadas ou em perspectiva. Interessante que a visão é guiada para o logo da Coca, no meio da garrafa, e este acaba sendo o destaque do anúncio, apesar de pequeno dentro da obra. Infelizmente, a simplicidade do anúncio flerta com o simplório já que o elemento gráfico precisa ser complementado pelo texto, estabelecendo uma relação de construção, não de diálogo. Em resumo, não há sacada alguma no anúncio e a escolha da cor e sua presença massiva na obra prejudica o reconhecimento de marca, apesar da garrafa e o logo.


Website

http://www.adidas.com/br/homepage.asp

Ainda que os elementos gráficos do site deem graça à peça, a ideia é bem simples, com a interação executada através da navegação acima e abaixo desses elementos. No link em questão, é interessante a composição da totalidade da peça através de inúmeros retângulos, o que no final das contas, quase é ignorado. O contraste entre as cores quentes e preto da ilustração, e o fundo branco, acaba por destacar o produto promovido, a bola da Copa de 2010. O fluxo da ilustração leva nosso olhar para a bola, contudo, um espaço vazio em preto e o link em branco facilita o acesso efetivo ao site.




Análise da obra de Lucian Benhard

Lucian Bernhard (1883-1972) foi um designer gráfico alemão, criador Plakatstil, ou estilo pôster. Era caracterizado geralmente por fontes em peso bold, cores chapadas e formas geométricas, sendo que o objeto central da peça mantinha um maior detalhamento. O estilo é marcado, portanto, pela simplicidade, priorizando a objetividade da mensagem a ser transmitida. Muito usado em peças publicitárias, o estilo mantinha o produto em destaque assim como a marca. Façamos uma análise geral de sua obra segundo os critérios trabalhados na parte teórica da disciplina: Harmonia: Observa-se uma harmonia cromática onde destaca-se o nível de saturação da cor, relativamente baixo, ainda que as cores sejam trabalhadas de modo a destacar os elementos gráficos e tipográficos do fundo, tanto por contraste de matiz (Bosch, Pelikan) quanto pelos fatores luz (Manoli) ou mesmo complementaridade(Bosch, Klein-Adler); e cheguem a um equilíbrio de composição através da distribuição do peso dos elementos visuais da peça (gráfico e tipográfico), influenciados por tamanho, forma e cor. A disposição dos elementos e suas cores levam o olhar primeiro para os produtos anunciados, e posteriormente para o nome da marca. Apesar da estaticidade que conferem as marcas tipográficas, os produtos são dispostos de modo a sugerir movimento, ressaltando uma disposição assimétrica, ainda que contribua para o equilíbrio do todo. Tomemos como exemplo o anúncio da Pelikan, onde os elementos gráficos (caixa e rolo de filme), encontram-se dispostos em diagonal segundo a orientação da peça. As cores quentes da caixa são equilibradas pela relativa frieza do rolo de filme preto. Além disso, a sombra desses elementos, logo abaixo, ajuda no equilíbrio com relação ao Pelikan, feito da mesma cor. Assim, o destaque da peça, a caixa, é equilibrado pelos outros elementos, formando uma peça coesa e harmônica, não gritante ou incômoda. O grande agente de fluxo é o rolo de filme, cujas formas sinuosas tomam boa parte da peça, preenchendo o espaço e escurecendo o todo, o que contribui também para o equilíbrio e harmonia.

Links para as peças: Pelikan: www.bienalcartel.org.mx/expo_siglo_XX/pages/007%20lucian%20bernhard%201920%20%20copy.htm Restantes: thesilverliningblog.com/2009/10/03/lucian-bernhard


Piet Zwart O designer e tipógrafo holandês combinou Dada com Neoplasticismo, mesclou elementos racionais e irracionais e chegou a lecionar na Bauhaus. Formas geométricas (influências de alguma formação arquitetônica) e padrões construtivistas no uso tipográfico também caracterizam sua obra. Ficou conhecido como designer gráfico da companhia telefônica holandesa, para a qual fez centenas de trabalhos. Parte (mínima, admite-se) da sua obra pode ser analizada no link tipografos.net/designers/zwart.html. É notável a mistura de elementos racionais, a tipografia sem serifas, construtivistas e altamente geométricas, e os irracionais, graficamente representados pelas montagens fotográficas sobreposts e em diferentes cores. A disposição da tipografia e elementos gráficos(sobrepostos) , aliados às formas das fotografias conferem fluxo e movimento às peças, mesmo com o racionalismo das opções tipográficas construtivistas. Uma vez dispostas fora do eixo horizontal, e interagindo muitas vezes com a parte gráfica, as letras incorporam-se à peça, ainda que acabem por, de certa forma restringir com sua retidão dispositiva, o fluxo empreendido pela disposição gráfica, ou ainda, terem sua estaticidade deslocada pelo fluxo gráfico. Questão de ponto de vista. De qualquer forma, chega-se a um equilíbrio de fluxo e gráfico com a disposição dos elementos e a escolha e contraste de suas cores. O fundo é comumente claro, contrastando fortemente com os elementos da peça, expostos em cores de saturação de média a alta. A forma (mormente orgânica nos elementos gráficos e geométrica na tipografia) é o grande destaque e está no topo da hierarquia visual dos cartazes, mesmo quando a peça é all type, ocasião em que a forma das letras tem mais destaque que sua legibilidade (media-2.web.britannica.com/eb-media/23/73223-004-4D4D5AAF.jpg, ou a seção “Fontes” do primeiro link). Fortune-1953-7.jpg (cor e forma em destaque, com tipografia em segunda plano) floppydisc.files.wordpress.com/2009/12/1.jpg (sobreposições e blendings através do uso da cor no anúncio all type). Não obstante a simplicidade das formas usadas nos elementos gráficos ilustrados e na tipografia, nota-se uma complexidade das peças que usam a sobreposição fotográfica, já que apesar do tratamento das imagens em uma só cor, os detalhes são mantidos. Contudo, o todo das peças não chega a ficar gritante, tanto por um equilíbrio entre os elementos, quanto pelo uso do espaço vazio, em cores claras (mormente o branco).





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