Ninive de Macedo Rocha
Aluno: Nínive de Macedo Rocha
Nº USP: 7166078 - Publicidade e Propaganda Noturno
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[editar] O trabalho de Johannes Vermeer
Johannes Vermeer foi um importante pintor holandês do século XVII, cujo trabalho era voltado principalmente à representação de cenas da vida cotidiana, tendo especial atenção às atividades domésticas da classe média. Destaca-se em sua obra a elaboração de diversas pinturas de interiores, explorando os efeitos da luz natural nos objetos que compõem a cena. Vermeer é um grande artista porque conseguiu retratar cenas banais do cotidiano de modo brilhante, utilizando apenas a luz para destacar elementos e conferir uma atmosfera mais envolvente, ressaltando cores e formas, e permitindo que suas obras possam ser observadas como fotografias, até mesmo por uma das técnicas que se supõe que tenham sido usadas na elaboração de suas obras: a câmara escura, que é uma precursora da câmera fotográfica e que permite ao artista ter uma perspectiva mais acurada, que não seria possível a olho nu. Mesmo sem a comprovação do uso deste instrumento, as obras de Vermeer apresentam aspectos expressivos da óptica e de outros conceitos físicos, como a reflexão da luz e outros efeitos, que enriquecem seu trabalho.
[editar] Análise das Obras
[editar] A Leiteira
Em "A leiteira" vemos o típico retrato de uma cena do cotidiano da classe média, a se julgar pela decoração simples do ambiente, e mesmo pelos objetos fora do lugar, como a caixa no chão, com uma moça camponesa realizando o simples ato de derramar o leite de uma leiteira em um tigela, trabalhando sobre uma mesa com pães e jarros, provavelmente preparando o café-da-manhã de sua família. Chama a atenção a composição dessa obra, pelo fato de que a luz incide na cabeça da moça, que está coberta por um pano branco, e que por isso reflete a luz de um modo mais intenso. Logo a seguir, o olhar do espectador percorre o corpo da mulher, que está vestido com cores muitos vivas, no caso, o amarelo e o azul, chegando, por fim, à leiteira, que possui um tom marrom-alaranjado, também muito vivo, e que destaca à atividade praticada, com o branco do leite em evidência neste ponto. Essa construção é interessante porque o olhar percorre com facilidade o caminho proposto pelo autor guiando-se pela luz e pelas cores, o que torna o ato instantaneamente interessante, pois quem vê a obra se sente parte da cena, ao lado da mulher, e quase se pode ouvir o leite sendo despejado na tigela.
[editar] Vista de Delft
"Vista de Delft" retrata a tranquilidade da terra natal de Vermeer sob a luz do dia, com nuvens encobrindo parcialmente a luz do sol, que se distribui em alguns focos mais distantes da posição do observador. O autor mostra uma perspectiva diferenciada da cidade, pois se posiciona em um local elevado, que o permite ver o que há por trás dos prédios situados nas proximidades do rio. As mulheres retratadas andando na margem conferem uma indicação da distância e da posição do pintor em relação à cidade. As cores mais fortes se situam ao fundo da pintura, e chamam a atenção para a extensão da área, pois é possível perceber uma grande diversidade de planos, representados pela diferença no tamanho construções e na intensidade da luz que recebem. Essa obra obra pode ser considerada uma boa fotografia pois capta com fidelidade a luz que incide na cena, e que varia em função da posição das nuvens. Além disso, possui um elemento de comparação importante, que no caso são as mulheres, permitindo ter uma referência para perceber o tamanho da cidade do autor. Por fim, pode-se destacar também o trabalho com o reflexo das construções na água, que mostra as sombras e também alguns pontos de incidência de luz, e mais uma vez destacando conceitos importantes da física.
[editar] Jovem com uma flauta
"Jovem com uma flauta" é um retrato, e mostra uma moça em um ambiente escuro, segurando uma flauta, provavelmente em uma pausa ao tocar o instrumento. Essa jovem, ao contrário da maioria das pessoas retratadas nos trabalhos de Vermeer, não parece pertencer à classe média, e sim, a um grupo mais abastado, por suas vestimentas e pelos objetos que a rodeiam, um dos quais é dourado e remete a ouro. Além disso, a moça usa um estranho chapéu que lança sombras sobre a região de seus olhos, tornando-os mais escuros, e encobrindo também um pouco da cor de sua face. Mais uma vez está presente a questão da luz lateral, porém, vinda da direita, diferentemente das demais obras, que, em geral, apresentam a fonte de iluminação do lado esquerdo. Destaca-se no quadro a expressão indefinida da moça, que não está posando, e sim com uma expressão comum, como se estivesse falando com o pintor. Em relação à composição, a fotografia tem como destaques os elementos brancos, que refletem intensamente a luz, e também a fresta de luz vinda da diagonal direita, que ilumina o canto oposto da cena, evidenciando o chapéu incomum e objeto atrás da moça, ambos com tons dourados, e que conferem à cena uma atmosfera um pouco mais sofisticada que a das principais obras de Vermeer.
[editar] Cristo na casa de Marta e Maria
"Cristo na Casa de Marta e Maria" retrata um momento histórico-religioso de grande importância para os católicos. Dentro das tendências da temática barroca, Vermeer também criou obras seguindo essa linha, ainda no início de sua carreira, mas, descobriu que sua inclinação não era para esse tipo de pintura. A obra retrata um encontro entre Jesus, Maria e Marta, na casa das irmãs, e enquanto Marta se preocupa em servir ao Mestre, Maria, apenas senta-se aos Seus pés e escuta, completamente envolvida nas palavras de Cristo. Nessa obra, nota-se a simplicidade do segundo plano, que não possui elementos capazes de atrair a atenção, deixando o destaque da cena para as três personagens apenas, partindo da figura de Jesus, que serve como ponto de fuga para as linhas da composição, e faz uma triangulação com as irmãs a partir de seu olhar. Mais uma vez, estão presentes as cores vibrantes nas vestes das personagens, com especial destaque para o vermelho nas roupas de Maria, que contrastam com o verde da roupa de Jesus e com o branco das roupas de sua irmã, chamando a atenção para a expressão atenta da moça no chão, que direciona o olhar do espectador para o rosto de Jesus e deste para a expressão de Marta que completa o triângulo novamente direcionando a observação para Maria. A composição da fotografia é perfeita em captar a atenção do espectador, pois o mantém observando o ciclo da conversa por diversas vezes, utilizando apenas a luz no foco da pintura e as cores para guiar o olhar.
[editar] A alcoviteira
"A alcoviteira" é uma obra peculiar pois, supostamente, teria sido a pintura na qual Vermeer teria realizado seu auto-retrato. Com uma atmosfera mais erótica e desvinculada dos temas do cotidiano doméstico da classe média, normalmente abordados pelo pintor, a obra, ainda assim, conserva os aspectos de luz e de cores vibrantes, para destacar os pontos de maior importância, no caso, o grupo composto por uma moça e por três homens.a moça recebe uma moeda do homem imediatamente atrás dela, e o grupo observa a mulher com uma expressão de interesse, e, o homem à esquerda da foto, no caso o próprio pintor, sorri com sua bebida na mão, tendo o rosto parcialmente escurecido pelas sombras. A pintura constitui-se em uma boa foto pois captura um momento flagrante, sem que as personagens estejam posando, e permite, inclusive, que seja possível vislumbrar os pensamentos de todos elas. O olhar do espectador, nesse caso, percorre a figura do canto direito para o esquerdo, partindo do amarelo e do vermelho das vestes da mulher e de seu provável cliente, e acompanhando a disposição das personagens até chegar ao suposto Vermeer, que olha de modo cúmplice para o observador, e o mantém envolvido para descobrir mais sobre este episódio.
[editar] Sebastião Salgado
Sebastião Salgado é um dos maiores nomes da fotografia brasileira. Com um trabalho voltado ao fotojornalismo, sua intenção era sempre promover uma mudança na perspectiva de seus espectadores em relação ao sofrimento alheio. Visitou diversos países da África e retratou de um modo muito particular a fome, a guerra, a miséria e a morte. É um grande fotógrafo porque consegue, por meio de suas obras, trazer o espectador para dentro da cena, utilizando-se de composições muito ricas, com olhos em destaque e com muitos detalhes do corpo, como as mãos, que refletem as condições de vida das pessoas retratadas. Além disso, destaca-se em sua obra o largo uso das fotografias em preto e branco, que acrescentam um tom dramático à cena, e diminuem a quantidade de elementos que possam distrair a atenção do observador.
[editar] Análise das Obras
[editar] Mountain Zebra
A foto em questão mostra a perspectiva artística de uma cena do cotidiano africano, que é banal para a maioria dos habitantes da região, mas é belíssima para aqueles que não estão acostumados com essa realidade. A composição mostra um grupo de zebras bebendo água às margens de um rio, dispostas lado-a-lado em uma fileira. O efeito visual é muito bonito, porque as listras dos animais parecem estar se fundindo em algo único. Além disso, o contraste do fundo, com pedras muito claras e alguns troncos escuros, amplia o efeito das listras, principalmente pelo fato de a foto ser em preto e branco. Também o reflexo na água mantem as zebras em evidência e prende o olhar do espectador para tentar descobrir o que são as zebras, o que é o reflexo e quão grande realmente é este grupo, provocando no observador uma reflexão a respeito da relação entre partes que compõem um todo. Esta imagem é uma boa foto pois mostra uma vista que faz parte do cotidiano de algumas pessoas e que com certeza pessoas em diversas partes do mundo adorariam ter, mas não valorizariam se a tivessem. O grupo unido de zebras dá à composição um tom agradável, por mais que o ambiente seja aparentemente insalubre, como é possível observar a partir do plano de fundo.
[editar] Untitled
A foto mostra o que parece ser uma criança carregando um cesto. Não é possível precisar se é um menino ou uma menina, mas o ponto central da composição está nos olhos da criança, que são muito grandes e possuem um brilho pontual, que reflete a luz do ambiente. Além dos olhos, o cesto nas costas do fotografado forma um tipo de aura em torno da criança, como se fossem as asas de um anjo. Por suas grandes dimensões, o cesto a envolve, e ocupa quase todo o espaço do quadro. O fundo da foto é simples, e não possui elementos capazes de distrair a atenção do espectador, contribuindo para valorizar ainda mais o cesto e os olhos. Por fim, o contraste dessa aura da criança e do brilho de seus olhos com suas roupas simples torna o resultado final ainda mais interessante. Existe ainda uma luz que vem por trás da criança e passa pelas frestas do cesto, formando um desenho de linhas, que ilumina o objeto e contorna a criança, sugerindo o desenho das asas. A luz dessa fotografia reflete de um modo impressionante na pele e nos olhos da criança, dando a impressão de que eles são ainda maiores. Esta é uma boa foto pois o olhar da criança torna praticamente impossível parar de observar a imagem. O cesto, tomando todo o espaço do quadro, faz com que o olhar do espectador percorra a foto em um ciclo, seguindo a curva do objeto. Por fim, a luz acrescenta vida à imagem, reforçando não só o olhar da criança mas também criando o padrão visual que a torna um ser diferente, pela associação com o anjo.
[editar] Chá em Ruanda
A foto não mostra pessoas, e sim um detalhe do corpo de uma delas, no caso as mãos de um agricultor ou agricultora responsável pelo cultivo do chá em Ruanda. Elas são mostradas em meio às folhas de chá, e tornam-se o centro das atenções no quadro porque ficam misturadas às plantas, segurando-as com cuidado e também com firmeza, como se sua existência estivesse ligada a elas. O destaque fica para as unhas claras, porém sujas, no centro da imagem, que revelam detalhes deste trabalho e das condições de vida das pessoas que se submetem a ele. Apesar de o título atribuído à foto (não se sabe se pelo autor pelos apreciadores de sua obra) ser Chá em Ruanda, a foto tem por objetivo retratar as vidas ligadas a essa cultura, representadas pelas mãos, e muito ligadas a ela, dependentes dela. Essa é uma boa foto pois a composição leva o espectador a refletir sobre o que há por trás da cultura do chá, como vivem as pessoas e por que situações ela passam. O modo como as mãos seguram as folhas, com habilidade, firmeza e cuidado, indica que essa atividade é a vida dessas pessoas, e essa história envolve o observador.
[editar] Corpos empilhados em kilumba
A foto em questão é extremamente impactante, pois mostra corpos sendo despejados em uma pilha por um trator, exatamente como seria feito com lixo. Este tratamento sendo dado a seres humanos sensibiliza o observador. Chama a atenção na foto o enquadramento, que consegue transmitir a ação de modo muito claro, com a empilhadeira do lado direito, mostrando apenas parte do veículo e sua pá erguida, com um corpo sem vida pendurado e prestes a ser jogado sobre uma pilha composta por escombros, lixo e outros corpos, à esquerda do quadro. Essa foto é fantástica, porque consegue mostrar de modo muito explícito as condições de tratamento das pessoas dessa região, e o total desrespeito aos seus direitos, provocando indignação com relação aos mais poderosos, que no caso são representados pelo trator, e que lidam com essas pessoas como se fossem lixo.
[editar] Construção em Jacarta
A imagem mostra um operário que trabalha na construção de um prédio muito alto em Jacarta. A obra ainda não está concluída, e o homem está em meio aos vergalhões da estrutura, observando a cidade em seu entorno, que edifícios tão altos quanto o que o homem está ajudando a construir. Sua postura e posição gera desconforto, pois a estrutura parece frágil para segurá-lo nesta altura, e a cidade ao redor parece muito grande em relação ao operário. A perspectiva pela qual esta foto foi tirada faz com que o espectador tenha a sensação de que aquele trabalhador é apenas mais um dentro de um mundo tão grande. A imagem é uma boa foto pois o ângulo pela qual foi obtida provoca um contraste entre a pequenez do ser humano e a grandiosidade do mundo ao redor. E o enquadramento é perfeito para transmitir essa sensação, com a cidade em segundo plano, porém ocupando a maior parte do quadro.
[editar] Luz
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Neste frame, observamos a personagem principal sendo iluminada pela luz do sol, que entra em diagonal por uma janela lateral situada atrás dela, e que também ilumina a parede do aposento, sendo esta luz a única presente no momento em que ocorre a cena. Entretanto, na composição da iluminação, observa-se uma segunda luz, que vem da diagonal oposta e ilumina a lateral esquerda do rosto do ator, suavizando as sombras deste lado e reforçando-as do lado oposto, deixando os cabelos iluminados por trás e o rosto pela frente, e reforçando o tom de seriedade da personagem em questão, contornada pelo efeito da luz na parede ao fundo.
[editar] Planejamento de foto
]
Em visita à fazenda de cacau na Bahia, observei os trabalhadores revolvendo as amêndoas de cacau na estufa e pensei em fazer a foto de um ângulo acima das baias. Para conseguir esse efeito de estar "dentro" do trabalho, me equilibrei na divisão entre as baias e busquei um enquadramento que permitisse visualizar apenas a grande quantidade de sementes e o trabalhador "mergulhado" entre elas, o que é indicado pela altura da madeira na parte superior da imagem. Para garantir o efeito de textura aos grãos, utilizei iluminação lateral de led, um pouco acima dos grãos.
A cor amarela da camiseta do homem conferiu um contraste muito interessante com a cor das sementes, deixando-o destacado em meio à imensidão de cacau.
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