Munch

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Edvard Munch pode ser considerado um bom fotógrafo, pois em seus quadros há grande expressividade de emoções que são transmitidas menos pelas expressões faciais dos personagens (que normalmente estão atônitas), mas pelos olhares e por outros elementos que compõem os quadros, como suas expressões corporais (as mãos na cabeça, em sinal de desespero), o contraste entre cores quentes e frias e os enquadramentos que valorizam as reações das pessoas diante dos fatos da vida.

Assim, os sentimentos de dor, angústia e amor têm presença constante em suas obras.

Dentre suas principais obras, destacamos:

munch_scream_1_.jpg O grito: O contraste entre as cores quentes predominantes no céu ao entardecer e as cores frias que predominam no restante da imagem realçam a divisão feita pela linha do horizonte. Na sua parte inferior, as principais linhas da ponte, do rio e de suas margens convergem para o rosto do homem que está em primeiro plano. Além disso, o enquadramento, que mostra outros planos – inclusive outras duas pessoas caminhando sobre a ponte a uma certa distância – reforça a expressividade de dor e de solidão do grito.
A criança doente: O pintor conseguiu captar uma cena justamente no instante em que se passa muita emoção. De um lado a menina com um olhar lânguido mostrando sua debilidade ao olhar para a mulher que, por sua vez, ao segurar sua mão, mantém a cabeça baixa evitando demonstrar seus sentimentos (talvez suas lágrimas).

A primeira coisa que vemos ao olharmos para o quadro é justamente o rosto da menina, o que não acontece por acaso: ela se encontra no foco de interesse superior-esquerdo. Outros fatores também valem ser destacados:

O foco de luz sobre a cama contribui para a dramaticidade. Bem como as cores com pouca luminosidade, além do preto, que compõem o ambiente e as vestimentas das pessoas e realçam o contraste com a pele das pessoas, marcando mais ainda suas expressões.

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=munch_dead-mother_1_.jpg A Mãe Morta e a criança (1900): É mostrada a exata cena em que a menina olha na direção do observador e com as mãos na cabeça, como que tampando os ouvidos, parece não querer ouvir algo e está de costas para a cama como que não querendo acreditar que sua mãe está morta. Deitada na cama atrás da criança, a mulher está tão pálida e sem vida que a sua brancura se confunde com o lençol e o travesseiro sobre os quais permanece.

Aqui também vemos o contraste entre a cores quentes que predominam no primeiro plano - o chão e a pele e o cabelo da menina - e as cores frias e mais diluídas que predominam no segundo plano - a mãe morta e a cama.

Mais uma vez a expressividade dos personagens transmite o seu universo interior.

Auto-retrato (1895): Quadro aparentemente comum, com o rosto do pintor em evidência pelo único foco de luz direcionado a ele. Mas tal imagem deixa transparecer, através de seus elementos, características do autor. O cigarro em sua mão, cuja fumaça se dissipa e some na escuridão, dá a impressão de que ele fumava muito. A roupa alinhada, o bigode e o cabelo aparados e a pose expressiva mostram sua classe social ou a sua aspiração a certa posição social. O próprio enquadramento em plano americano, revela um certo distanciamento e porte do homem retratado.

É interessante observarmos como o fundo preto borrado de tons mais claros nos dá a sensação de que todo o ambiente está carregado com a fumaça proveniente do cigarro.

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Cinzas: A imagem mostra, assim como nos outros quadros do pintor, uma grande expressividade de sentimentos, sobretudo os negativos, como a dor, a angústia e a solidão. Nele, os dois personagens, ao levaram as mãos à cabeça, expressam sua reação de desespero possivelmente frente a um cenário de destruição. Evidente principalmente na mulher que tem seus cabelos bagunçados, olhar triste e com o vestido entreaberto, deixando aparecer uma peça vermelha por baixo. Esse é o primeiro elemento a ser percebido no quadro, principalmente devido ao contraste entre seu vestido branco e sua coloração de pele e cabelos mais vívida em contrapartida com a pouca luminosidade do resto da composição.

O homem que está no foco de interesse inferior-esquerdo, com vestes negras e de costas para o resto da cena, é percebido depois da mulher, que está de pé mais a direita na cena, próxima a ele e com parte de seus cabelos esvoaçados sobre ele.

É difícil tirarmos conclusões sobre o que está acontecendo. Por que eles estão naquela situação? Por que a mulher está com o vestido desabotoado e com os cabelos esvoaçados?

A única certeza que temos é a transmitida pelos sentimentos expressados pelos personagens.



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A dança da vida: Representa o transcorrer de uma vida. O quadro deve ser lido da esquerda para a direita: é nessa direção que a vida da personagem transcorre.

No terço esquerdo da imagem, vemos uma moça com expressão e gestos joviais, transmite uma certa dinamicidade - seu vestido branco com detalhes amarelos transmite as características de pureza, jovialidade, alegria e bondade.

Toda a parte central da imagem é tomada por casais dançando. Entre casais que rodopiam alegremente, se destaca no centro um casal que se entreolha serenamente, de mãos dadas. O vertido da mulher é vermelho, o que representa a paixão, o amor e os sentimentos intensos.

No terço direito se encontre uma senhora com uma expressão triste e de mãos unidas, parece estática. Percebemos que em seu entorno o verde do chão se torna mais escuro. Seu vestido preto transmite os sentimentos de tristeza, resignação e morte.

Deduzimos então, que as três mulheres são a mesma em momentos diferentes de sua vida.


Referência:

Imagens de Referência


Autor: Hugo Duarte Cacique


[editar] Síntese

Observação: O pintor retrata pessoas em momentos de dor, angústia, sofrimento. Pinta a morte, a doença, a perda, o medo, o desespero. Observar suas obras traz um sentimento estranho de tristeza e dó, nos faz pensar na negatividade da vida e nos colocar no lugar dos personagens. Mesmo assim a estética de suas obras são lindas, as técnicas de pintura chegam a variar um pouco, mas a despeito do tema, ficamos maravilhados com a beleza e genialidade de suas obras. O detalhamento não é tão grande, apenas os elementos essenciais são retratados e destacados.

Enquadramento: Os planos de enquadramento variam, mas com certeza há a predominância do plano geral, de conjunto e americano.

Composição: A composição de terços é respeitada mas nem sempre, a maioria de suas pinturas são retratos de pessoas que são as vezes centralizadas.

Cor: As cores são fortes, não trazem a sensação de alegria, mas sim o contrário. São mais escuras, pesadas, densas, com grande contraste que serve não só para diferenciar os objetos mas para evidenciá-los também.

Luz: Sua luz é um pouco escassa na maioria dos quadros, mas ainda assim é pesada e visa complementar a sensação já objetivada no tema. A keylight geralmente é dura, a filllight bem escassa e a backlight nem sempre utilizada, ou apenas suavemente.

Link interessante: http://www.munch.museum.no/

Stephanie Stamm Biglia

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