Movimento
Autor: Raoni Pilger Nicolai
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[editar] Movimento
[editar] Definições de Movimento
A ciência Física moderna que estuda o movimento é a Mecânica. Nela há 3 subdivisões: A Cinemática (do grego kinema, movimento) que abstraí as causas do movimento e preocupa-se apenas com a descrição do movimento; a Dinâmica (do grego dynamis, força) preocupada em compreender as causas do movimento, as forças que iniciam ou cessam o movimento dos corpos; e existe ainda a Estática (do grego statikos, ficar parado) que estuda o não-movimento, os corpos parados.
Os estudos de movimento até suas conceituações newtonianas modernas, passaram por várias concepções e definições. Desde a filosofia clássica grega, onde para Aristóteles o movimento dos corpos celestes existiam graças a uma força divina maior que os guiava, até os experimentos de Galileu sobre queda livre, pêndulos, planos inclinados; Muitos dos quais responsáveis para a elaboração das 3 leis de Newton e a conceituação moderna que diz:
Movimento é a variação de posição espacial de um corpo ou ponto material relativo a um ponto referencial no decorrer de um intervalo de tempo.
[editar] Por que movimento é importante?
Imagine um mundo onde não há movimento sob nenhuma instância, em nenhuma direção. Sem dúvida você não imaginou nada! Talvez uma cena estática, uma foto. Entretanto é impossível imaginar a ideia de um mundo sob tais circunstâncias, pois o movimento é a vida, ele faz a vida. Ele é a prova de que existe o tempo, e até mesmo o espaço. Ele é o caos e a ação, ordenado ou não. Sem ele não haveria nenhuma forma de deslocamento. Tudo seria eternamente imutável e perene.
Claro, essa situação é escatógica. O mundo existe, ele se movimenta, nós nos movimentamos, e tudo se movimenta em relação a algum referencial. E para tanto a inércia total, a completa ausência de movimento pode ser muito útil e até mesmo necessária para muitas finalidades. Como em uma foto de um "tira-teima" de uma partida de futebol, ou na captação sutil de um mili-instante de uma ação da natureza, rápida demais para que nossos olhos possam enxergar.
Assim sendo, sem dúvida admitimos a importância de imagens completamente estáticas. Entretanto temos que admitir que o universo é feito de ininterruptos movimentos em todas as direções por diferentes razões e forças; assim, imaginar o design, a arte, completamente estáticos e ausente de total movimento só poderia resultar em imagens e situações inverossímeis. Para tanto, o movimento no design surge para dar o toque de realidade e de ação de que muitas imagens necessitam e das quais sem ela não seria nada além de um instante perdido no tempo e no espaço.
[editar] O movimento para atrair e direcionar a atenção.
Se estamos caminhando despreocupadamente em uma rua, perdidos em nossos pensamentos, com o olhar fixo em algum ponto indiferente, e em certo momento uma bola de futebol simplesmente corta a nossa direção ou simplesmente risca o céu em nosso alcance visual, instintivamente somos acordados de nosso transe mental e por reflexo acompanhamos o objeto voador, e em seguida inevitavelmente procuramos a fonte, a direção do qual tal objeto veio.
Errado estará aquele que julgar que tais ações são meras ações de um reflexo humano. Desviar do objeto talvez o seja, mas não buscar no instante seguinte o ponto de partida do objeto. O movimento é instigante, inevitavelmente ele atrai a nossa atenção, entender o porquê de um movimento e sua fonte faz parte da compreensão e curiosidade do ser humano. Pois todo movimento conta uma história, todo movimento tem um porquê e um para quê.
O uso de imagens em movimento surge no design como uma ferramenta para direcionar a atenção do visualizador, uma forma de instigá-lo e mesmo explicar qual história está sendo contada em tal imagem e também para que. Da mesma forma que a bola errante nos obriga primeiro olhar para ela, depois para o seu sentido, seu destino, e por final para sua origem, uma peça de design bem realizada também fará com que o seu visualizador direcione sua atenção primeiro para o começo, depois para o meio e finalmente para o desfecho de uma história ali contada. Se tal história não for contada e lida pelos seus elementos visuais tal como planejado, então a mensagem não será descodificada pela pessoa e assim seu objetivo terá se perdido.
Mas daí surge a pergunta: Como dar aparência de movimento a uma imagem estática? Como direcionar com sucesso a visão do leitor passo a passo através da história?
[editar] Como contar uma história com movimento.
Existem duas formas principais para chamar a atenção do seu leitor para determinadas direções e fazer com que este olhe os elementos em uma determinada ordem. A primeira é o movimento propriamente dito. Mas como simular o movimento?
[editar] Movimento propriamente dito
Uma fotografia não capta necessariamente um instante único. Na verdade para que uma fotografia capte um instante único o seu tempo de exposição teria que ser infinitamente rápido. O que ocorre na prática é que o obturador da câmera fica aberto um determinado intervalo de tempo específico e a fotografia resultante desse intervalo de tempo será a união de todos os instantes presentes nesse intervalo.
Assim sendo dependendo do intervalo de tempo da imagem e do movimento do objeto fotografado, e/ou mesmo da câmera, poderemos ter uma fotografia não estática, com movimento. Esse movimento será perceptível por meio de um borrão resultante na imagem denominado Motion Design. Esse borrão (ou blur em inglês) contará para nós qual movimento o objeto ou mesmo a câmera está deflagrando.
O cérebro humano entende esse borrão como movimento, pois o olho humano funciona de maneira semelhante através de um fenômeno denominado persistência da visão ou persistência retiniana, na qual imagens superiores a 16 frames por segundo associam-se na retina sem interrupção. O fato é uma ilusão provocada por um objeto que persiste na retina por uma fração de segundos após a sua percepção. Essa fração é o tempo no qual o olho demora para "esquecer" a imagem.
Então na criação de uma peça basta o designer simular tal movimento natural através de ferramentas de motion design já pré-estabelecidas em softwares de tratamento de imagem, ou até mesmo simular manualmente o borrão de movimento com ferramentas de blur.
[editar] Composição de imagem, movimento de imagem
A outra forma de se contar uma história através do movimento ocorre de maneira mais instintiva no ser humano, e não associado diretamente a ações da peça, mas sim a posição dos elementos da mesma.
Um ser humano sem disfunções psicossociais, como o autismo, ao ver uma foto de outro ser humano, ou mesmo animal, primeiro busca os olhos da pessoa, depois a boca e posteriormente olha os demais elementos da imagem. Isso ocorre como uma forma de reconhecimento instintivo, no qual o homem primeiro busca os elementos que mais lhe chame atenção e que a ele mais lhe trazem informações.
De forma análoga, ao visualizarmos uma página de web, por exemplo, primeiro buscamos a visualização do que permanece acima da página, inevitavelmente vemos e buscamos o título, de um artigo, uma matéria ou o banner de um site. Depois vamos abaixando os nossos olhos e vemos subtítulo, matéria e etc.
Nos casos padrões vemos primeiro o que está no canto superior esquerdo, em direção ao canto inferior direito. Porém em casos mais complexos ou com mais elementos de imagem, diferentes elementos em diferentes posições podem chamar nossa atenção fugindo da lógica de onde olhar e em que sequencia. Assim sendo podemos direcionar, movimentar, os olhos do leitor intencionalmente para diferentes elementos em determinada ordem planejada, contando assim uma história definida.
[editar] Movimento no Design
- Motion Desing (design gráfico animado) é uma subdivisão do design gráfico que usa os princípios de design gráfico para produzir técnicas de animação em um vídeo. É tipicamente vista em Topografia e em outros elementos gráficos tais como títulos, sequências de abertura em programas e demais efeitos visuais. Provavelmente a maior ferramenta para sua criação seja o software Adobe After Effects e o programa Motion da Apple. Além do Adobe Flash mais usado para Motion Design de web.
- Motion Blur (movimento borrado) é o borrão no objeto ou no fundo de uma imagem causada por rápidos movimentos ou por longos períodos de exposição.
Quando uma câmera capta uma imagem nem sempre ela capta apenas um único instante. Para finalidades estéticas ou limitações de equipamento uma câmera pode captar mais de um instante de um movimento em uma mesma imagem, assim a imagem final será a junção da totalidade desse movimento, resultando no motion blur, um manchado ou borrado na direção do movimento relativo, criando uma imagem na qual há um movimento presente.
O borrão do motion blur pode ocorrer tanto no objeto quanto no fundo, se no caso o movimento se faz presente no próprio equipamento de captura. O efeito de motion blur é usado no design em imagens estáticas para dar movimento pois o olho humano reconhece o borrão como movimento.
Em animação 2D ou 3D o motion blur tem um papel a parte. Pois sem o efeito de blur cada frame mostraria um instante de tempo exato como em uma câmera de obturador infinitamente rápido. Assim uma animação com taxa de 25-30 frames por segundo resulta em uma animação com aparente efeito escalonado, sem a mesma aparência suave e natural de um filme gravado na mesma taxa, pois no vídeo cada frame já terá um efeito natural de blur.
Entretanto nos dias de hoje já há recursos de simulação de blur naturais que tornam as animações de computador e jogos de última geração com um movimento mais "contínuo".
Aqui temos a impressão que a bola irá cair nas mãos da menina, entretanto a bola flutua pelo mecanismo do aparelho abaixo. Objetos acima nos dão a sensação que estão caindo, objetos à esquerda nos dão a sensação que vão para a direita e vice versa.