Monet
Claude Monet pode ser considerado um ótimo fotógrafo porque, em primeiro lugar, suas obras são expressão, geram sensações, reações, curiosidade, admiração, interesse, familiaridade, ou seja, as obras de Monet conseguem gerar empatia naqueles que entram em contato com suas criações. A familiaridade encontrada em suas obras está no aspecto de que Monet capta momentos do cotidiano de nossas vidas, ou seja, mostra as pessoas, os lugares e objetos da forma como eles realmente são, recortando uma fatia de seu dia. Esse recorte é feita de maneira especial, através de enquadramentos que possibilitam a captura de uma grande riqueza de detalhes. Isso pode ser verificado em suas obras nas quais são captadas grandes paisagens como jardins, campos, lagos e florestas (imagens da natureza). Nessas obras que contem principalmente grandes campos são utilizados enquadramentos de grande plano geral, o que acaba nos passando uma sensação de liberdade. Nessas obras deve-se destacar também a captação de movimento que o artista consegue fazer com perfeição, o que contribui para a "história" que essas obras podem contar. Outro aspecto que contribui para o movimento visto nas obras de Monet é a ausência de simetria. Por causa dessa assimetria as obras apresentam dinamismo, dessa forma eliminando o estático, o óbvio e o previsível. De uma forma geral, Monet "fotografa" ambientes externos e consegue nos transmitir a sensação de uma atmosfera leve, como se conseguíssemos respirar e sentir o ar e o vento que compõem suas obras.
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[editar] Análise dos quadros
[editar] O Terreno de Chailly
O grande plano geral utilizado nos permite ter uma grande visão do ambiente “fotografado”, dessa forma revelando as enormes dimensões das árvores e do caminho que a estrada indica. A partir do enquadramento adotado notamos a linha de horizonte localizada no terço inferior. Nos dois terços superiores encontramos as árvores e o céu, dessa forma notamos a importância dada a esses elementos, que formam linhas convergentes. Também podemos notar a assimetria da imagem, que nos proporciona dinamicidade. O artista conseguiu exprimir da fotografia uma grande noção de profundidade a partir do uso das linhas representadas pelas marcas do chão e o alinhamento das árvores, que juntas convergem em um ponto. Podemos notar que essas linhas (representando uma estrada) surgem da esquerda pra direita, revelando que a “jornada” está começando. Além das linhas encontradas no solo, pode-se notar um "caminho" traçado no céu a partir da continuidade das árvores, reforçando ainda mais o ponto de convergência. Essas linhas servem para apresentar uma direção, um objetivo, que parece ser o aspecto instigador da fotografia deixando a curiosidade sobre o destino desse traçado. Outro aspecto que ajuda a dar a forte noção de profundidade é a aparente desfocalização gradativa que ocorre em direção do ponto de convergência, fazendo com que esse ponto pareça estar muito distante da posição do "fotógrafo". Todos esses aspectos nos levam a “caminhar” na imagem em direção ao fim da estrada. Há também um cuidado com a luz, que se concentra nas regiões onde há céu aberto, e se mostra escassa nas regiões onde há grande concentração das árvores da floresta, revelando a grande densidade dessa floresta. No geral, as cores utilizadas são luminosas, com exceção das bases das árvores que ajudam a revelar a densidade da floresta. Cores escuras também foram utilizadas nas árvores que se concentram na região próxima ao ponto de convergência. A iluminação na floresta é muito pouca, devido à grande quantidade de árvores. Porém nas outras regiões vemos uma forte iluminação (proveniente do sol). Podemos até ver as sombras das árvores que estão no primeiro plano à direta (sombras bem marcadas no chão à direita das árvores). Apesar disso, não conseguimos ver nenhuma sombra projetada no chão das árvores posicionadas à esquerda da estradinha.
[editar] Montanhas de Estérel
O grande plano geral nos permite ver uma árvore e o solo sobre o qual ela repousa em primeiro plano, um vasto mar que se estende ocupando toda a linha de horizonte em segundo plano, e as montanhas e o céu que parecem a ocupar um mesmo plano (o último). A utilização desse grande plano geral revela o quanto vasto o ambiente é, dando uma enorme sensação de respiro e liberdade. Notamos que o céu ocupa os dois terços superiores da imagem, reforçando essa sensação de respiro dada pelo seu volume na imagem. Ainda nessa parte superior, vemos a árvore em primeiro plano que ocupa uma boa porção desses dois terços. Notamos que a partir do tronco retorcido da árvore, tem-se a sensação de que ela está em movimento, e pelo fato de ela ocupar o mesmo espaço que o céu, a árvore parece querer voar e se libertar. Devido a esse movimento da árvore, conseguimos também sentir o vento presente no ambiente. Além do movimento captado na árvore (caracterizado pela sua completa assimetria), notamos também a ondulação da água do mar, que repete a sensação de vento. Ao percorrermos o tronco da árvore , a imagem reforça que a árvore está fixa no solo. Solo este que apesar de ocupar uma pequena parcela da imagem possui uma grande importância. Esse aspecto dá a sensação de que a árvore não consegue “escapar”. As cores utilizadas no mar, nas montanhas e no céu dão a sensação de leveza. Além disso, essas cores revelam um contraste de temperatura quando comparadas às cores do solo. Dessa forma mostrando também um contraste de significados entre esses elementos: de um lado o mar, as montanhas e o céu, e de outro o chão, contrastando a liberdade com o pertencimento. Nesse quadro é difícil determinar onde está a fonte de luz, pois não vemos marcações de sombra. Pelo ambiente, a luz provém do sol, porém não podemos determinar exatamente sua posição. Pela cor azul do céu, o horário retratado deve ser de manhã não muito cedo ou próximo do meio dia.
[editar] Campo de tulipas, Holanda
Novamente vemos o grande plano geral, que mostra um grande campo de flores, um moinho de vento, uma casinha e o céu. O grande campo de flores ocupa o primeiro plano, apresentando grande importância. O moinho de vento e a casinha ocupam uma parte mais ao fundo. O céu ocupa todo o plano de fundo. Notamos que as flores estão divididas em blocos, e além disso estão alinhadas convergindo para um ponto. Essas linhas formadas a partir das flores dão uma grande sensação de movimento, que nos empurra até esse ponto de convergência. Outro aspecto que confirma esse movimento em direção ao ponto é o posicionamento do moinho e da casinha, que acompanha o movimento promovido pelas linhas das flores. No céu percebemos uma concentração maior de nuvens na linha do horizonte, principalmente no ponto de convergência, dessa forma reforçando o movimento, que passa até a nos fazer pensar que o moinho está girando. Merece destaque a grande riqueza em cores contendo tanto cores luminosas como escuras, quentes como claras. Notamos simultaneamente dois tipos de contraste: o contraste de luminosidade que vai do ponto de convergência (mais luminoso) até as extremidades inferior e direita da imagem, e o contraste de temperatura que vai do solo (mais quente) até o céu (mais frio). A iluminação provém do sol, que provavelmente está localizado na região esquerda da foto próximo ao ponto de convergência. Podemos ver isso devido à sombra marcada no moinho e na casinha (sombra marcada na direito desses elementos).
[editar] O pequeno lago de patos
Usou-se o grande plano geral, no qual vemos em primeiro plano um lago e alguns patos. No segundo plano vemos algumas árvores e uma pequena trilha, que nos leva ao plano de fundo onde há uma mulher, uma casa e o céu (que quase não aparece). O lago ocupa o terço inferior, no qual encontramos os patos que ocupam um foco de interesse. A partir desse foco seguimos uma diagonal da região inferior esquerda (onde os patos estão) até a região superior direita (onde há a mulher e a casa, representando outro foco de interesse). O artista conseguiu captar o movimento da situação através das ondulações provocadas na superfície da água provocada pela movimentação dos patos que entram no lago. As linhas provocadas pelas ondulações, além de darem a noção de movimento, servem também para concentrar nossa atenção nos patos. Essas linhas de ondulação ainda parecem continuar na terra no centro da "fotografia", nos levando a tomar mais um "caminho" em direção à casa no fundo da imagem. Esse "caminho" é fortemente determinado pelo posicionamento da vegetação ao seu redor, formando um corredor em direção à casa. Outro aspecto que dá destaque à casa é a concentração de cor muito luminosa aplicada sobre ela, em contraste com a sombra causada pela vegetação. Esse aspecto das cores nos faz notar a mulher na frente da casa. Devido ao grande volume de detalhes, das ondas do lago, da vegetação, do emprego das cores predominantes, temos uma sensação de sufoco. Esse sufoco só é aliviado com o céu e casa no fundo. A luz vem do sol, que provavelmente está exatamente em cima (em torno do meio dia), pois não vemos sombras marcadas lateralmente.
[editar] Um passeio, uma mulher com o guarda-sol
Foi utilizado o plano geral, no qual podemos ver no primeiro plano um mato, sobre o qual está uma mulher e uma criança. No fundo vemos o céu repleto de nuvens. Notamos o solo (mato) ocupando o terço inferior, e notamos o menino ocupando o foco inferior esquerdo. Próximo ao menino, na grama, vemos a sombra da mulher, essa sombra nos leva até a saia do vestido, e conseqüentemente até o rosto da mulher e a sombrinha. Monet consegue dar destaque à mulher através da presença da luz no resto da imagem e não sobre ela. Ou seja, ao contrário do comumente concentrar a luz sobre o ponto de destaque, nessa imagem vemos o contrário. A Mulher é destacada pela sombra projetada sobre seu corpo e sobre o chão, em contraste com a forte claridade existente no fundo da imagem. Há também a sensação do posicionamento da "câmera" mais próxima do chão, pois nós enxergamos a mulher olhando pra cima. Esse aspecto é reforçado pelo olhar da mulher e o posicionamento de sua cabeça que parece olhar pra baixo. Dessa forma há uma sensação de superioridade da mulher. Essa sensação de superioridade é reforçada pela presença de um pequeno menino ao lado da mulher, que nos permite uma comparação de tamanho, ressaltando ainda mais o ar de superioridade da mulher. Essa relação de grandeza ainda nos permite interpretar que nessa imagem estão mãe e filho. Há a sensação de esteja ventando na situação da imagem evidenciada pelas linhas no vestido da mulher e pela disposição das flores que parecem estar balançando. A dispersão das nuvens contribui para esse mesmo efeito. Esse vento, junto com as cores frias do céu, dão a sensação de frescor. Podemos ver que a iluminação provém do sol, principalmente por ser um ambiente externo. Notamos que a luz é forte e não difusa, pois vemos a sombra bem marcada e projetada na frente da mulher, o que nos leva a imaginar que a luz provém de uma região superior e atrás dela. Devido a essa luz, toda a parte frontal fica com sombra, pouca iluminada, também por causa do guarda-sol. Podemos ver a luz marcando bem as costas da mulher, funcionando como back light.
[editar] O Desfiladeiro
Esta pintura pode ser considerada uma boa fotografia, principalmente, pela noção de iluminação denotada através do jogo de cores presente no céu e no mar apresentados. A claridade, que esvaece no sentido esquerda-direita, concentra o olhar no composto dos elementos da "silhueta da rocha" e do "sol poente", ainda podendo determinar uma linha vertical (que passa pelo orifício da rocha) divisora do claro (lado direito) e do escuro (lado esquerdo). A longa sombra projetada pela rocha no lado esquerdo no mar denota o afastamento da luz, "a hora do sol poente", ao passo que mostra a aproximação da rocha à posição do fotógrafo/pintor. A composição da imagem em três planos - o primeiro sendo o horizonte com o sol poente, o segundo a rocha, e o terceiro o mar ante-rocha - também ajuda a determinar a profundidade da imagem.
[editar] O Passeio pelo penhasco
Esta pintura pode ser considerada como uma boa fotografia, primeiramente, devido ao enquadramento utilizado, que proporciona o mesmo destaque tanto para o continente como para o céu e o mar, tendo isto através de uma linha que encaixa o primeiro plano (continente com duas pessoas) ao plano de fundo (o azul do céu e do mar). A iluminação contribui para a noção de profundidade dos elementos da imagem, o que termina por revelar uma sensação de movimento, de "uma brisa à beira do mar", principalmente quando se observa o posicionamento das duas pessoas no centro da imagem. A disposição dos elementos (barcos ao fundo, linha do horizonte, duas pessoas, pico do penhasco) determinam claramente um centro de interesse na área central da imagem, facilitando, assim, a leitura da pintura.
[editar] Perfil das pinturas de Monet
O principal traço das temáticas “fotografadas” por Monet é a captação da natureza, não apenas geográfica (como campos, árvores, mares, montanhas, etc.), mas também a natureza das pessoas. Nas obras relacionadas às pessoas, como na série de quadros das mulheres de guarda-sol, Monet utiliza o plano de conjunto, dando total destaque à mulher. Nota-se sempre uma leveza nas pessoas pintadas pelo artista.
Sobre as obras que exibem a natureza ambiental, podemos dar importante destaque aos grandes campos de flores, que compõem grande parte da obra de Monet. Nessas pinturas há o uso de enquadramentos que conseguem captar a magnitude dos ambientes pintados.
Notamos como traço importante das pinturas de Monet o expoente maior de Impressionismo: a sugestão, a impressão. As imagens pintadas por ele não são completamente nítidas e definidas, vemos realmente impressões de coisas e essa é o principal mérito do pintor. A sugestão dos campos que, apesar de ser sugestão, se mostra claro em nossa visão, de uma forma natural e leve.
A principal luz utilizada pelo pintor é a luz do sol.
Daniel Seidi Kano e Rafael Lavor