Milton Roberto Achel Junior
[editar] A Internet e o mundo pós-moderno
Sejam sociais, econômicas ou tecnológicas, fato é que as transformações ocorridas no último quartel do século 20 modificaram e modelaram sensivelmente o modo como vivemos e nos relacionamos. No esteio de tais mudanças, aquilo que conhecíamos como modernidade deu lugar a uma nova realidade que, acima de tudo, não possui forma fixa.
Vista por alguns como fruto de uma ruptura profunda e por outros apenas como um aprofundamento de certos paradigmas já existentes, a pós-modernidade está, sem dúvida nenhuma, intimamente relacionada com as questões da fragmentação, da fluidez e da relatividade.
A sociedade contemporânea se apresenta e se constitui a cada dia mais como uma rede complexa, dinâmica e altamente mutável, o indivíduo singular encontra-se em meio a um contexto onde as informações, os valores e até mesmo os costumes mais profundamente arraigados passam a ser transitórios e múltiplos. Em nosso tempo a frase de Karl Marx em seu Manifesto Comunista perde a sua validade, ao comentar as transformações sociais e econômicas ocorridas após as revoluções burguesa e industrial Marx afirma: Tudo o que é sólido desfaz-se no ar. Hoje podemos afirmar que muito pouco chega a se tornar sólido e quase tudo se desfaz no ar. A velocidade, a relatividade e a pluralidade caracterizam nossos dias, Zygmunt Bauman caracteriza este tempo como uma modernidade líquida, onde se pode sentir e tocar, mas não se pode pegar.
O mundo digital e particularmente a internet encarnam e constituem ao mesmo tempo a situação pós-moderna. A conexão, a velocidade e a multiplicidade de vozes determinam a linguagem e o discurso, a interatividade e a participação ditam o rumo das inovações tecnológicas e a busca por novas sensações e experiências cria um ambiente onde a novidade torna-se ultrapassada rapidamente.
A internet permite ao seu usuário conectar-se a um mundo de informações transitórias, blogs, fóruns e sites de relacionamentos criam ambientes virtuais onde cada indivíduos se constitui como receptor e como fonte da informação. A rede não é hierárquica, não tem começo e não tem fim, todos se encontram horizontalizados em um ambiente livre e verdadeiramente democrático. Um conhecimento que a primeira vista parece fruto da desordem é construído de forma colaborativa, a fragmentação colabora para que a absorção da informação seja direcionada e objetiva. Não se busca definir, na pós-modernidade definições limitam, busca referenciar-se.
A internet possibilita ao indivíduo apresentar-se aos outros com múltiplas identidades, um gamer japonês transforma-se em um mago, uma nova iorquina ganha asas no Second Life, um jovem da periferia de São Paulo estabelece uma rede de amigos no Orkut através de um centro comunitário de internet. Cada pessoa escolhe ser o que quiser, não existem mais barreiras de nascimento ou de classe social, no mundo virtual as identidades são construídas de acordo com a vontade de quem deseja se conectar.
A fluidez da internet possibilita que a troca de informações e conteúdos aconteça de forma rápida e simples, através de MSN, tags, SMS e e-mail a informação torna-se imaterial, liberta-se de uma forma fixa, podendo ser visualizada em Pc’c, laptops e celulares. As novas formas de catalogar as informações transformam a maneira pela qual a informação pode ser acessada, sites como o Google, Flickr e del.icio.us contribuem para que a informação chegue ao seu receptor da maneira que este desejar.
Um mundo novo, assim é o mundo digital e a internet, a ligações com o mundo real podem ser fortes ou não, isto é relativo a quem está linkado com quem. O conteúdo é construído com a colaboração de todos e todos têm o livre acesso a este conteúdo, Wikipédia e Youtube permitem que cada usuário torne-se sujeito construtor da informação.
O mundo pós-moderno é um mundo em transformação, é o mundo da fluidez e da fragmentação, é o lugar do relativo e do momentâneo. Este é o tempo dos PDA’s, MMORPGs, dos metaversos, dos Mp3/4/5 players, é o tempo onde basta “dar um googada” para se encontrar o que se precisa, seja conhecimento, imagem ou a mais recente novidade no mundo dos games. Este é o tempo onde a mudança não causa espanto, mas o imobilismo sim. Este é o tempo da internet, este é o tempo pós-moderno.
Milton Achel--201.83.172.101 06:19, 10 Setembro 2007 (PDT)
[editar] Menu Gastronômico Interativo de mesa
Interfaces usadas:
- Interface de toque
- Comando de voz
- Interface conversacional
Uma ferramenta que se coloca entre o indivíduo e a máquina e que permite o acesso, a monitoração, a tradução e o controle de um sistema de dados. Tendo como base esta definição de interface podemos entender melhor como um conglomerado de dados pode se tornar um instrumento cotidiano e de extrema importância. Em nosso dia a dia estamos rodeados de interfaces e dependemos muito delas para que o ritmo de nossa sociedade possa ser melhorado.
A partir destes pressupostos e dos tipos de interface disponíveis é possível a criação de uma mesa com menu interativo. Localizada em restaurantes, esta mesa seria de madeira e contaria com dispositivos acoplados em suas laterais que possibilitariam a cada cliente do restaurante fazer seus pedidos diretamente com a cozinha, após o preparo da refeição seria entregue nas mesas pelo garçom.
Os dispositivos consistiriam em pequenas telas em LCD, sensíveis ao toque, que a partir do histórico de cada cliente “palpitariam” na escolha das refeições, levando em consideração além do histórico as variáveis horário e clima. Através de uma interface conversacional e de um sistema operacional este pequeno computador de mesa identificaria com o cliente quais são suas preferências e as combinaria da melhor maneira possível com noções pré-programadas, levando em consideração alimentos ricos em colesterol, gordura trans e outros elementos que podem ser prejuduciais à saúde. Ao final das refeições o pagamento poderia ser feito através de cartões de crédito e débito, a operação seria processada no próprio aparelho.
Milton Achel--201.83.172.101 12:08, 10 Setembro 2007 (PDT)
[editar] O Manifesto Cluetrain e o mundo corporativo
Nascido a partir das 95 teses postuladas pelos americanos Christopher Locke, Rick Levine, Doc Searls e David Weinberger, o The cluetrain manifesto foi publicado em abril de 1999 trata da obsoleta linguagem ainda utilizada por grande parte das empresas em suas ações de comunicação e marketing. Este manifesto, apesar de ter sido pensado e escrito em 1999, trata diretamente de temas que tocam nosso cotidiano hoje, oito anos após sua publicação. Buscando dar um novo tom digital a economia em geral o Cluetrain afirma o fim do mundo dos negócios como o conhecemos e propaga a idéia de um mercado aberto, onde o fluxo de conhecimento e informação proporcionado pela internet passa a modelar o mercado.
As 95 teses do The cluetrain manifesto podem ser interpretadas com uma referencia direta as também 95 teses de Martinho Lutero que deram origem a Reforma Protestante, assim como Lutero os escritores deste manifesto contrapõe uma estrutura antiga, hierárquica e dogmática a uma nova estrutura mais livre e individual. Através da internet uma conversação global livre toma o lugar da relação simples de produtor e consumidor, as novas mídias passam a traçar as novas estruturas do mercado e, neste contexto, o atualíssimo o The cluetrain manifesto procura despertar e reformar o pensamento corporativo.
Tema de diversas palestras, cursos e programas de pós-graduação, o mundo corporativo é hoje um dos elementos centrais em nossa sociedade. Especialistas no tema e livros de auto-ajuda proliferam-se como coelhos e a cada dia pessoas e mais pessoas sonham em trabalhar em uma grande empresa, que lhes dê segurança e retorno financeiro. Porém, o mundo corporativo é um mundo moderno, com hierarquias, regras, procedimentos e uma extensa burocracia, enquanto nós, que muitas vezes ansiamos por pertencer a este mundo, vivemos em uma realidade que já rompeu com tais paradigmas, o nosso mundo é um lugar livre onde conceitos e tradições são remixados e combinados, onde colaborar é essencial e as experiências digitais tornam-se cada vez mais ricas e reais. Por sua vez, o mundo corporativo é, na maioria das vezes, um lugar de rotina, onde a criação e a participação do indivíduo se restringe a apenas cumprir sua função, sua meta.
É contra isso também que o manifesto cluetrain procura posicionar-se, a rotina mata a conversação, a conversação é o cerne do mercado, uma empresa corre perigo quando a conversação esta morta, seja ela interna ou com seus consumidores. O mundo do pós-moderno e da Web 2.0 é um mundo de redes e conversações, onde a tecnologia torna-se transparente e imaterial, a empresa que não se adequar a esta nova realidade poderá ser extinta.
No princípio do século 20, o sociólogo alemão Max Weber argumentou que a burocratização era uma tendência mundial e que, mais dia ou menos dia, a maioria das esferas de nossas vidas seriam atingidas por ela. O mundo corporativo é o mundo da burocracia, mas para os criadores do Cluetrain esta burocracia pode ser transformada:
48 - Quando intranets corporativas não são limitadas pelo medo e regras, o tipo de conversação que elas encorajam parecem como conversações de mercados em rede.
As intranets podem ser um canal de renovação dentro das empresas, mas somente se elas forem capazes de fomentar a discussão e a conversação dentro destas, tornando-as organismos vivos, um local onde trabalhadores passa a ser colaboradores. Porém, caso a intranet seja fixa, rígida e apenas reproduza a estrutura real dentro de um sistema online o efeito será nulo.
49 - Os organogramas funcionaram em uma economia velha onde os planos podiam ser completamente entendidos desde o topo das empinadas pirâmides administrativas e se podiam passar ordens detalhadas desde o topo.
50 - Hoje, o organograma é hiperlinkado, não hierárquico. O respeito por conhecimento prático ganha sobre o respeito por autoridade abstrata.
Toda a empresa busca de alguma forma motivar seus funcionários, seja através de um plano de metas, de carreira ou de uma visão comum. Estas antigas formas de motivação já não produzem tantos resultados em um contexto onde a participação e o reconhecimento se tornam os carros chefes da satisfação. Os organogramas piramidais já não fazem mais sentido, ao sair de sua empresa cada funcionário depara-se com uma realidade horizontal e o mundo do trabalho torna-se tedioso e extremamente hierarquizado. Para o manifesto Cluetrain está realidade corporativa e ela entra em choque com uma nova realidade caracterizada pela conversação e pela comunicação em rede, o organograma deve-se tornar mais horizontal, mais recheado de conexões, mais hiperlinkado.
51 - Os estilos de gerenciamento "comandar-e-controlar" derivam e reforçam a burocracia, as lutas de poder e toda a cultura da paranóia.
Por outro lado a velha estrutura corporativa mata a empresa, reforçando a burocracia, que não tem outra função senão a de executar tarefas mecânicas. O configuração atual de nossa sociedade, permeada por tecnologias digitas, pela fragmentação e pelos fluxos informacionais cada vez mais rápidos e constantes não permitira a existência de grandes empresas que ainda atuam nos moldes antigos. A chamada construção colaborativa deve ser absorvida pela empresas, cada funcionário deve ser visto como um colaborador que tem como dever propor mecanismos e idéias que venham otimizar seu rendimento e contribuir para que sua empresa seja um organismo são e em pleno funcionamento.
Dentro destas características enquadra-se a empresa mais valorizada no mundo atualmente, a Google conta com uma extensa rede de funcionários que atuam como colaboradores, fazem inserções e criam a partir de idéias próprias. A rede de relacionamento Orkut é fruto de um projeto de faculdade que só se tornou realidade pois a Google permitiu que o seu funcionário, Orkut Büyükkokten, pudesse se utilizar de toda a infra-estrutura da empresa para desenvolver sua idéia.
Milton Achel--201.83.172.101 09:54, 10 Setembro 2007 (PDT)