Ligia Temis Goncalves


				

				

Tabela de conteúdo

[editar] Tarefa 1: bom e mau design

[editar] Bom design

Exemplo 1: ação em pias de banheiro de bares e baladas em São Paulo (uma das execuções da campanha "UGGO NÃO", para a marca Smirnoff Red).

[1]

É uma peça que atende completamente o objetivo principal da campanha (promover o uso consciente da vodca, sem exageros que acabem gerando vômito e mal-estar), na medida em que além de se comunicar com o target no contexto preciso do mal uso do produto - o banheiro - consegue dar um conselho careta sem ser careta. A forma é inusitada, surpreendente e interativa (a mensagem complementar que incentiva a ingestão de água se completa quando a torneira é aberta pelo indivíduo) - coerentemente alinhada com o posicionamento da marca (Smirnoff Red é descolada, divertida, jovem, despretensiosa, e assina “puras possibilidades”). Tendo em vista que cumpre sua função de forma inovadora, e sobretudo conectada com o target e a sua relação prévia com a marca, torna-se uma peça com um design muito feliz.

Exemplo 2: ação publicitária em monumentos públicos e nas principais vias de Berlim (encomendada pelo Federal Ministry Of Education And Research para divulgação do Year Of The Humanities 2007)

[2]

Desde o ano 2000, foi criado na Europa o Science Year, cujas temáticas desde o início vinham focando apenas as ciências exatas e biológicas. Em Agosto de 2007, quando eu “mochilei” pela Europa, me chamou muito a atenção uma série de letras brancas, enormes, como se tivessem sido pichadas nos monumentos mais bem guardados de Berlim – aqueles que você mal consegue chegar perto sem um guarda te olhar feio, quanto mais pichar. Eram, na verdade, colagens, uma encomenda do governo para uma agência publicitária, com a função muito clara de (1) chamar a atenção das pessoas para a inovação na temática do Science Year daquele ano - “The Humanities: the ABC's of Humankind”, e (2) fazer o sujeito refletir sobre a importância de pensar na linguagem (no ABC) como o que sustenta e une as ciências humanas.

Considero uma expressão singular de design, na medida em que é uma forma muito inovadora e surpreendente de solucionar um problema de comunicação para uma cidade inteira e quem mais estivesse ali, e de fazer o sujeito interagir com uma idéia (quando você muda sua perspectiva física, ali na rua, para apreender aquela letra enorme, e depois para entender do que se trata, você literalmente internalizou uma das discussões da própria temática do Science Year – a capacidade das letras, da linguagem, influenciarem nossas relações e a percepção humana das coisas).

[editar] Mau design

Exemplo 1: embalagem de produto na categoria coloração de cabelos (popularmente conhecidos como “tinturas”. Neste exemplo, máscara nutricolor Garnier Nutrisse)

[3] Como se trata de uma tintura, a informação mais básica que deveria estar comunicada ali aparece de uma forma nebulosa e pouco precisa: que tipo de modificação de cor o produto consegue exercer no cabelo, de acordo com a tonalidade atual. Existe uma tentativa bem tímida, na lateral da embalagem, de fazer simulações de possibilidades de tonalidades, mas o que fica destacado na parte frontal da embalagem é sempre o rosto e o cabelo de uma mulher qualquer (mais ou menos famosa), com um “nome” de tonalidade que não significa muita coisa para pessoas comuns (“castanho cendré acajou”). Trata-se de uma peça que comunica com muitos ruídos, e portanto deixa de cumprir uma das funções mais importantes do design. Além disso, numa categoria completamente saturada de produtos similares, a embalagem (com um bom design) deveria atuar como um sinalizador de diferenciação – ao contrário, neste caso acaba atuando como um agente nivelador, já que todas as marcas da categoria seguem a mesma fórmula (mulher em destaque + “nome” e número da tonalidade).

Exemplo 2: anúncio impresso da concessionária Minas Car, em crossing com a campanha “Escute seu Corpo” para o lançamento do Peugeot 207

[4]

A concessionária pretende comunicar que ela é atualizada e dispõe de toda a nova linha de carros 2009 da Peugeot. Para isso, ela põe em destaque o mais recente lançamento da marca, o Peugeot 207. Porém, sabendo que o contexto desse lançamento no Brasil foi cercado de grande expectativa e cobertura pela mídia, e que na verdade se trata de uma reformulação no Peugeot 206 - nacional - a partir das principais queixas dos consumidores (com uma campanha focada em sensações), o anúncio da Minas Car se torna um exemplo de mau design, na medida em que acaba prestando um desfavor à própria concessionária e seu objetivo inicial de comunicação: (1) enfraquece a força do lançamento ao colocar, junto com o novo carro (inédito) uma série de outros modelos 206 – esses, sim, nova geração; (2) gera uma percepção de que a concessionária não está tão bem informada; (3) além disso, traz para a peça o conceito da campanha em questão (“Escute seu Corpo”), porém completamente dissociado da mesma (“Escute seu corpo, Peugeot é na Minas Car”).

[editar] Tarefa 2: exemplos de conceitos em design

[editar] Harmonia (conceito selecionado)

Exemplo 1: grupo de bailarinas – “O Lago dos Cisnes”

[5]

Nesta imagem, cada bailarina executa um movimento diferente com os braços e com o tronco, ainda que perfiladas e coreografadas da mesma maneira nesse momento preciso da música, em que a foto foi tirada. Cada uma dessas bailarinas, com seus respectivos movimentos singulares, podem ser lidas como elementos diferentes dessa imagem, que se combinam sem que um prejudique a exposição do outro – pelo contrário, reunidas elas dão origem a uma cena completamente harmônica, com uma combinação interessante entre os diferentes planos da foto. A presença de uma série de cores frias reunidas (azul, violeta…) também contrui para essa sensação.

Exemplo 2: cidade no México – “Pueblo Chico”

[6]

Nesta imagem, a presença de diferentes sequências de elementos é condição primeira para seu caráter bastante harmônico: do lado esquerdo, a série de casinhas e postes enfileirados, sem fim; do lado direito, a sequência tanto de carros como de árvores e galhos retorcidos. Juntas, essas sequências não se canibalizam, e sim compõe uma cena muito interessante e emocional, de terra arrasada, solitária e parada no tempo, que apenas um motoqueiro desavisado vem quebrar. Além disso, contribui para a harmonia da foto o trabalho de combinação de diferentes planos (o primeiro carro destacado; o motoqueiro que surge de repente, com uma criança na garupa), e a presença de pontos de luz estrategicamente posicionados dentro desses planos (a lua; o farol traseiro da moto; a luz acesa dentro do casarão; o fusca metalizado).

--Ligia Temis 05h41min de 8 de Março de 2009 (UTC)





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