Legibilidade
Por Paula Rocha
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[editar] Introdução: Definindo a legibilidade
É definida como a facilidade e precisão com a qual o leitor percebe os textos . De início, é importante esclarecer a diferença entre este termo e leiturabilidade, que são facilmente confundidos: o primeiro está relacionado à percepção visual do texto, enquanto o segundo, à compreensão intelectual do mesmo.
Neste capítulo procura-se esclarecer alguns dos critérios fundamentais para o entendimento do conceito de legibilidade, para que sua aplicação se torne mais fácil.
[editar] Variáveis
A legibilidade é uma grandeza traduzível em números. Por este motivo, existem vários testes para medir certos fatores que a influenciam, como a velocidade de leitura, a compreensão (retenção de conteúdos), o movimento ocular e ainda outros parâmetros e critérios. São múltiplas as variáveis que afetam a legibilidade, o que dificulta a determinação de um conjunto de regras de rápida e segura aplicação. Entretanto, há alguns critérios básicos que ajudam a compor com alguma segurança um texto legível.
Aspectos Macro-Tipográficos
Parâmetros como o tamanho da página, a cor, a textura e o brilho do papel, a mancha gráfica, o número de colunas, os espaços, considerados macro-tipográficos, afetam a leitura do texto tão fortemente como as características micro-tipográficas da fonte. Ou seja, é tão fácil compor uma página utilizando um tipo com boa legibilidade (como, por exemplo, uma romana como a Garamond), como é fácil, usando o mesmo tipo, criar uma página que apresente sérias dificuldades para o leitor. Fatores como a largura das colunas, o tamanho do tipo e os espaços entre as letras, palavras e linhas, têm enorme peso na legibilidade de um livro ou de qualquer material a ser lido.
Portanto, a disposição da página (a macro-tipografia) é um fator de primeira ordem, que merece ser discutido com mais calma e exclusividade em outro momento.
Aspectos Micro-Tipográficos
Por hora, no contexto de iniciação ao tema da tipografia, basta saber quais as variáveis micro-tipográficas que afetam a legibilidade, ou seja, aquilo que é intrínseco aos tipos e que influencia essa característica analisada. Então, o que faz uma fonte legível? Os pontos abaixo esclarecem melhor alguns parâmetros para a definição deste conceito:
A forma da letra
Tipografias com uma leitura simples, sem detalhes complexos são mais legíveis que as outras. Detalhes dificultam o processo de leitura, então o leitor acaba se atendo à forma do texto e não ao seu conteúdo
Tipos muito artísticos como estes dois primeiros apresentam este problema de forma extrema. Entretanto, é possível ser criativo sem perder a legibilidade, como mostra a terceira foto.
O peso
A discussão em torno do peso de um tipo está relacionada com o contexto ao redor dele. Por exemplo, se um tipo mais leve é usado em um texto muito grande, muito provavelmente ele ficará cansativo para ler, mas, pelo contrário, se o texto for curto, a leitura torna-se mais agradável.
O peso também traz uma mensagem ligada a ele: tipos mais leves remetem à características como leveza, suavidade, tranquilidade, enquanto tipos mais pesados dão a impressão de força, imponência e seriedade. Pensando nisso, muitas marcas fazem o seu redesign apenas mudando a sua fonte por uma mais pesada ou mais leve, como podemos ver abaixo:
O contraste
O contraste refere-se à diferença de espessura entre traços verticais e horizontais, à mudança de peso dentro do próprio caractere. Quanto maior essa diferença, maior é a dificuldade de leitura.
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No exemplo abaixo, um dos principais motivos da dificuldade de leitura é o contraste da fonte, que fica bem nítido na letra "e":
O eixo
Fontes que fogem do eixo vertical são piores em legibilidade, pois é mais difícil para o olho acompanhar esse desvio, como em uma letra inclinada, por exemplo.
Entretanto, a simples mudança no eixo pode dar um ar totalmente inovador a uma fonte:
Altura-X
A área entre a linha base e a altura contém a maioria das informações legíveis, sendo muito importante no momento da leitura do texto. Ascendentes e descendentes longas exigem uma altura pequena da fonte, o que a torna menos legível. A diferença pode ser notada entre Times New Roman e Eaves sra.
Entretanto, uma fonte com uma altura-X menor pode ser mais legível que a outra de altura-x maior, já que a legibilidade depende de diversos fatores. Isso ocorre nos exemplos abaixo, onde apesar de tudo a primeira fonta é mais legível que a segunda.
Espaçamento entre letras
Apesar de hoje este item poder ser facilmente alterado com os softwares de edição, ainda assim ele é importante para a definição de um tipo como originalmente legível ou não. O maior ou menor espaçamento vai depender da proposta do material a ser criado, mas o importante mesmo é que esse espaçamento seja regular.
Assim como os outros elementos da tipografia, o espaçamento entre letras pode passar uma mensagem através dele. Muitas vezes, uma fonte mais espaçada aparenta ser mais clássica, enquanto menos espaçada pode ser jovem, moderna, etc. A adequação disso vai depender do propósito da fonte. O redesign da marca Fanta, por exemplo, foi baseado neste aspecto: a fonte foi pouco alterada, enquanto seu espaçamento diminuiu bastante, tornando-a mais divertida.
[editar] Conclusão
É importante lembrar que esses são apenas os fatores principais que definem a legibilidade de um tipo, pois existem vários outros que também podem ser analisados.
Também é preciso que se tenha o cuidado de enxergar a legibilidade como uma característica, não como uma regra ou meta a ser atingida. Há várias criações que utilizam tipografia e que à medida em que vão ganhando personalidade e diferenciação, vão tornando-se menos legíveis, o que não é necessáriamente ruim dependendo do contexto e da finalidade da peça.
[editar] Glossário
Altura-x: É a altura das letras minúsculas de uma família tipográfica. Sua observação é importante para solucionar problemas de legibilidade no estágio projetual de um família tipográfica.
[editar] Referências
WILLIAMS, Robin. Design para quem não é designer: noções básicas e planejamento visual. São Paulo: Callis, 1995.
LUPTON, Ellen. Pensar com tipos.
www.wefunction.com




