Klimt
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[editar] Composição
[editar] Técnica e retórica
É comum em sua obra, quadros que demonstram uma pessoa em primeiro plano, com outras pessoas ou seres por detrás, ou ao redor, que observam o ator principal, como nas obras: Amor, Esperança I e A Pele de Doninha. (Lucas S. Cesar)
A história da pintura de Gustav Klimt passa pelas transições que ocorreram em sua história pessoal. Gustav, pitor austríaco que nasceu no subúrbio, frequentou cursos de arte e montou um ateliê junto de seu irmão. Somente depois da realização de uma pintura em um prédio famoso de Viena é que ganhou certa notoriedade e adentrou o cenário burguês.
Anos mais tarde formou um grupo chamado Sezession, este era formado por integrantes de diferentes áreas que eram contra a hostilidade, por parte dos conservadores, às novas propostas artísticas que brotavam na Europa.
A partir de início do século XX o simbolismo fica mais presente na obra do artista. Ele deixa a Sezession e cria o Grupo Klimt com mais dezenove artistas entre os quais Egon Schiele e Oskar Kokoschka, seguidores de Klimt. Klimt era apoiado pela avant-gard artística européia.
O simbolismo ou Art Nouveau representou uma arte de transição, do final do século XIX, da passagem da sociedade rural para a sociedade urbana e industrial. O individualismo, a irracionalidade e o materialismo começou a ser combatido pelo espírito em detrimento da materialidade. A busca do equilíbrio entre sentimento e razão conferem o caráter de alertar e questionar. O artista passa a ser mais livre, experimentando cores e linhas. A Art Nouveau encorajou os artistas a criarem uma linguagem própria e incentivou as renovações artísticas do século XX.
O reconhecimento do artista, apesar de nunca amplamente aceito em seu país, lhe proporcionou prosperidade ainda em vida, porém a vinda da Primeira Guerra e a morte de sua mãe abalaram o pintor. Isso se refletiu no seu trabalho, cujas paisagens passaram a ser mais monocromáticas. Depois de sair da Sezession sua arte passou a ser ainda mais intensa e pessoal por não mais ter que agradar a uma clientela específica. Ele era embalado pelas teorias de Freud e demonstrou ser um sensível interprete da alma feminina. As paisagens marcam o final de sua obra, comparadas à Van Gogh. Como Renoir, repousava pintando flores e paisagens.
A retórica predominante de Klimt é a reflexão sobre o comportamento humano, sendo que gostava de pintar com frequência os temas femininos e a eroticidade. Muitos viam em suas obras a influência da psicanálise,talvez a influência do erotismo fosse como uma fonte de idéias libertárias. Klimt tinha obsessão pela beleza feminina, captando-a em diversas circunstâncias.
(Bárbara M. de C. Lima)
[editar] Enquadramento
Klimt usa com frequência planos de corpo inteiro ou quase, como: plano geral, de conjunto, ou americano. Também usa bastante o plano médio. (Lucas S. Cesar)
Nesse famoso quadro de Klimt, O Beijo, observamos o uso do enquadramento de plano geral, já que há a visão de corpo inteiro dando destaque a duas pessoas em meio a uma paisagem não muito ampla, como no grande plano geral.
Percebe-se também que apesar do pintor dar evidência ao corpo inteiro dos amantes e à posição entrelaçada em que se encontram, é possível estabelecer o foco de atenção, que é o beijo do casal. Assim, com um enquadramento de plano geral, não centralizado, já que o elemento principal da foto não está no centro da tela,e não simétrico, evitando a obviedade, é possível percorrer os olhos por todo o quadro mas privilegiar o beijo, que é o elemento maisi mportante na imagem e sobre o qual acontece uma "história".
[editar] Tônica
Ainda sobre o quadro O Beijo, é possível exemplificar a predileção de Klimt pelo tema feminino e eroticidade.
Apesar da expressão pacífica e entregue da mulher entrelaçada em seu amante, o beijo é símbolo de união carnal e a beleza decorativa do quadro na verdade desvia do erotismo contido e condenado pela sociedade de Viena, já que Klimt muitas vezes fora acusado de pornográfico.
O contraste entre formas geométricas e escuras do homem, e florais e coloridas da mulher, representam bem o contraste dos sexos e a união como casal. Vemos um mosaico meio indefinido de formas sem uma separação nítida entre o homem e a mulher, talvez numa alusâo à fusão da figura femina e masculina.
O quadro como um todo reflete a escolha pelo tema do comportamento humano e a tônica amorosa, mais do que isso, um erotismo que não é agressivo e sim subentendido pela imagem. Há a demonstração da ´vida em momento íntimo, na qual o observador se torna cúmplice do comportamento dos personagens e ganha grande empatia pela cena.
(Bárbara M. de C. Lima)