Harmonia - livro
Fabiana Silvia Mimura de Melo
[editar] Harmonia
A Harmonia configura um importante princípio do Design. Uma maneira eficaz para se apreender o conceito é pensar nas relações que os diferentes elementos de uma obra mantêm entre si e com o todo. Uma composição, no entanto, não se torna harmônica através da monotonia ou da previsibilidade, mas sim, através de uma dosagem sensata de substâncias variadas e similares.
Dizer que uma imagem é harmônica significa dizer que ela traz um conjunto de elementos arranjados de forma tal que configurem uma visão agradável. Uma observação importante a ser feita é que, embora não exista exatamente um consenso entre os diversos autores, pode-se dizer que Harmonia relaciona-se fortemente com um outro conceito, denominado Unidade.
Com relação à problemática, alguns autores utilizam as duas palavras como sinônimas, isto é, tanto o termo harmonia quanto o termo unidade abrangeriam a relação que as partes mantêm entre si e, também, a percepção da composição como um todo integrado. Para outros, no entanto, trata-se de fundamentos distintos, e, ainda, para outros, os dois princípios seriam diferentes, mas manteriam certa relação entre si, isto é, um seria requisito para o outro; na harmonia haveria elementos combinando-se e, na unidade, elementos complementando-se.
Neste último caso, considerando a existência de uma relação entre os dois princípios, uma composição pode ser denominada harmônica quando todos os elementos presentes nela conversam entre si. Já a Unidade diria respeito à composição como um todo, isto é, ao sentido de unicidade que cada uma das partes e todas elas juntas conferem ao resultado final. Esta, segundo Pipes, poderia ser alcançada agrupando-se todos os elementos nas proporções certas e utilizando-se as regras de harmonia, repetição e variação, isto é, Unidade diria respeito à forma como cada um dos componentes contribuem para configurar um todo único, coerente, objetivo e harmônico.
Dessa forma, é importante observar que a ideia de que cada elemento da composição deve ser empregado a fim de obter-se coerência e compatibilidade encaixa-se bem em ambos as definições exibidas acima. O ponto de maior divergência conceitual seria a forma como este objetivo é alcançado: com elementos combinando-se na harmonia e com elementos complementando-se na unidade. Considerando-se que, segundo Ballinger (p. 29), formas e linhas similares e cores e texturas semelhantes são capazes de manter uma composição coerente e dar um sentido de “unidade” a mesma e, que, por outro lado, uma forma ou cor diferente que conceda variedade à composição também pode ocasionar a Unidade, podemos perceber que a forma de se alcançar ambos resultados é parecida, isto é, é realizada através da dosagem sensata e balanceada de elementos contrastantes e similares.
A seguir serão listadas algumas maneiras de se obter harmonia ou unidade (tanto no sentido de elementos que combinem quanto no sentido de elementos que complementem-se):
Unidade Temática
Semelhança
- formas
- cor
Na capa do livro de Guimarães Rosa está presente somente a cor verde, insaturada, combinando com os cinzas presentes no restante do layout.
Repetição
Continuação
As linhas presentes no fundo e no cabelo da mulher dirigem o olhar do espectador.
Continuidade
Proximidade
Além destas formas de se obter harmonia, é válido mostrar uma outra categorização, em parte semelhante à apresentada. Ela diz respeito, segundo alguns autores, à disposição formal no todo ou entre as partes de um todo organizada de forma clara, integrada e coerente, contribuindo para a simplificação da leitura (FILHO, p. 51).
Ainda de acordo com esta categorização, existem dois tipos de harmonia: por regularidade (esta ocorre quando há uniformidade dos elementos, presença de padrões e de relações ordenadas na composição) e por ordem (esta qualifica-se pela ausência de alterações ou de conflitos formais de padrão).
Harmonia (regularidade)
Analisando esta classificação, é possível notar semelhanças com aquela definição de harmonia mencionada anteriormente, principalmente na categoria ordem, onde os elementos agrupados em uma composição combinam-se entre si, sem que haja conflitos formais de padrão. A categoria regularidade, no entanto, onde a repetição de padrões é exaltada em detrimento do balanço de elementos variados e similares, contraria, em parte o conceito de harmonia abordado ao longo do texto.
Embora tenhamos abordado a problemática referente à nomenclatura, é primordial lembrar que aquilo que os termos significam e propõe é mais importante do que os seus nomes. Dessa forma, é válido atentar-se, em uma composição, tanto ao seu sentido de unidade quanto de harmonia, através da disposição de elementos que relacionem-se harmoniosamente e que tragam para o resultado final uma noção de unicidade e coerência.
[editar] REFERÊNCIAS
BALLINGER, L. Design: sources and resources
BEVLIN, M. Design Through Discovery
FILHO, J. G. Gestalt do Objeto. Sistema de leitura visual da forma. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?id=26AmgxXxNiwC&printsec=frontcover&dq=gestalt+do+objeto&hl=pt-BR&ei=Krb-TeWZIOjo0QGKtbjlAw&sa=X&oi=book_result&ct=book-preview-link&resnum=1&ved=0CDEQuwUwAA#v=onepage&q&f=false>
PIPES, A. Foundations of Art + Design
JOYSEMONTE Princípios de Design. Disponível em: <http://joysemonte.blogspot.com/2007/09/principios-de-design.html>
ROCHA, M. Princípios de Design Disponível em: <http://meiradarocha.jor.br/news/wp-content/uploads/2007/06/3_principios.pdf>