Estilos de design (modernista, etc)

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Fernando Carvalho Tabone

Tabela de conteúdo

[editar] Estilos de design que marcaram época

A pouco vimos alguns estilos de design que marcaram culturalmente alguns países ou regiões do mundo. Agora, veremos estilos de design que marcaram épocas. Destacaremos neste tópico estilos de produção que marcaram determinados períodos, trazendo exemplos de objetos, modos de impressão, cartazes, desenhos, tipografias, etc, que nos permitem identificar um determinado período na história.

Aliás, é importante deixar claro esta distinção de pensamento. Definimos aqui que é o próprio estilo de design que marca uma época, e não a época em si que marca o design. Por exemplo, não diremos que durante tal período foram produzidas estas ou aquelas obras de design, desejamos, na verdade, apontar algumas características e algumas peças que permitam a você, leitor, identificar um período por meio do estilo do design produzido.

Na lista a seguir, restringimo-nos apenas a destacar alguns períodos macros, não tentaremos falar de todos estilos que marcaram épocas pois isto seria conteúdo para um livro todo. Devido a abrangência desta publicação, destacaremos apenas os estilos de design mais essenciais oferecendo referências importantes de cada época. Focaremos em trazer exemplos do legado proporcionado por cada estilos e ao final do tópico deixaremos uma lista bibliográfica interessante que permite um aprofundamento maior no tema.

[editar] Design gráfico renascentista: muito além das limitações

As limitações tecnológicas dão o tom da época. Limitações que não impedem a criatividade artística e o desenvolvimento do design. O começo da época pode ser identificado a partir da invenção da impressão xilográfica,sobre a qual apareceram mestres no desenho que "ignoravam" os limites impostos pela tecnologia. A crianção à mão de iluminuras que decoravam os capítulos das escrituras sagradas é uma característica que evidencia a época em questão. Posteriormente, surge a impressão tipográfica desenvolvida por Gutenberg oferecendo novas técnicas e possibilidades, impulsionando o desenvolvimento tipográfico e a transição ao novo estilo de design pré-modernista.

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"Valete de ouros, carta de baralho em xilogravura, 1400. (...) Os sinais visuais para representar os naipes de um baralho partiram das quatro classes da sociedade medieval. Copas significa o clero; espadas representava a nobreza; o bastão folhado representava o campesinato; e ouros significava os burgueseses (Meggs, p.92, 2006)." É interessante observar como a representação das cartas de baralho pouco mudaram em mais de quinhentos anos. Isso demonstra um pouco do quão marcante este desing é.


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"Letra “K” de um alfabeto grotesco, 1464. Está página é de um livro abecedário silográfico de 24 páginas que compunha cada letra do alfabeto por meio de figuras humanas (Meggs, p.93, 2006)." Estilização de fontes reproduzida diversas vezes até os dias de hoje.


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"Jan Fust e Peter Schoeffer, detalhe da página do Salmo em Latim, 1457. As capitulares vermelhas e azuis são o exemplo mais antigo de impressão em cores na Europa (Meggs, p.101, 2006)." Todo conjunto decorativo nos manuscritos medievais configuram o que é chamado de "Iluminura". Em muitos manuscritos de cunho religioso todo esforço decorativo das iluminuras tinha por objetivo a exaltação divina. Apesar de não mais tão estilizadas, ainda hoje é bastante comum observarmos a utilização de capitulares, inclusive em textos jornalísticos.


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Albrecht Dürer, Dier vier Apokalyptischen Reiter (Os quatro cavaleiros do Apocalipse), 1498(Meggs, p.115, 2006). Este é um bom exemplo de desenho em xilogravura e demonstra bem o potencial de expressão das técnicas utilizadas.


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"Giambattista Bodoni, página de Manuale tipográfico, 1818. A nítida clareza das letras de Bodoni se reflete nas molduras escocesas. Compostas de elementos duplos e triplos de traço grosso e fino, estas molduram repetem os contrastes de espessura dos tipos modernos de Bodoni (Meggs, p.165, 2006)."

Mesmo com mais de quinhentos anos, as fontes criadas por Bodoni ainda são utilizadas, por exemplo, na logomarca da revista "Vogue". Ainda remetendo aos mesmos objetivos originais, de exprimir características como sofisticação, requinte, glamour, etc. As "molduras escocesas",contemporâneas das fontes de Bodoni, são expressões que marcaram essa época e também continuam sendo reproduzidas.

[editar] Design gráfico pré-modernista: revolução industrial

Com a revolução industrial efervercendo a urbanização e as metrópoles desenvolvem-se compulsivamente. O design expressa no seu estilo um tom de caos, sob um caráter comercial e massivo nas peças. As novas tecnologias suportam todo desenvolvimento.

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"Panfleto de um trem de excursões, 1876. Para dar às palavras importantes mais destaque que o negrito, o tipógrafo usava tipos ainda mais pesados para as iniciais. Letras enormes nas extremidades se combinam com estilos estreitos e largos na expressão Maryland Day! (Meggs, p.180, 2006)." Utilizando apenas fontes o tipógrafo busca preencher/aproveitar os espaços vazios e transmitir a mensagem de anúncio. Esse estilo gritante e confrontante das fontes é recorrente desde então em anúncios de varejo.


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Fontes Arts and Crafts. "Morris F. Benton, projetos de tipos: Alternate Gothic, 1906; Century Schoolbook, 1920; Clarface, 1907, Cloister Bold, 1913; Franklin Gothic, 1905; News Gothic, 1908; Souvenir, 1914; Stymie Medium, 1931 (Meggs, p.242, 2006)." Em função da necessidade da época for novas fontes, principalmente pelo caráter massivo, muitos estilos tipográficos são criados.


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"Henri de Toulouse Lautrec, cartaz, “La Goulue au Moulin Ruge”, 1891. As formas se tornam símbolos; combinados, representam um lugar e um evento (Meggs, p.259, 2006)."


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"A. L. Rich, marca para a General Electric, 1890.(Meggs, p.264, 2006)" Logomarca que permanece idêntica até hoje para "GE". Este exemplo demonstra características comuns da época, como o design curvo, o caráter comercial e o forte apelo ao símbolo.


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"Adolfo Hohenstein, cartaz para Bitter Campari, 1901 (Meggs, p. 280, 2006)."

[editar] Design gráfico modernista

Forte representação da arte moderna, expressando e misturando movimentos como cubismo, simbolismo e futurismo. Influência da primeira e da segunda guerra mundial nas temáticas, com propaganda de massa, nacionalismo, cartazes de recrutamento, etc. Há a utilização de recortes e maior expressão na utilização das cores.

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"James Montgomery Flagg, cartaz para recrutamento militar, 1917, Cinco milhões de exemplares do cartaz de Flagg foram impressos, fazendo dele um dos cartazes mais reproduzidos da história (Meggs, p. 356, 2006)." Tal quantidade de exemplares seria totalmente impensável em épocas anteriores. A alta reprodução, apelo forte e abrangência do público, exemplificam algumas características marcantes da época.


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"E. McKinight Kauffer, cartaz para o Daily Herald, 1918. Este cartaz visionário se baseava na gravura anterior de inspiração futurista e cubista do designer mostrando pássaros em revoada (Meggs, p. 359, 2006)." Resgate e mistura de movimentos artísticos modernistas.


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"A. M. Cassandre, cartaz para o transatlântico L’Atlantique, 1931. O navio construído em um retângulo, em consonância com as margens retangulares do cartaz (Meggs, p. 363, 2006)." Excesso de retas e quadriculados, estilos bastante abordado e característico da época.


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"Gustav Klutsis, Spartakiada, cartão-postal, 1928. (Meggs, p. 387, 2006)." Utilização de recortes.


[editar] Bibliografia

Segue uma bibliografia interessante para aprofundar-se mais sobre a história do design e seus estilos.


Cardoso, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo, Blucher, 2008.

Heskett, John. Desenho industrial. São Paulo, José Olympio, 1997.

Meggs, Philip B. e Purvis, Alston, W. Uma História do Design Gráfico. São Paulo, Cosacnaify, 2006.

Pevsner, Nokolaus. Pioneiros do Desenho Industrial. São Paulo, Martins Fontes, 1995.

Hollis, Richard. Design Gráfico: uma história concisa. São Paulo, Martins Fontes, 2005.

[editar] GLOSSÁRIO

Capitular: letra inicial da palavra que abre um parágrafo colocada de alguma maneira em destaque.

Impressão xilográfica: Basicamente, pode-se dizer que é um processo de impressão com o uso de um carimbo de madeira, ou seja, uma gravura feita em uma matriz de madeira.

Iluminura: tipo de pintura decorativa realizada no início dos capítulos de pergaminho medievais, na grande maioria, pergaminhos que continham capítulos de escrituras sagradas. As iluminuras eram realizadas como uma forma de exaltação divina nas escrituras.

Impressão tipográfica: tipo de impressão desenvolvida inicialmente por Johannes Gutenberg. A impressão tipográfica baseava-se na montagem de matriz através da combinação de tipos feitos de chumbo. Cada matriz deveria corresponder a uma página inteira, que poderia então ser reproduzida inúmeras vezes.

Gutenberg: sobrenome de Johannes Gutenberg, natural da Alemanha, inventou e desenvolveu tecnologias que possibilitaram as primeiras maneiras de impressão que possibilitaram a cópia muito mais rápida de livros e jornais.

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