Ernesto Timor

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Ernesto Timor tem como principal característica em suas obras o poder de gerar curiosidade por mostrar em suas fotos situações, locais, pessoas objetos de maneira inusitada. A sensação mais comum passada pelas fotos de Timor é a de um enorme ponto de interrogação, ou seja, ficamos com alguma pergunta em nossas cabeças após observar uma de suas fotos. Essas características trazem um caráter instigante às suas fotos.


Tabela de conteúdo

[editar] Análise de fotos

Daniel Seidi Kano

[editar] Uma fonte do som

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Foi utilizado o plano geral com a presença da garrafa no primeiro plano e no fundo um ambiente fora de foco. A garrafa está perfeitamente centralizada, porém o plano de fundo quebra a simetria da imagem através da disposição aleatória de alguns objetos indefinidos. Devido à falta de focalização no fundo, não se pode determinar perfeitamente o que compõe o ambiente. Isso acaba mostrando um aspecto muito curioso da foto, nos levando a tentar definir o que está ao redor da garrafa. Notamos que a garrafa está cheia de algum líquido que parece possuir uma cor. Porém não conseguimos definir com certeza se o líquido possui uma cor própria, ou se a cor aparente é resultado de uma luz direcionada na garrafa. A transparência da garrafa traz ainda mais curiosidade sobre o que a cerca, pois conseguimos apenas enxergar parcialmente através dela. Notamos um contraste de luminosidade entre a parte inferior (azulada) e a parte superior (onde há predominância de uma cor alaranjada). Além disso ainda vemos alguma cores projetadas (azuladas) na parede no fundo contrastando com a mesma. Podemos ver uma luz de fundo (background light), que revela o que há por trás do objeto principal fotografado. Há até mesmo algumas projeções de luz na parede que mostram formas interessantes. Sobre o objeto principal (a garrafa) vemos uma key light de cor azul, que destaca bem a garrafa revelando sua translucidez. Essa luz nos permite enxergar pequenas texturas na superfície da garrafa. É possível também ver uma pequena back light que reforça o desenho da garrafa, destacando-a do fundo. O fotógrafo usou o foco exatamente sobre a garrafa, com pouca profundidade (grande abertura do diafragma), pois vemos apenas a garrafa em foco. A própria mesa na qual a garrafa se encontra está fora de foco, acontecendo o mesmo com o fundo. A falta de foco no fundo nos deixa ainda mais curiosos em saber o que há na nesse local. Notamos que há pouca exposição, pois a foto é um pouco escura, guardando ainda mais o mistério. Essa baixa exposição pode ser fruto de uma alta velocidade.


[editar] Na felicidade do eremita

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Foi utilizado o grande plano geral, no qual podemos ver em primeiro plano um solo constituído por várias pedras. Sobre essas pedras há uma casinha. No plano de fundo vemos o céu carregado de nuvens e uma pequena parte do mar. Ela mostra um grande choque provocado pelo contraste de texturas do céu e das pedras. Esse contraste é extremamente visível apesar da foto ser em preto e branco. O limite de contato entre essas duas partes corta a imagem na diagonal central da foto. Tem-se a sensação de que há um conflito entre essas duas partes. A linha de corte que se inicia no canto inferior esquerdo nos leva até o canto superior direito onde há a casa, dando uma noção de ascendência. Notamos que a casa está no foco superior direito, o que nos leva a imaginar sobre o que existe à direita do captado na foto. Por causa do posicionamento da câmera sentimos que a casa está muito distante de nós. É transmitida uma enorme sensação de solidão a partir da casa solitária no topo das pedras. O céu carregado parece o prenúncio de uma tempestade, elevando o sentimento de solidão, e até mesmo trazendo um sentimento de uma fria tristeza. Essa tristeza é ressaltada pelo uso do preto e branco. Nessa foto a luz provém do sol, porém vemos muitas nuvens que cobrem todo o céu, revelando uma luz difusa. A luz revela com detalhes a textura dos elementos da foto, até mesmo a da casa que está mais distante. Notamos que o fotógrafo utilizou uma grande profundidade de campo (pouca abertura), pois vemos todas as pedras e até a casa em foco. Como na foto anterior, há pouca exposição de luz, deixando um ar sombrio na foto.



[editar] Defesa e ilustração de pequenas estradas molhadas

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Foi utilizado o grande plano geral, onde podemos ver uma estrada que se bifurca bem diante de nós. No fundo vemos os fins das estradas oriundas da bifurcação, e também podemos ver uma densa floresta a direita. Ainda há um céu completamente nublado. Ela consegue nos transmitir uma sensação de dúvida por causa a existência de dois caminhos, duas opções. O céu que é apresentado nebuloso contribui para esse sentimento de dúvida, nos deixando um pouco apreensivos. O céu cinzento também contribui para a densidade da imagem. É muito interessante como a simetria e a assimetria convivem nessa foto: o posicionamento dos dois caminhos (um de cada lado da foto) nos dá uma sensação de simetria e equilíbrio, porém as cores desses dois caminhos os diferem um do outro, quebrando o equilíbrio. Ainda podemos destacar a existência de uma densa floresta no fim do caminho da direita, conferindo mais um caráter assimétrico (em contraste com o final do caminho da esquerda). De uma forma geral há pouca iluminação na doto, conferindo certa frieza para a foto. Essa frieza é ressaltada pelo verde presente em grande parte da foto. Vemos que o céu está completamente nublado, revelando uma luz difusa do sol, que permite a visualização das texturas dos elementos presentes na foto. Foi usada uma profundidade de campo não muito pequena, pois vemos que uma boa área da frente está em foco, e o fundo vai gradativamente perdendo o foco conforme se distancia. Há uma pouca exposição de luz.


[editar] Eu vejo...

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Foi utilizado o plano médio, no qual podemos ver em primeiro plano uma mão segurando um objeto. No segundo plano vemos uma mulher nua usando um colar, e no fundo uma parede branca. Podemos destacar a mulher que, apesar de estar fora de foco, representa o personagem principal da composição. A mulher interage com o objeto segurado pela mão misteriosa, de forma que os “cílios” contidos no objeto fundem-se com o corpo da mulher, substituindo o rosto desta. Essa interação traz um aspecto muito instigador, que nos faz imaginar o rosto da mulher por trás do objeto, mesmo havendo um “rosto” aparente. Notamos que a mulher está nua, mas em nenhum momento isso traz um aspecto vulgar. Pelo contrário, a nudez da mulher revela algo como a pureza da mulher. A nudez da mulher, juntamente com a mão, por causa de suas cores, ressalta o objeto, dando-lhe maior destaque. Podemos ver que a mão ocupa o terço esquerdo, representando o início de algo, nos levando até o curioso objeto, que ocupa o foco superior direito. A luz provavelmente é artificial (não do sol), porém é difícil de determinar o ponto de sua origem. Pela mão do homem e pela mulher, podemos ver dois pontos de luz, um que vem da direita e outro da esquerda, mas não são muito fortes nem pontuais. O fotógrafo usou uma baixíssima profundidade de campo, concentrando o foco no estranho objeto rosa. Todo o fundo e até mesmo a região mais próxima da mão (em relação a nós) estão desfocados. Há uma média exposição de luz, que não deixa o mesmo ar sombrio das outras fotos anteriores.


[editar] A mulher pêndulo

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Nesta foto temos no primeiro plano uma mulher, aparecendo parcialmente revelando apenas o rosto, os braços o seio. No plano de fundo vemos um grande relógio de ponteiros. Vemos nessa foto a mulher interagindo com o objeto, de forma que seus braços fundem-se com o relógio, representando os ponteiros. O tamanho do relógio é ressaltado pelo fato de ele não aparecer inteiramente na foto. A interação da mulher com o relógio é ressaltada pela semelhança das cores da mulher e do relógio (utilização de cores muito luminosas). Vemos a mulher ocupando o terço esquerdo da imagem, e notamos que ela olha para a direita, fugindo da foto, nos trazendo a dúvida sobre o que ela está olhando. A nudez da mulher anula qualquer aspecto que pudesse desprender nossa atenção do relógio. Vemos que a luz vem da direita pra esquerda, de forma mais pontual, projetando sombras na parte esquerda da mulher. A luz é forte, esbranquiçando a mulher, tirando a textura dela nas partes mais iluminadas, como no braço. Parece ainda que há uma iluminação utilizada apenas no relógio, que é uma pouco mais fraca, revelando um pouco de textura do relógio. Vemos os dois objetos em foco. Nessa foto, há uma média exposição de luz.

[editar] Perfil das fotos de Timor

As fotos de Timor possuem algumas características marcantes e comuns à obra dele.

Umas dessas características são as temáticas de muitas de suas fotos. Dentre elas, podemos citar as fotos compostas por mulheres (normalmente nuas) em situações fora do comum, interagindo com os ambientes e objetos se tornando parte deles, muitas vezes se confundindo com eles. Essa interação se faz a partir da mescla da figura feminina com o que está ao seu redor, que a incorpora de uma maneira natural (apesar de se tratar de situações incomuns).

Nas fotos com essa temática, Timor utiliza cores muito luminosas, ou então fotografa em preto e branco. Nos planos de enquadramento, há o uso desde o plano geral até o close-up. Em muitas vezes o fotógrafo usa uma baixa velocidade de abertura para captar bem os movimentos da mulher. Esse efeito causa a pouca nitidez em certas partes da foto. Quanto à luz, podemos notar que não há muita exposição, dessa forma possibilitando interessantes efeitos de sombra. Em algumas fotos, o fotógrafo focaliza apenas o primeiro plano, deixando o fundo desfocado.

Outra temática bastante abordada por Timor é a captação de ambientes a partir de pontos de vista diferentes do comum. Podemos ver tanto ambientes fechados (como salas, quartos, galpões, etc.) como ambientes abertos (como paisagens, estradas, cidades, etc.).

Nas fotos com essa temática, o fotógrafo utiliza cores frias ou preto e branco, que realmente têm um efeito direto sobre a sensação que temos ao ver as fotos desse tema. A frieza é completamente sensível. Normalmente há o uso de um enquadramento que consiga captar uma visão limitada do ambiente, ou seja, não se busca captar toda a dimensão do local, e sim captar algum detalhe que mereça atenção. As fotos dessa temática normalmente são muito nítidas, permitindo a percepção de cada mínimo detalhe.

No geral, vemos que Timor usa uma baixa esposição, que ajuda a compor o mistério que há em suas fotos.

Em muitas de suas fotos, Timor usa uma pequena profundidade de campo, principalmente nas quais a mulher é o objeto a ser fotografado. Nas fotos em que o ambiente é o principal elemento, há o uso de uma grande profundidade de campo.

A partir da iluminação, Timor consegue privilegiar texturas muito interessantes.


Daniel Seidi Kano




Timor trabalha também com a integração do personagem fotografado ao ambiente. Suas mulheres são geralmente partes do ambiente, que saltam aos olhos do observador e passam a ter destaque na foto. Ensaios como Petite Forme, Un Siège en Hiver, Ma Nature ne tient qu'à un fil, e em menor proporção Perséphone e La piste sucrée mostram exatamente esse lado da obra de Ernesto Timor. Luiz Otávio Matias --Otavio Matias 15:32, 23 Agosto 2007 (PDT)

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