Enquadramento
Uma boa fotografia deve mostrar um “novo olhar” sobre alguma coisa. Não deve ser totalmente previsível nem totalmente imprevisível, pois dessa forma não será entendida por grande parte dos observadores. Há muitas formas de inovação no ato de se fotografar: contrastar cores, luzes, ambientes, mas talvez uma das mais importantes ferramentas fotográficas seja o enquadramento. O enquadramento conta toda a história da imagem, define quais são as prioridades, quem são os personagens principais de uma certa fotografia, além, é claro, de permitir ao fotógrafo colocar o foco de interesse da imagem aonde ele bem entender. O momento em que se decide qual será o enquadramento da imagem é o momento que define se a imagem será boa ou não, se chamará a atenção ou será apenas mais uma fotografia. Há toda uma concordância entre planos e terços que devem funcionar em harmonia para que no final a obra seja satisfatória.
Primeiramente, ao se tratar de planos, é importante considerarmos qual será o foco da atenção: o foco vai ser a flor em primeiro plano? Ou as pedras que estão atrás, em segundo plano?A definição de planos auxilia principalmente na escolha e na hierarquização de importância, bem como o nível de exposição de cada objeto na imagem. Quanto aos terços, é de vital importância entender como eles dividem o mundo em pequenas partes, que juntas compõem as imagens. Dividindo-se em terços verticais e horizontais, essas linhas imaginárias criam em uma imagem 9 focos de interesse que, se bem explorados, podem fazer uma situação corriqueira se transformar em algo extraordinariamente novo. Tendo em mente as considerações técnicas, deve-se passar ao passo mais importante no enquadramento de uma fotografia: a sensibilidade e o bom senso. Se o objetivo de uma boa foto é mostrar algo por um novo ângulo, a primeira coisa a não se fazer é certamente centralizar o foco de interesse. O centro, embora seja o primeiro lugar para onde as pessoas olham, é também o local mais previsível, e portanto, mais monótono da imagem. Entretanto, como todos pensam dessa forma, é comum a aparição quase sempre total em álbuns de fotos espalhadas pelo mundo com as imagens principais coladas no meio da fotografia, como se houvesse uma força maior que grudasse as coisas no meio da fotografia.
Considerando esse fator, imaginemos uma foto de uma pessoa na beira de um rio, em um extenso gramado. Como uma fotografia representaria bem essa imagem? Colocando a pessoa no meio, e alinhando a linha entre o gramado e o rio também no terço horizontal central? Ou colocar a pessoa mais à esquerda e mostrar mais o rio que o gramado talvez desse uma outra visão?É óbvio que mudar e não fazer o que automaticamente nos vem à mente irá consequentemente gerar uma fotografia senão boa, no mínimo diferente, e esse é o primeiro passo para uma boa imagem: não cair no comum. Uma imagem não centralizada irá causar interesse nos olhos da pessoa, que ao notar um objeto locado em algum canto da fotografia automaticamente irá procurar pelos cantos da imagem qual é o motivo que levou o fotógrafo a usar aquele enquadramento, o que caracteriza uma fotografia, no mínimo, interessante.
Quanto aos ângulos a serem abordados, existe um número considerável de escolhas: Grande plano geral, Plano geral, Plano de conjunto, Plano americano, Plano médio, Close-up, Superclose e Plano de detalhe, cada um deles possuindo uma serventia diferente e modificando os pontos de foco de atenção, conforme o autor deseje.
Uma mesma imagem pode ser apresentada por diferentes enquadramentos, o que pode mudar totalmente a história da fotografia. Isso é bom, pois não esgota as possibilidades de retratação de um momento, o que permite a cada um representar um mesmo momento de acordo com sua forma particular de pensar e ver o mundo, e o melhor: mostrar aos outros como é essa sua visão particular!
Diego Lopes dos Santos e Rafael Prieto Ferraz
--Diego Santos 09:22, 10 Setembro 2007 (PDT)
--Prietoferraz 21:00, 12 Setembro 2007 (PDT)