Emoções e mensagens
Tema de Filipe Werner Cattermol Pinheiro
À idéia de cor inferimos logo a noção de expressividade, sendo que tal expessividade é diretamente e expontaneamente ligada à sensações e emoções que nos são transmitidos pelos efeitos das cores. Tais emoções por vezes são considerados como interpretações deste efeito de cor a materiais, sensações, objetos e experiências inferidos pelo que percebemos anteriormente pelo conhecimento e contato com o mundo. Por outro lado, existem também aqueles que vêem no efeito da cor certa reação fisiológica que seria diretamente ligada a uma experiência primeira e não a uma inferência ao mundo sensível e ao prévio conhecimento. De qualquer forma, estudar ou aceitar a cor como ferramenta estimuladora de emoções pode nos ajudar muito tanto como criadores de mensagens como receptores e fruidores da realidade do mundo.
Não é a idéia deste texto estudar ou assinalar necessariamente certos caráteres fisiologicos do efeito da cor sobre o organismo e a percepção humana, o porquê o azul tende a causar certa noção contração enquanto que o amarelo e vermelho causariam a noção de expansão, ou ainda, estudar o efeito das cores sobre nosso estado de ânimo, por exemplo, a atuação calmante da cor verde sobre um indivíduo exausto ou doente, ou ainda seu carater entediante para o indivíduo que sofreu sua longa exposição.
É interessante assinalar então a necessidade de pensar a cor ou mesmo sua ausência como parte fundamental da construção de uma mensagem visual, tanto ao que confere o caráter estrutural compositivo quanto o caráter ideológico da mensagem a ser transmitida.
É importante pensar quando consideramos emoções e mensagens através de peças de design, a funcionalidade que a cor pode assumir, sendo que as “cores funcionais” dariam suporte e melhor função comunicativa e física aos produtos de design; enquanto que a cor “não funcional” seria àquela dedicada a um suplemento ornamental podendo às vezes dificultar a recepção da mensagem como por exemplo sinais gráficos com cores irrelevantes e conflituosas. As cores funcionais na comunicação visual são usadas para atrair, criar uma atmosfera, informar e organizar.
A atração causada por uma cor ou pela relação de cores é diretamente ligada ao carater fisiologico e à memória sensível do receptor, sendo que a cor bem aplicada pode atrair e cativar da mesma forma que elementos graficos em cores fortes e contrastantes atraem o olhar em uma composição recheada de elementos os mais diversos como textos e imagens.
As cores criam e reforçam a atmosfera da mensagem na mídia escolhida de modo a intensificar e fortalecer a comunicação. A cor carrega necessariamente um caráter simbólico como por exemplo, o vermelho associoado ao amor, o azul cheio de receio, melancolia ou tristeza, enquanto o amarelo simboliza alegria, o preto sofrimento, o branco, pureza e inocencia. É importante aqui, tomar cuidado, pois, certos caráteres simbólicos podem não ser necessariamente universais, mas são importantes ferramentas para acessar o íntimo do seu interlocutor.
O caráter informativo da cor também pode alterar nossas certezas fisiológicas ou simbólicas que temos sobre um determincado matiz, como por exemplo, nos hospitais o amarelo passa a significar infecção ou doença, o azul, a limpeza, o verde a esterilização.
Quanto à organização as cores são importantes ferramentas para conferir valor e distinção entre conteúdos diversos, como por exemplo ajudando os leitores a percorrer e identificar sessões diversas, colunas, matérias
Por fim, é importante ainda assinalar que o fenomeno da percepcao da cor é bastante mais complexo que o da sensação de cor. A sensação de cor é fenomeno diretamente ligado a elementos fisicos ( luz) e fisiologicos (olho), enquanto que à percepcao alem dos elementos citados entram dados psicologicos que alteram substancialmente a qualidade do que vemos. Na percepcao da cor distinguem-se três características principais: o matiz (comprimento de onda), o valor (luminosidade ou brilho) e o croma ( saturação ou pureza da cor); sendo que ainda a interação e proximidade física das cores (objetos ou superfícies coloridas) afeta necessariamente as emoções e as mensagens que poderíamos obter por uma composicao ou trabalho visual.
Bibliografia
ARNHEIM, RUDOLF – Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005
BERGSTRÖM, BO – Fundamentos da comunicação visual. São Paulo: edições Rosari, 2009
GUIMARÃES, LUCIANO – A cor como informação: a construção biofísica, linguística e cultural da simbologia das cores. São Paulo: Annablume, 2000.
PEDROSA, ISRAEL – Da cor a cor inexistente. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2009
Tabela de conteúdo |
[editar] Emoções e mensagens das cores
Por Carolina Rodrigues Silva Souza[[1]]
[editar] Apresentação
“Quais emoções que as cores evocam?”
Quais emoções que as cores evocam? Essa pergunta, bastante recorrente nas mais diferentes áreas do conhecimento e meios de comunicação, pode parecer simples a uma primeira vista, porém, é de uma profunda complexidade de difícil resolução em uma resposta direta e pontual.
Não há um significado universal para o simbolismo atríbuído às cores. Em diferentes sociedades elas trazem distintas mensagens, invocam diversas emoções e são de natureza ambigua, possuindo conotações positivas e negativas.
Por exemplo, na América, em geral, o vermelho é associado ao erotismo, à paixão e ao pecado. Em boa parte da Ásia, é a cor dos casamentos, da prosperidade e da felicidade enquanto na Índia é o símbolo da guerra e na França, da masculinidade. A maior parte do mundo, aponta o azul como uma cor masculina, no entanto, na China, esta cor é relacionada às meninas. No Ocidente é comum o branco ser usado para representar virgindade, pureza e inocência enquanto no Oriente, essa é a cor associada à morte.
Na Índia, o vermelho é a cor dos vestidos de noiva enquanto no Brasil e na América, os vestidos são brancos.
Fonte das Revistas indianas de noivas: http://www.shaadistyle.com/images/fall2003.jpg e http://www.shaadistyle.com/images/spring2006.jpg
Fonte das Revistas brasileiras de noivas: http://www.netpetropolis.com.br/sites/arquivos/uploads/1503_thumb_g.jpg e http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/578101/gd/1268235575/Revista-Noivas-de-Minas-18-Edicao.jpg
Certamente não são os únicos significados atribuídos a cada uma dessas cores em tais localidades, no entanto, tamanha diversidade e mesmo contradição demonstra como, apesar do olho humano recepcionar as cores de modo mais ou menos próximo fisicamente, a carga emocional atribuída aos diferentes matizes é definida tanto por elementos biológicos, ligados ao sistema límbico, quanto por contextos socio-culturais, históricos e mesmo psicológicos. “As cores existem como parte de algo e adquiriram seus nomes e significados através da conexão com as coisas, sentimentos e conceitos (EDWARDS, Betty, 2004: p. 156)." Tal confluência de experiências pessoais e coletivas, agrega às cores uma enorme e viva expressividade e permite que as utilizemos em um determinado grupo como um poderoso elemento de linguagem comum não-verbal para transmitir ou enfatizar uma mensagem, para comover, para criar atmosferas emocionais, para descrever realidades, entre outras inúmeras potencialidades.
De acordo com o Institute of color research, "todos os seres humanos fazem julgamento inconsciente sobre uma pessoa, um ambiente ou objeto noventa segundos após vê-lo pela primeira vez, e sessenta e dois a noventa por cento desse percentual é baseado exclusivamente na cor (The Institute of color research, citado em MORIOKA, Adams. 2006, p. 36)”. As cores acrescentam elementos dramáticos a uma imagem e, sem dúvida, são elementos que mobilizam emoções intensas em um primeiro contato.
Muitos dos sinais de trânsito, por exemplo, baseiam-se no significado simbólico que determinadas cores têm em nossa sociedade para efetuar uma comunicação de forma simples e de fácil assimilação.
O vermelho é uma das cores mais intensas na natureza e por isso é psicologicamente associado ao perigo e morte. Nos sinais de trânsito, o vermelho sinaliza proibições.
O amarelo e preto alerta para advertências.
Enquanto cores calmas como verde e azul apenas indicam informações.
Fonte: http://www.detran.ba.gov.br/educacao/
[editar] As cores nas artes
Nas artes, a expressividade das cores é potencializada. Em particular nas artes plásticas, Henri Matisse, dedicou sua vida a exploração da força emocional das cores. “Eu sinto através da cor”, ele confidenciou. Suas obras, assim como de outros pintores Fauvistas como Paul Gauguin, emergiam impulsivamente e as cores pretendiam traduzir emoções primitivas, subvertendo a lógica comunicativa porém alargando nossas referências perceptivas. Abaixo, seu quadro La dessert de 1908. As obras fauvistas foram as primeiras das artes visuais nas quais a cor era a preponderante.
Fonte:http://en.wikipedia.org/wiki/File:Matisse-The-Dessert-Harmony-in-Red-Henri-1908-fast.jpg
No cinema, o diretor polonês Krzysztof Kieślowski ficou conhecido por construir a atmosfera de seus filmes baseados nos significados emocionais que determinadas cores evocavam. Utiliza o verde, por exemplo, para anunciar a morte de um dos personagens em “Não matarás” (1988), uma vez que a carne humana quando podre, adquire tal coloração. Em sua trilogia das cores (A liberdade é azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha), Kieślowski associa cada cor da bandeira francesa a um sentimento e toda fotografia se configura dentro dessa tonalidade.
Fonte: http://www.thefilmjournal.com/issue7/red.html
[editar] As cores em comunicação, design e publicidade
Se nas artes as referências culturais podem ser subvertidas e mesmo pervertidas, em comunicação, muitas vezes, o imperativo são as regras e conotações culturais de sua audiência.
No universo das publicações impressas, por exemplo, percebemos que, ao contrário do que nos diziam quando éramos pequenos, podemos, sim, julgar um livro pela capa. A cor pode definir rapidamente o conteúdo de uma dada revista, jornal ou mesmo um livro. A cor é reconhecida como um fator importante na venda. As revistas, vendidas nas bancas de jornais sempre lotadas, encontram nas cores um recurso para chamar a atenção dos leitores. Um exemplo são as revistas sensacionalistas e de fofocas que costumam fazer uso do vermelho, sugerindo, talvez, uma dada excitação através de seu conteúdo noticioso.
Em posteres de eventos, a aplicação da cor, pode ter como efeito geral convidar, entusiasmar, acalmar ou meramente estimular a indiferença. Os cartazes cinematográficos podem fazer alusão à atmosfera dos filmes tanto pela cor como pelo conteúdo da imagem. No poster de divulgação do filme Os pássaros, de Alfred Hitchcock, e anunciado o clima claustrofóbico de suspense através de uma forma simples e branca, e do uso intenso do vermelho envolvendo a pena. Se mais cores ou elementos tivessem sido incorporados, a mensagem não seria tão poderosa. Aliás, Hitchcock soube explorar o potencial das cores não somente no material promocional mas também em todos os seus filmes, mas isso é matéria para um outro artigo.
Fonte:http://agraphicworld2.files.wordpress.com/2010/10/good-1color1.jpg
Em projetos de design, no desenvolvimento de marcas e na publicidade, de modo geral, a evocação às emoções e mensagens de cada cor é ainda mais direta. Para selecionar a paleta de cores que é mais adequada para determinado trabalho é preciso levar em consideração alguns elementos de seu público-alvo como idade, gênero, experiência pessoal, humor, identidade étnica, história, tradição entre outros elementos possíveis. Muitas vezes a aceitação ou rejeição de um produto ou serviço é determinada principalmente pela cor. Se acaso o produto tiver difusão internacional, o cuidado deve ser ainda maior (ver capítulo A identidade das cores). Além disso, como é cada vez mais restrito o número de cores únicas que são aceitas universalmente, encontramos muitos projetos que combinam matizes de forma inusitada, subvertem a psicologia usual das cores e as usam em lugares que não as esperamos encontrar. No exemplo abaixo, vemos um projeto de dormitório que incorpora cores que dificilmente relacionamos a um bom sono. No entanto, essas cores marcantes iluminam a proposta e capturam nossa atenção.
Fonte:http://besthomegallery.com/wp-content/uploads/2011/04/colorful-modern-bedroom-design-6.jpg
[editar] Conclusão
As cores ajudam na criação de uma atmosfera permeada por sutilezas psicológicas. São um forte apelo sensorial que pode manipular nossos sentimentos antes mesmo de tomarmos contato com qualquer marca ou produto. Utilizadas corretamente, podem expressar uma mensagem de forma tão clara e objetiva quanto as palavras. Como exemplo final, trago um caso das sandálias havaianas fabricadas pela Alpargatas. Em uma campanha desenvolvida pela AlmapBBDO, de São Paulo, apostaram em sua diversidade de cores como um diferencial frente a produtos muito similares num mercado aparentemente restrito. O resultado foi uma série de campanhas que, além de serem muito bem sucedidas, exploraram de forma competente e bela todo o potencial emotivo das cores.
Fonte: http://files.coloribus.com/files/adsarchive/part_333/3337805/file/almapbbdo-some-competitors-try-to-imitate-small-55967.jpg
Fonte:http://shablemga.com/wp-content/uploads/2008/05/havaianas_bigbang_red.jpg
Fonte:http://admeister.files.wordpress.com/2009/03/havaianas.jpg?w=455&h=313
Fonte:http://estudiocomposto.files.wordpress.com/2010/07/havaianas1-550x379.jpg
[editar] Referências
BANKS, Adam; FRASER, Tom. O Guia Completo da Cor. Tradução de Renata Bottini. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.
EDWARDS, Betty. Color: A Course in Mastering the Art of Mixing Colors . NY: Penguim, 2004.
EDWARDS, Betty. Desenhando com o lado direito do cérebro. RJ: Ediouro, s/d.
MORIOKA, Adams. Color design workbook. MA: Rockport Publishers, 2006.