Egon Schiele
Schiele transborda sentimento na forma como pinta. De pessoas a paisagens, as coisas parecem vivas e as expressões possuem tom realista, que, numa foto, é a sua alma. Os quadros de Schiele transmitem constante movimento e as representações humanas são transfiguradas por fortes sentimentos e a sexualidade é transmitida em suas minúcias. Linhas curvas são uma constante, bem como os tons em ocre e pastel, contrastantes com as cores primárias.
O Abraço
[1]
O tema do quadro definitivamente conta uma história, provavelmente de amor, tendo em vista o casal que se abraça. O lençol, totalmente amaçado e desarrumado concede dinamicidade à obra. Apesar de centralizado, o casal na diagonal ocupa boa parte do enquadramento, fornecendo certo equilíbrio com o gramado em volta. As cores dos corpos, em tons pastéis contrastam bem com as cores branca, do lençol, e verde, da grama. A luz parece incidir acima do casal, .apresentando pequenos espaços de sombreamento.
Quatro Árvores [2]
As árvores representam claramente o estado das planatas durante as quatro estações do ano: começando a desfolhar, no outono, sem folhas, no inverno, começando a florescer, na primavera, e com bela copa, no verão. O enquadramento dá suporte à idéia de seqüência e as montyanhas ao fundo dá maior profundidade. Apesar de as árvores se concentrarem no terço médio do quadro, o pô-do-sol ocupa dois terços, dando-lhes maior destaque e equilíbrio. As cores em tons pastéis transmitem uma leve sensação de verão/outono e as várias cores no topo da obra dão um tom mais real ao céu. Como muitos dos elementos em primeiro plano aparecem escurecidos, o mais óbvio é que a luz esteja incidindo ao fundo, junto ao sol que se põe.
Curva da casa ou Cidade Ilha [3]
A mera representaçao de um conjunto de casas já deixa implícita uma história de um lugar. Mas o detalhe que mais chama a atençao é a disposiçao das construçoes em forma de “U”, que dá maior dinamicidade ao quadro. O terço vertical a esquerda, onde predomina vegetaçao, concede um respiro a concentraçao urbana. Aqui predomina o uso de cores em tons de cinza e ocre, dando um ar de contraste entre frio e quente. Aqui é difícil distinguir exatamente onde há incidência de luz.
Retrato de Hugo Koller [4]
Nao é apenas a figura aqui retratada que remete a curiosidade, como também o seu semblante, a biblioteca que o rodeia e o livro que possui no colo, que parece perder sua atençao perto de seus pensamentos. Foi extremamente importante o enquadramento em plano geral para que se compreendesse o quanto os pensamentos daquela pessoa o tomavam por completo, apesar de estar imerso literalmente em livros. Os terços centrais sao muito bem ocupados pelo protagonista do quadro, quem logo recebe a atençao dos olhares. Há uma predominância de cores escuras e tons em ocre novamente e a luz parece incidir frontalmente e acima da cena.
Velho moinho [5]
A obra é claramente um recorte de uma antiga construçao, mais precisamente um moinho, que encontra-se prestes a desabar pela força das águas. E o uso de apenas o terço horizontal de baixo foi suficiente para representar a fúria da água, enquanto que o resto encarregou-se de representar a decadência do velho moinho. Predominam, novamente, os tons de cinza e ocre, havendo certa dificuldade em se identificar um foco de luz geral.
Camila K. Silveira 20:21, 24 Setembro 2007 (BRT)Camila K. Silveira