Distribuição
Maria Eduarda Zorél Meneghetti
Desde o recebimento do briefing até o momento de impressão, seja esta convencional ou digital, sucedessem-se diversas etapas que exigem amplo conhecimento do profissional para poder basear suas decisões. Chega-se na fase pós-impressão em que serão realizados os acabamentos e como ultima fase do processo gráfico encontramos a ultima atividade: a distribuição.
Última, porém não menos importante. Apesar de ocupar a última fase de toda essa cadeia, a distribuição poderá revelar uma série de complicações caso esta seja considerada apenas no fim do processo, desprezando sua fundamental influência nas decisões realizadas ao longo do processo gráfico.
A distribuição pode ser compreendida como a gestão espaço-temporal dos produtos acabados, assim como seus fluxos e outros pontos relevantes que concernem as atividades existentes entre o ponto de produção e o de destinação (MUTARELLI, F.; CUNHA, C B, 2004, p. 1). Os dois aspectos base da distribuição são o aspecto geográfico (localização das instalações) e o aspecto temporal e estão correlacionados com o custo de logística e a rentabilidade da empresa, determinando a rede de instalações e o fluxo de mercadorias entre essas. De acordo com Martos (2000 apud MUTARELLI, F.; CUNHA, C B, 2004, p. 2), a rede de distribuição envolve varias organizações: “pontos de fornecimento de matéria-prima, fábricas, armazéns, centros de distribuição, portos, terminais intermodais e outras instalações físicas” (MUTARELLI, F.; CUNHA, C B, 2004, p. 2).
Pensar na distribuição apenas no final do processo pode se revelar um erro. Muitos ignoram as exigências, restrições e oportunidades que a distribuição pode apresentar, o que pode resultar mais tarde em perda de tempo e de dinheiro. Peso, volume e forma influem no custo logístico (DIC-LOG), e como qualquer bem físico, os trabalhos gráficos não estão livres dessa realidade. O projeto gráfico influencia a gestão da distribuição, interferindo expressivamente em quais estratégias de armazenamento, de transporte, entre outras serão empregadas.
O peso de um livro, por exemplo, pode influir no processo de distribuição, já que essa variável é representativa no custo logístico, correlacionando-se ao momento de decisão de qual papel, qual gramatura seria mais adequada para esse projeto (CHAVICHIOL, O.). Da mesma maneira, o formato e o volume do trabalho gráfico interferem na distribuição: Caso o trabalho gráfico ocupe maior volume, isso pode resultar em maiores lotes, o que pode compreender maior espaço para estocagem e maior custo (LOGÍSTICA DESCOMPLICADA).
Optar por um formato convencional para a peça gráfica ou ousar em sua forma requer reflexões no momento criativo. Um formato que fuja do padrão pode repercutir em complicações posteriores para a distribuição, o que não significa a impossibilidade de romper os padrões, mas sim, a necessidade de se tomar precauções sobre a viabilidade da idéia. Ousadia requer o conhecimento dos limites do processo para encontrarem-se, assim, as possibilidades concretas de rompê-los.
Além disso, decisões ao nível geográfico como a alocação de pontos de demanda às gráficas, a programação de cada unidade gráfica, a jornada de transporte de veículos de abastecimento, como também a escolha do modal de transporte estão intimamente correlacionadas com as restrições da produção e, evidentemente, refletem-se nas decisões da distribuição (MUTARELLI, F.; CUNHA, C B, 2004, p. 2).
A transmissão de dados digitais para unidades industriais, em seguida, a geração de matrizes de impressão, depois a impressão e acabamento requerem um tempo de execução. Muitos se esquecem que esse tempo influirá na distribuição, mas impactará consideravelmente. O tempo disponível para o abastecimento dos distribuidores e entrega aos pontos de consumo afim de cumprir o prazo estabelecido estará dependente das escolhas e procedimentos utilizados anteriormente no processo gráfico. Dessa forma, decisões de qual a natureza da impressão, quais procedimentos utilizar impactarão a estratégias de distribuição necessárias para desempenhar o trabalho ao tempo determinado pelo briefing (MUTARELLI, F.; CUNHA, C B, 2004, p. 4).
Essa é uma simples abordagem acerca do complexo assunto, mas apresenta-se com o intuito de destacar a relevância que a distribuição representa para o desenvolvimento do projeto gráfico a fim de ampliar a visão e o modo de entender a distribuição, compreendendo suas implicações e sua influencia no projeto gráfico.
REFERÊNCIAS
DIC-LOG: Dicionário de Logística.
Disponível em www.feg.unesp.br/~fmarins/Dic-log.doc Acessado em 28/05/2011.
LOGÍSTICA DESCOMPLICADA. O Que compõe os custos logísticos?
Disponível http://www.logisticadescomplicada.com/o-que-compoe-os-custos-logisticos/ Acessado em 28/05/2011.
CHAVICHIOL, O. Tipos de Acabamento: Deixando seu trabalho mais sofisticado na mídia impressa.
Disponível em http://pt.scribd.com/doc/51120895/acabamento-100407164334-phpapp02 Acessado em 30/05/2011.
MUTARELLI, F.; CUNHA, C B. A Modelagem das Redes de Distribuição Aplicada ao Caso de uma Editora de Revistas.
XVIII ANPET - Congresso de Pesquisa e Ensino em Transportes. 2004.
Disponível em http://logisticatotal.com.br/files/articles/d5f93ecb261efd29ef990e59eea62f64.pdf Acessado em 30/05/2011.
RADFAHRER, L. Aula 08: Papel, Acabamento e Encadernação.
Disponível em http://www.luli.com.br/eca/pg/?p=590 Acessado em 28/05/2011.