Diego Martins Gomes


				

				

Número USP: 6515266
Curso: Publicidade e Propaganda (Noturno) - Turma de 2008
E-mail: diegomagomes@hotmail.com

Disciplina: Produção Gráfica
Orientador: Luli Radfahrer


Tabela de conteúdo

[editar] Bom Design x Mau Design

Dando uma olhada em como anda o design dos cartazes de filmes que podemos encontrar por aí, chamaram minha atenção dois cartazes de filmes de uma mesma franquia...

OBS: para ambos os exemplos foi desconsiderado aqui o impacto – e a relevância – da redação para a mensagem do cartaz, sendo observado apenas a forma como ela está sendo apresentada.


[editar] “Bom design”: cartaz do filme Step Up

stepupposter.jpg
Step Up

O cartaz tem elementos que trazem harmonia à cena apresentada, e que transmitem o conteúdo do filme sem dar ênfase a uma cena ou outra, e sim ao todo. Pode-se observar isso no conceito trabalhado, como uma associação das partes do enredo, ao mesmo tempo revelando suas ambientações (na imagem da escola, ao fundo, e da(s) rua(s), em primeiro plano, onde se encontram os protagonistas), a relação dos protagonistas (um romance jovem, mas que vai para um caminho diferente do “intenso e picante”, como revelam suas expressões), e o principal do filme: a dança (um simples olhar basta para entender as expressões e posições de ambos como uma dança). O que podemos chamar de arte nessa produção se dá principalmente por conta da produção fotográfica, mas a qualidade do design vai além, se encontra na combinação desta com o texto: o tipo de letra usado faz um belo jogo com a cena (que não fica carregada) – destaque para o título, que aparece como se estivesse escrito à mão e com giz, e não chapado como se vê em muitos cartazes empobrecidos nesses detalhes.


[editar] “Mau design”: cartaz do filme Step Up 2 - The Streets

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Step Up 2 - The Streets

Outro filme da franquia, contando a história de outros personagens. O que chama atenção é uma considerável alteração no conceito do cartaz: ficou mais carregado, poluído, com informações visuais em excesso. Os efeitos fotográficos são exagerados, e o cartaz não traz muitos elementos importantes enredo, parecendo mais querer contar uma cena (possivelmente a mais marcante, mas não única) do filme – e isso é um cartaz, não um trailer. Vale observar ainda que a protagonista aparece curiosamente duplicada no alto do cartaz, o que causa sim estranheza, de uma forma negativa – se a idéia era mostra-la dançando, não deu certo. E mais perigoso ainda: quem não conhece a franquia pode encontrar certa dificuldade em saber, sem ler a sinopse, do que se trata o filme: dança, um thriller ou um filme pornográfico, pelo conjunto que o cartaz forma... E ainda que fuja à discussão, nem a redação consegue ajudar muito – e já retomando, o tipo de letra usado para o título parece tentar remeter, sem sucesso, à arte de rua, que vai além de letras borradas e aparentemente desorganizadas. A mensagem não é transmitida de forma adequada, nem passa o espírito do filme (para os que conhecem e os que não).


[editar] Avaliação Gráfica

Analise gráfica de diferentes estilos de arte e design.


[editar] Fotografia

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Na imagem, a harmonia se faz pela participação dos elementos: ambos os jogadores estão atentos à mesma situação. Há uma clara hierarquia visual: primeiro nota-se o jogador atacante e o que ele faz, e a seguir o jogador defensor (que prende a atenção e enfatiza a cena por ser o goleiro) e sua reação. Há uma narrativa clara: pela posição de braços e pernas de ambos os jogadores, pela expressão do goleiro, e pela situação registrada, é possível prever o que acontece a seguir, sem a necessidade de mostrar diretamente a conclusão da cena. A mensagem foi transmitida.


[editar] Artes Plásticas

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A hierarquia se faz notória nessa imagem quando percebemos que nossos olhos seguem o jogo de luz e sensação de reflexo proporcionada por ela. Primeiro observamos o reflexo no chão (e notando que é um reflexo pela presença, forma e posição do objeto retratado) e depois olhamos para o que está sendo refletido (a arquitetura que seria a verdadeira, e também o chafariz) e só então observamos o pintor e que tudo se trata de uma pintura, e não de um lago, como poderia parecer numa rápida olhada (e associação de elementos óbvios). Esse é o elemento “estranho”, que prende a atenção para a imaem. A narrativa visual se desenrola enquanto vemos o pintor prosseguir com seu trabalho, e há uma harmonia fluida, no movimento quase circular que fazemos para observar toda a obra e perceber que todos os elementos fazem parte de um conjunto só.


[editar] Cartaz

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Há uma harmonia interessante na imagem, e na relação dela com os elementos textuais presentes no cartaz – tenha sido pensado dessa forma ou por feliz coincidência. Os elementos do cartaz se combinam para contextualizar e sintetizar toda a história do filme, antes mesmo de se ler o texto – que fica como um apoio, um reforço para o visual. A hierarquia parte da imagem para o texto. A presença de um casal com a proximidade que têm indica que se trata de um romance. Mas com um clima dramático: o casal não sorri, e sequer estão olhando um para o outro. E ela está em cores, enquanto ele está em preto e branco. Há um distanciamento entre ambos, e pela forma como estão próximos e com expressão serena, querem ficar juntos, mas há uma barreira que os impede. O texto, posicionado ao centro, reforça essa barreira, quase formando uma coluna entre os dois.


[editar] Basmala

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A basmala é uma arte que combina caligrafia e desenho, formando figuras ou formas das mais diversas. Ainda que não se conheça a escrita ou o idioma, não se pode deixar de notar que há uma consistência dos elementos, e que eles se destinam a transmitir alguma mensagem. Há uma fluidez agradável e uma consistência de formas, com muitas curvas ritmadas e um equilíbrio oscilante entre traços mais finos e outros mais largos, provavelmente os com tom mais firme na mensagem. A disposição dos elementos dá continuidade ao tom e podemos notar seu movimento, muitas vezes percebendo onde é o começo e o fim de cada uma delas.


[editar] Mosaico

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O que temos aqui são mosaicos humanos, imagens formadas a partir da disposição ordenada de pessoas. Ambas, formadas por milhares de soldados da Primeira Guerra Mundial, são facilmente associada aos Estados Unidos: a águia (símbolo do país) e o presidente Woodrow Wilson. O mosaico apresenta-se interessante não apenas por sua forma e materiais que utiliza, mas também pelas possibilidades que permite, como a de criar uma imagem a partir de tantas outras combinadas. A repetição de formas das partes que formam o mosaico e a disposição das mesmas como se cada uma se encaixasse à outra configuram uma continuidade que nos permite compreender o que é apresentado. Há harmonia entre todos os elementos, que participam integrados para a formação do todo, e a combinação de cores e encaixes dá origem à obra. Além disso, o contexto é enfatizado quando as partes e o todo se relacionam – nas duas imagens apresentadas, soldados norte-americanos estão agrupados formando símbolos nacionais, reforçando assim o patriotismo e a máquina de guerra norte-americana.


[editar] Sumi-e

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A simplicidade dessa arte remete a uma síntese de elementos que nos traz algo através de pinceladas ágeis e delicadas. As formas são inacabadas, não possuem detalhes realísticos como em uma pintura: a preocupação esta na fluidez, no movimento. No entanto, são completas na construção dos elementos, e a preocupação com certos detalhes extraem a essência do que é retratado. Há um equilíbrio conciso entre o estático e o móvel, entre o vivo e o bruto: tudo parece vivo, completo. Cenários, ambiente, situações rápidas são contadas de maneira sucinta, imediata: olhamos e entendemos.


[editar] Iluminura

iluminura.jpg

Um elemento aplicado a textos para dar uma enorme ênfase ao que está sendo contado, de tal forma que o visual acaba superando o textual em termos de hierarquia em uma página. Geralmente partindo de uma letra capitular que inicia a parte do texto já apresentada pela imagem, em alguns casos pode ocupar uma grande parte da página, abandonando a harmonia e partindo para um equilíbrio onde a forma dá ritmo à leitura. Partindo da imagem para o texto, contextualiza e inteira o leitor daquele momento, dando relevância e ilustrando a narrativa. Como na imagem, algumas partes do texto podem vir em destaque, associando-se à imagem e formando um elemento só, equilibrado e em primeiro nível hierárquico em relação ao resto da página.


[editar] Caligrafia asiática

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Traços ágeis e fluidos, com firmeza em cada curva, dobra e ruptura de linha são características desse tipo de escrita, que mais do que nos fazer entender uma palavra, parece querer nos trazer a essência de algo: um pensamento, um som, uma imagem. Enquanto em alguns momentos há equilíbrio entre o reto e o curvo, parecendo ser instantes diferentes, em outros há uma harmonia na repetição de movimentos, que parecem mais rápidos, acelerando a leitura (e talvez a pronúncia). O peso da imagem parece indicar que a hierarquia de leitura é de cima para baixo (há menor quantidade de elemento acima, mas seus traços são mais longos, enquanto embaixo há mais elementos, com traços mais curtos e variados). A interpretação é válida mesmo quando o idioma não é conhecido: no símbolo superior a mensagem parece ser mais rápida, instantânea, urgente, direta, enquanto o símbolo inferior parece remeter a algo mais complexo, que precise ser pensado e trabalhado, refletido.


[editar] Anúncio

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Um anúncio simples, direto, com grande apelo visual. O elemento “estranho” talvez esteja justamente na quase ausência de texto. O que primeiramente chama a atenção é o enorme espaço em branco, e a seguir as “bolinhas” que, num olhar desatento, não possuem um sentido claro. Olha-se então a assinatura, que mais do que indicar a mensagem do anúncio (considerando que nem todos conhecem o anunciante), mostra a posição em que ela deve ser lida. Repentinamente a mensagem fica clara: uma folha de caderno, muitas árvores. A composição dos elementos, a ordem de interpretação e o equilíbrio entre um grande vazio e toda a mensagem num canto da página constróem a mensagem, fazem pensar, cumprem o papel do anúncio.


[editar] Website

http://www.braspress.com.br/

A Braspress apresenta um website interessante: limpo, organizado e eficiente. Os menus e opções estão dispostos de maneira que se possa rapidamente encontrar o que se deseja. Há alinhamento dos elementos, e consistência da disposição dos mesmos em todos os setores visitados: uma grande imagem logo abaixo do menu principal, e informações e outras opções a seguir. Com um arranjo simples e funcional, logo ao abrir o website é possível identificar o setor em que atua a Braspress (pela imagem inicialmente apresentada) e também a sua área de abrangência (pelo mapa e pela frase no menu à esquerda). Estes são os elementos primários na hierarquia visual, suficientes para descrever os serviços prestados pela empresa. Ainda que se possa evoluir, chama a atenção por arriscar uma linguagem diferente da adotada por outras empresas do setor: websites que mais parecem meros formulários on-line.


[editar] Análise de Designers

Analisar a obra de dois designers.


[editar] Milton Glaser

Milton Glaser realizou obras importantes no mundo do design gráfico, quando ainda outros estilos eram dominantes no mercado. Seu estilo, o Push Pin, ficou famoso e tornou-se referência. Suas obras seguem um estilo diferenciado, não se prendendo a um padrão ou estilo definido. Ou melhor, seu estilo é justamente ser abrangente, buscar diversas inspirações e elementos para criar. As principais fontes de suas inspirações são os desenhos (muitas vezes parecendo ter sido feitos à mão) e a cultura da época, com diversos movimentos musicais e sociais que refletia em suas obras. Há oscilação na qualidade de suas produções, alguma excelentes e outras deixando a desejar, numa constante inovação e busca de novas inspirações, não se prendendo apenas ao “bom design”.

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Buscando algo além de suas mais famosas obras, nos deparamos com esse exemplo: um anúncio para uma organização que trata da discriminação racial e de problemas sociais diversos. Simples, direto, fazendo uso de elementos culturais contemporâneos, em uma obra que não tem glamour mas tem suas qualidades, Glaser revela sua habilidade em usar elementos simples, símbolos universais, para sintetizar uma mensagem clara e que todos podem captar e entender.


[editar] Bruno Munari

Bruno Munari fundou, junto a outros artistas de sua época, o movimento da Arte Concreta. Suas inspirações vieram do futurismo, e também teve influência do surrealismo e do construtivismo, além de interesse nos estudos da Gestalt. No decorrer da sua carreira atuou no design industrial, criando formas não apenas funcionais, mas visualmente atraentes, seja pela beleza ou pelo desafio que propunham. Suas obras parecem compor elementos que se mesclam ao ambiente em que estão, mas que de alguma forma destoam de sua real aplicação ou condicionamento, fugindo para um campo abstrato onde a sensação transmitida pela transgressão retratada é a essência impactante em suas obras.

Munari_Bruno_03.jpg

A idéia de um simples garfo dourado retorcido não é algo que choca ou sucinta interesse, mas a forma como Munari o dispõe em sua obra Forchetta Parlante (1958), com o cabo curvado e os dentes dobrados de forma a mantê-lo em pé, parece dar-lhe certa energia, como se o objeto ganhasse vida e sua existência saltasse para um campo sensorial em que podemos ver seu movimento, sua fluidez, a harmonia das formas. Ele quase se comunica com seu observador. Uma reinvenção da arte escultural que seguia os padrões da verossimilhança, compondo em si uma mensagem hora bem humorada, hora irônica e crítica.





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