David Carson
Nascido no Texas mas logo se mudando pra Nova Iorque, Carson sempre viajou muito, inicialmente acompanhando seu pai e futuramente levado pelo sucesso de sua arte, as diferentes culturas pelas quais passou, principalmente as latino-americanas, influenciaram diretamente em seu estilo.
Surfista profissional renomado, sua carreira o ajudou a fazer a direção de arte de varias revistas de musica, surf e skate, nas quais teve a possibilidade de criar, aprimorar e difundir seu estilo. Sem medo de quebrar regras, suas criações se caracterizavam pela distorção e mistura de tipologias e imagens, diagramando-as quase ilegíveis. Foi considerado inovador até por quem não gostava de seu estilo, sendo mais tarde considerado o pai do grunge.
O impacto de sua nova forma de design foi muito aceita pela geração jovem, que ajudou a popularizar um estilo inicialmente considerado underground mas que inspirou muitos jovens designers a adaptarem-se aos novos padrões que David Carson criou. Mesmo não seguindo padrões tradicionais do design, Carson saiu da “cultura surf” para fazer trabalhos para grandes empresas como Nike, Levis, Citibank, entre outras.
Mesmo sendo muito criticado por designers conservadores, Carson é uma das maiores influencias no design moderno nos últimos vinte e cinco anos. Ele pegou imagens e tipologias e as modificou de tal forma que aparentemente atrapalhariam a mensagem mas na verdade comunicavam através da composição e diagramação.
--Ricardo Azevedo 05h34min de 6 de Julho de 2008 (UTC)
David Carson (1956) tornou-se um ícone do design a partir da década de 90. Conseguiu através da revista Raygun chamar a atenção para si, de forma a ser considerado hoje o pai da linguagem visual dita pós-moderna. Não formado em design, Carson era sociólogo e surfista quando, num contato de duas semanas com o design gráfico, resolveu aderir a ele. No seu repertório está um uso variado e criativo da tipografia, muitas vezes com tipos fantasia, além de recursos gráficos classificados como “sujos”, “rebeldes”, “transgressores” etc.
A linguagem de Carson remete a um universo do design moderno pós-I Guerra, ligado ao Dadaísmo, mais especificamente a Merz, artista plástico considerado um dos pais da Instalação com sua Merzbaus. Influenciados pelo uso tipográfico livre de alguns artistas gráficos construtivistas russos, os designers desse grupo inovaram ao utilizar mais de uma face tipográfica para as obras, de forma a criar uma textura visual interessante e coesa com sua proposta intelectual, que abrangia a desesperança na promessa salvadora da tecnologia, racionalismo e idealismos que se propunham nos tempos precedentes, e que caíram por terra com a I Guerra. Nas décadas de 50 e 60, foi um estilo que permaneceu estagnado, pois o funcionalismo, seja ele norte-americano ou alemão, era dominante. Todavia, o design dadaísta acabou retomado na década de 70, quando a arte conceitual começava a tomar parte no cenário artístico como reação ao funcionalismo.
Carson possui um trabalho que remete diretamente, e não por acaso, a essa tradição de projetos gráficos. Enquanto sociólogo, certamente teve contato com a filosofia niilista Dada e todo o momento relativista que estava começando a nascer nas décadas de 70/80, o que acabou influenciando-o em sua abordagem gráfica. Suas soluções gráficas são via tentativa-erro, assemelhando-se mais a um trabalho ilustrativo autoral que a um projeto efetivo de design.
--Rodrigo Souza da Silva