Consistência e tolerância
Vitor Fontana Fernandes
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[editar] Consistência e tolerância
[editar] Introdução
Toda criação é regida por um racional, uma lógica, definida pela necessidade básica que o design se prepõe a atender. A fim de traduzir esse racional de uma forma unitária, coerente e correta o planejamento deve levar em conta um aspecto muito importante: A consistência.
[editar] Definição
É necessário primeiramente, entender duas perguntas: O que é consistência e para que ela serve? Vamos olhar para a definição de consistência:
Substantivo
con.sis.tên.cia feminino
1.firmeza.
2.(figurado) perseverança; constância.
3.(Lógica) coerência.
Categoria: Substantivo (Português)
Olhando para o significado “2” (figurado, o qual nos diz respeito) e adaptando para nosso contexto de planejamento gráfico podemos entender que consistência é constância nas interações entre elementos. Isso significa que, um planejamento gráfico consistente é aquele o qual elementos interagem de forma similar, aparecem de forma guiada e, acima de tudo, tem um propósito claro e uma lógica agregada à sua apresentação.
[editar] Porque ser consistente?
Isso, então, leva à segunda questão: Porque precisamos de constância no design? Isso se dá por três motivos:
Todo elemento deve ter uma finalidade e, portanto, uma lógica em seu emprego. Dessa forma é obrigatório que designs com iguais finalidades sigam as mesmas lógicas de criação e aplicação, obedecendo, portanto uma determinada constância. Mesmo designs diferentes, quando criados para um mesmo propósito, devem apresentar similaridades. Do contrário, o racional não está sendo devidamente explorado ou traduzido e gera respostas desconexas e não dialógicas. A consistência traz unidade e identidade, sendo então, fundamental. Este é o primeiro motivo.
A segunda razão para essa necessidade é estética. Organização no design, como sabemos, é fundamental. Designs sem organização são caóticos e não são agradáveis. Estabelecer uma consistência é, também (ainda que não a única e tampouco absoluta forma), um modo de organizar a estética, gerando harmonia e agradando aquele que vê.
Vamos ver então um exemplo de inconsistência de design e as implicações estéticas disso.
[editar] Exemplos de boa e má consistência em design
[editar] A inconsistência
Podemos observar na imagem a cima algumas claras inconsistências de design: Primeiramente as formas acentuadamente curvas do ícone não dialogam com o formato seco e retilíneo do logotipo. Para aumentar ainda mais a discrepância o slogan está com uma fonte diferente das outras duas exploradas aumentando ainda mais o conflito da imagem.
[editar] A consistência
Por outro lado encontramos agora um bom exemplo de constância de design. Repara-se com facilidade que as formas curvilíneas da Logomarca dialogam ativamente com a fonte do Logotipo, ficando evidente que tudo está sendo abraçado por uma única regra.
[editar] Como estabelecer consistência e o que são Guidelines?
Entendemos assim a importância da consistência no design. Porém a questão agora é: Como pode ser estabelecida essa consistência?
A fim de que os designs sigam um determinado padrão é necessária a criação de uma regra, procedimentos lógicos para orientar quais elementos pertencem àquela criação e quais não pertencem, quais interações são válidas e quais estão fora. Essas leis, chamadas de “guidelines”, contêm informações como as cores devem fazer parte do excerto, exemplos de utilização de linhas, exemplos de combinações de elementos, etc., que organizam as criações e as idéias, agrupando-as dentro de uma mesma identidade. Vale lembrar que esse código, no entanto, está sujeito à interpretação e depende de um olho treinado para ser devidamente entendido e respeitado.
Porém, as criações não devem ser idênticas. Mesmo respeitando a consistência adequada, existe grau de liberdade. Essa liberdade é a tolerância. Essa, assim como a consistência, pode ser definida pelos guidelines. Como regra geral, porém, tudo aquilo que não consta no manual é livre e pode ser explorado.
Entendemos assim que existe a forma correta de aplicar elementos e também a forma errada. É fundamental o exercício do bom senso e olho crítico para identificar se o design criado está compreendido na unidade proposta.