Comunicação visual
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[editar] Comunicação
A comunicação é, desde sempre, parte integrante e fundamental dos relacionamentos humanos. Trata de um processo de intercâmbio de mensagens, realizado a partir de signos conhecidos pelas partes envolvidas, trabalhando como suporte materializando e possibilitando a transmissão de informações e sentimentos. Os processos comunicacionais podem se dar de diversas maneiras, sendo uma das mais importantes – principalmente na modernidade – a comunicação visual. Esta consiste em toda comunicação expressa através da utilização de elementos gráficos – iconográficos, indiciais ou simbólicos – aplicando-se em todo processo de comunicação nos quais a percepção se dá através da visão. Mesmo antes de o homem viver em sociedade, tal como a concebemos hoje, as pequenas tribos já dispunham de mecanismos que possibilitavam a integração e o entendimento interpessoal. Tal comunicação, entretanto, é ainda considerada primitiva ou rudimentar por não adotar os sistemas simbólicos – como as letras e palavras – que hoje ainda consideramos os modelos ideais e fundamentais para tal processo. Contudo, não por isso devemos ignorar o valor comunicacional empregado às ferramentas por esses povos utilizadas – principalmente àquelas de natureza visual.
Ao longo de toda a história, temos a comunicação visual sendo empregada amplamente para os mais diversos fins por povos de diferentes naturezas. Desde o Egito antigo, passando pela Grécia, Roma, Idade Média – e até as sociedades do extremo oriente – essa forma de comunicação foi utilizada para atingir uma população predominantemente analfabeta. Devido a essa baixa capacidade interpretativa dos povos analfabetos, a comunicação visual se dava, então, devido à similaridade da linguagem visual com a realidade. O linguagem gráfica, em sua grande maioria, carecia de um significado simbólico, e atinha-se a seu sentido literal (uma exceção é o uso religioso).
Foi no Renascimento, mais especificamente em seu contexto histórico, que a comunicação visual começou a evoluir efetivamente. A imprensa de Gutenberg, a Reforma cristã e o conseqüente aumento no nível de alfabetização da população européia cooperaram para o desenvolvimento da capacidade interpretativa da população média. Concomitantemente, a formação dos Estados Nacionais começaram um processo de estreitamento do relacionamento entre povos outrora distantes. Essa aproximação de povos distintos viria a culminar em um processo que alçaria a comunicação visual ao centro da comunicação global.
[editar] Globalização e Mídias
O isolamento histórico entre os povos acarretou uma diversidade não apenas geográfica, mas de suas realidades, e conseqüentemente suas linguagens. Com a globalização, a aproximação de culturas antes inacessíveis umas às outras e a subseqüente necessidade do estabelecimento de um processo eficaz de comunicação, veio à tona a ineficiência que a linguagem mais empregada até então – a verbal – apresentava na tarefa de consolidar este contato intercultural. Um meio de transpor tal limitação foi a exploração de uma outra forma de comunicação cujos signos pudessem ser compreendidos pelas diferentes partes desse mosaico cultural. Trata-se da comunicação visual, que explora signos cuja relação de semelhança com a realidade proporciona uma universalidade cognitiva que as línguas verbais, por exemplo, não possuem. A imagem é aos poucos transformada em importante fonte de informação, enquanto que a comunicação verbal aparece cada vez mais para completar o sentido de suas mensagens ao invés de comunicá-lo integralmente. Entretanto, vale salientar que a “abordagem lingüística e discursiva não foi simplesmente substituída pela pictórica e figurativa, mas tornada mais complexa por infiltrações mútuas" [1].
Apesar de sua universalidade, contudo, a comunicação visual não pode cumprir seu objetivo, isto é, de ser compreendida por diferentes culturas, se não possuir um meio eficiente de propagação de suas mensagens. Assim sendo, a partir do século XVIII, começa o surgimento de uma série de mídias que sempre aprimoram-se com relação às suas predecessoras. Esse processo está claramente relacionado com o processo de globalização, uma vez que a evolução midiática se dá também no aspecto da abrangência das mídias, culminando nas mídias massivas do século XX.
A primeira das mídias de larga escala foi o jornal. Uma expansão da mídia de Gutenberg aprimorada pelos avanços técnico-científicos da Revolução Industrial, ela consistia, em seu surgimento, de uma mídia completamente escrita e, portanto, não tem importância no âmbito da comunicação visual a não ser como ancestral das mídias visuais. Ainda assim, dominou o século XIX. Da mesma maneira surge o rádio, no início do século XX, e introduz o conceito de mídia de massa, com transmissão por ondas.
Finalmente, na metade do século passado, surge a televisão. Este se consolida, em curto espaço de tempo, como a mídia de maior alcance do planeta em detrimento do rádio. Explicita-se, nesse período, a universalidade da imagem contra o regionalismo da linguagem verbal. Munindo-se do mesmo sistema de transmissão, as ondas eletromagnéticas, a televisão obteve sucesso muito maior que o rádio, comprovando que a mensagem transmitida por ela podia ser apreendida ao redor de todo o globo. Paralelamente, a indústria da mídia impressa também se desenvolveu, e os jornais passaram a ser suporte também para imagens e ilustrações, ganhando abrangência muito maior.
Finalmente, no ponto alto do desenvolvimento midiático, surge a Internet. Em essência, a Internet não pode ser considerada uma mídia predominantemente gráfica, já que ela se utiliza amplamente de textos. O diferencial, porém, é como se dá a comunicação. A Internet acaba com a unilateralidade da comunicação visual presente em qualquer mídia gráfica anterior. Nela a comunicação visual torna-se possível no nível interpessoal. Concomitantemente, ela aproxima-se muito do ideal da globalização, que é atingir o mundo inteiro (ao menos geograficamente). A Internet, então, se torna a base para comunicação visual interpessoal mundial.
[editar] Percepção e Interpretação
Consideramos os estímulos visuais como dotados de uma natureza mais universal que outros signos utilizados nos processos de comunicação pelo fato de guardarem maior relação de semelhança com a realidade exterior a eles. As fotografias e os vídeos, por exemplo, comunicam imagens que funcionam como simulacros do real e, portanto, são mais facilmente identificadas por seus receptores. Ao contrário do que ocorre com uma palavra cuja percepção e entendimento dependem de um processo sócio-cultural consensual, as imagens e os elementos visuais podem ser concebidos, mesmo que superficialmente, por sujeitos de diferentes realidades. Isso ocorre, sobretudo porque sua percepção se dá principalmente num nível de primeiridade e secundidade, ou em outras palavras, a sua interpretação como signo e como relação com a realidade não depende de um raciocínio mais rico ou elaborado, uma lógica ou uma maior abstração por parte do interpretante, mas concentra-se no seu caráter icônico e indicial. No âmbito da comunicação, portanto, tal princípio funciona como um mecanismo facilitador para o emissor inserido num mundo globalizado. Este, que tem cada vez mais a necessidade de comunicar uma mesma mensagem para diferentes públicos, encontra nos elementos visuais a possibilidade de comunicar através do estímulo de sentidos (no caso a visão) que conseguem operar quase que instintivamente, não dependendo de uma bagagem prévia e complexa como na comunicação verbal.
Entretanto, ainda que a percepção não exija um trabalho cognitivo maior as mensagens visuais para serem comunicacionalmente efetivas devem provocar determinadas interpretações previstas e do interesse de seus emissores. Para tanto elas devem condizer com a capacidade e os conteúdos dos receptores para que estes estejam aptos a não apenas perceber os elementos visuais, como também processá-los, interpretá-los e consequentemente responder a tais estímulos. É justamente neste nível do processo de comunicação visual que as diferenças culturais, que num primeiro momento não eram cruciais para a recepção de tais mensagens, mostram sua importância. As diferentes realidades acarretam diferentes interpretações das mensagens visuais, mesmo que estas tenham sido apreendidas igualmente.
Nesse sentido, o sistema hoje vigente preocupa-se em, não apenas encontrar ferramentas e meios de possibilitar uma comunicação global, através de uma linguagem “universal”, como também trabalha para formar substratos cognitivos mais ou menos homogêneos que garantam a efetivação dessa comunicação; neutralizando progressivamente as barreiras – em todos os níveis – que possam interferir em seus processos.
Além disso, a expressividade e o caráter estético dos elementos visuais trabalham sentidos e experiências que outros signos comunicacionais não o fazem. As cores, os contrastes, a energia e clareza de cenas da realidade são alguns aspectos únicos que só podem ser comunicados visualmente. Por estes e outros esta comunicação exerce um amplo e importante poder de conquista, sedução e apreensão sobre seu espectador.
É, então, devido ao caráter quase que instintivo de sua percepção (que proporciona uma maior facilidade de absorção), aliado à sua natureza estética e expressiva e às diretrizes globalizantes do mundo atual, que a comunicação visual ganha progressiva importância. Paralelamente sua combinação com formas já consolidadas (especialmente a verbal) vem promovendo o aparecimento de uma nova concepção de comunicação – mais rica, complexa e dinâmica – que provavelmente mediará as relações interpessoais de um futuro muito próximo.
[editar] Uma imagem vale mais que mil palavras
Por que então a comunicação ainda necessita tanto combinar os sistemas visuais com lingüísticos e discursivos?
Pois nossa alfabetização visual é ainda mínima ou inexistente, uma ínfima parcela das sociedades mundiais tem a capacidade para abstrair os significados e interpretações que uma imagem por si só trazem a seu espectador. Assim sendo, as “legendas” são necessárias, e na maioria das vezes oportunistas, pois se aproveitando das lacunas cognitivas que as imagens provocam frente aos espectadores – em níveis técnicos ou não – aqueles que as comunicam têm a possibilidade de indicar a direção das respectivas interpretações de acordo com seus próprios preceitos e interesses. Portanto, é preciso rever em que contextos e para quais sujeitos uma imagem realmente vale mais do que mil palavras ou são as palavras a eles comunicadas que acabam sugerindo o valor das imagens que este recebe.