Composição cromática

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Maria Eduarda Zorél Meneghetti

Cores!Você já deve ter percebido a gama magnífica de cores existente, e provavelmente, a infinidade de combinações possíveis dessa colorida diversidade. Se na infância de alguns, a caixa de 32 lápis já representava muita dor de cabeça no momento de decidir a cor mais pertinente para pintar o barquinho do desenho, imagine a situação em que todas as cores, dependendo do sistema utilizado seja este aditivo ou subtrativo, estejam a disposição do individuo. Imaginou o drama? A mau escolha das cores podem comprometer a mensagem pretendida do trabalho. Mas nem tudo são pedras para alguns...Combinar cores pode ser muito divertido. A combinação dessa variedade colorida é divertida quando realizada com coerência com o objetivo da mensagem e baseada em critérios bem fundamentados. Pois bem, leitores,vamos então aprender a nos divertir com as cores!


Do mesmo modo que linguagem verbal dispõe de componentes gramaticais estruturados sintaticamente, a composição apresenta elementos que se ordenam com um determinado desígnio comunicativo. Assim como o tamanho, a cor é um importante componente da linguagem visual, despertando diferentes impressões de acordo com as combinações existentes entre os elementos da composição.


Por um instante, pensamos no modo em que lemos os elementos visuais, sejam esses verbais ou não-verbais, presentes em uma revista ou em capa de livro. Para onde nossos olhos recaem ao primeiro momento, ao segundo momento e assim por diante? Há algum sentido visual que nos orienta ao longo de nossa leitura?


Na verdade, todo design cria um sentido visual com os elementos verbais e não-verbais, o que diferencia um bom design de um mau design é a determinação e a ordenação dos elementos compositivos. Da mesma maneira que existem textos bem articulados e estruturados, existem textos desconexos e desordenados. Se estivermos nos retratando a um bom design, atento ao objetivo da mensagem haverá sem sombra de dúvidas um caminho de leitura anteriormente planejado, com cada componente da composição com uma função intencional e coerente com a finalidade do projeto.


Destacamos também ao fato de que o modo de lermos uma composição não se restringe apenas as escolhas compositivas realizadas pelo designer, na verdade, a maneira como decodificamos uma composição visual resulta da combinação da experiência adquirida durante anos de evolução de nosso aparelho visual e de nosso cérebro com os estímulos provenientes de nossa cultura, influenciando em como ler e ver textos e imagens. (BANKS, A.; FRASER, T. 2007, p. 118).


Primeiramente é preciso estar claro o objetivo da mensagem, a partir disso, estabelece-se o critério e as estratégias para a escolha e uso das cores na composição, buscando os tons adequados, mesclando matizes para resultarmos em composições mais impactantes, tranqüilizantes, entre outras tantas possibilidades (BARROS, L. R. M., 2007, p. 15). Dessa forma, a composição cromática cria planos de percepção, criando interações entre os elementos visuais seja os separando, os unindo, os categorizando ou lhes conferindo realce (A cor como informação, p 25).

Entendendo a composição por meio do princípio “figura e fundo” e a composição como uma sobreposição de várias layers, uma sobreposta a outra, percebe-se mais claramente a interação dos elementos e, nesse caso, do elemento cor e as impressões produzidas por esse.


De acordo com a temperatura das cores percebemos que as matizes mais quentes têm o efeito de avançar no receptor, destacando-se, enquanto as de temperatura mais fria retraíssem. Pela sinalização de trânsito percebemos esse efeito, placas de advertência e de regulamentação, de matizes quentes, são bem chamativas e saltam aos nossos olhos em meio à paisagem, coerentes com o objetivo da mensagem a que se propõem (BANKS, A.; FRASER, T. 2007, p. 120).


A cor da figura está intimamente dependente da cor do fundo. A tendência de uma cor avançar ou recuar pode variar, em fundos muito escuros ou muito claros, uma cor pode se intensificar, caso do azul no branco. Os elementos da composição com mais valor sempre se destacam mais que os demais. Figuras claras em fundos escuros ganham maior luminosidade, mais valor. Fundo em meio-tom interfere na definição dos valores: todos mais claros ou mais escuros. Caso a figura seja mais clara que o meio-tom, o efeito é mais delicado e suave, caso a figura seja mais escura, o efeito é mais escuro (BANKS, A.; FRASER, T. 2007, p. 120).


Pela combinação de cores, poderemos também evocar movimento, profundidade à medida que variamos a matiz, a luminosidade e a saturação (p.76 A cor como informação ) ou, se a intenção é sugerir mais estabilidade, com ausência de movimento, a seqüência repetida de cor são mais estáticas, principalmente quando fazemos uso de cores complementares (BANKS, A.; FRASER, T. 2007, p. 121). Além disso, pela variação do valor e/ou saturação pode-se indicar a direção do movimento e criar-se uma relação de distância. Por exemplo, elementos mais distantes, são percebidos como mais claros, menos saturados e com pouco contraste. Assim, efeitos borrados ou reduzir os detalhes dos desenhos são estratégias compositivas que auxiliam para transpassar essa impressão (BANKS, A.; FRASER, T., 2007, p. 121).


REFERÊNCIAS

BANKS, Adam; FRASER, Tom. A Composição Colorida. In: O Guia Completo da Cor.
Tradução de Renata Bottini. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.


BARROS M. R., Lilian. A Cor no Processo Criativo: Um Estudo sobre a Bauhaus e a Teoria de Goethe.
2ª edição. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.


GUIMARÃES, Luciano. A Cor como Informação: a Construção Biofísica, Lingüística e Cultural da Simbologia das Cores.
3ª edição. São Paulo: Annablume, 2004.
Disponível em http://books.google.com.br/books?id=kcQqB9FmL6wC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q=composi%C3%A7%C3%A3o%20&f=false
Acessado em 28/05/2011.


Blog de Luli Radfahrer. Disponível em http://www.luli.com.br/eca/pg/


GLOSSÁRIO


Valor: Refere-se ao brilho da matiz de um elemento da composição.


Figura 1: A progressão da cor confere dinamicidade, transferindo a sensação de movimento e profundidade.

http://almadoartista.blogspot.com/2009/02/joseph-albers-exposicao-homenagem-ao.html  



Figura 2: Em fundo escuro as cores se intensificam e saltam aos olhos. http://i793.photobucket.com/albums/yy216/JMNeto/29BienalCartaz-1.jpg?t=1275690331

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