Como avaliar design
por Gustavo Haruki Kume
Como Avaliar Design
O design está sempre rodeado por uma aura de subjetividade. Para a pessoa comum, avaliar algo sob o ponto de vista do design em geral se restringe a "é bonito" ou "é feio". Às vezes nem isso, ficando no ainda mais subjetivo "gostei" ou "não gostei". Este capítulo pretende desmistificar a idéia de que design é algo puramente subjetivo apresentando os principais critérios de avaliação com os quais é possível se avaliar uma obra de design.
Primeiramente, é interessante tentarmos entender de onde vem toda a subjetividade associada ao design. Na verdade, é bastante simples: a subjetividade existe onde não se conhecem parâmetros para se medir alguma coisa.
Toda escola ensina a seus alunos as regras gramaticais da língua falada. Assim, desde logo cedo, uma criança se depara com regras de acentuação, vocabulários diversos, sintaxe, morfologia, etc. Com isso, ela passa a ter o conhecimento para discernir se alguma coisa está escrita corretamente ou não.
Infelizmente, as escolas ainda não entenderam a importância da alfabetização visual. E a palavra alfabetização não poderia ser mais feliz neste contexto, uma vez que também podemos dizer que há morfologia e sintaxe no design. Vejamos as definições tradicionais de ambas:
Morfologia: o estudo das palavras olhando para elas isoladamente e não dentro da sua participação na frase ou período.
Sintaxe: estudo das regras que regem a construção de frases
Estes conceitos podem ser traduzidos para o design da seguinte forma:
Morfologia em Design: o estudo dos elementos que compõe o design. São eles:
- Ponto
- Linha
- Plano
- Volume
- Espaço
- Área
- Textura
- Cor
Sintaxe em Design: o estudo de como os elementos acima se combinam para transmitir a mensagem desejada. Eles podem ser combinados para formar:
- Simetria
- Equilíbrio
- Harmonia
- Proporção
- Ritmo
- Simplicidade
Há algumas variações nas listas acima mas o que importa ao final é que existem critérios claros para se basear uma avaliação objetiva de design. Porém, há outro elemento importante, talvez o mais importante, sem o qual a sintaxe e a morfologia acima perdem o sentido. Todo trabalho de design gráfico tem um objetivo, tem um fator motivador por trás. Pode ser vender um produto, uma idéia ou serviço, atrair visitantes, facilitar a vida de alguém, etc. Mas o fato é que a verdadeira avaliação do design passa por analisar se os elementos utilizados, e a forma como foram utilizados, foram eficientes para cumprir o objetivo proposto.
Naturalmente, a pergunta seguinte é: mas como saber se os elementos foram devidamente combinados?
Cada combinação de elementos se traduz em determinadas percepções. Vamos voltar às possibilidades de combinações de elementos, e ter uma idéia das percepções que cada uma delas proporciona, e assim, entender como relacionar mensagem e design:
Simetria
Simetria é algo não-natural, não existe na natureza. Assim, design simétrico tende a ser estático, parado, sem-vida. Porém, quando nos referimos a um templo, ou uma igreja, as características de estabilidade, solidez, sobriedade, são muito bem-vindas.
Equilíbrio
Equilíbrio é o posicionamento de diferentes elementos, de diferentes pesos, de forma a criar um conjunto equilibrado e estável. Como a cadeira escura de um lado, equilibrando a estante maior, porém mais clara, do outro. A falta de equilíbrio gera tensão.
Ritmo
Os melhores exemplos de design com ritmo podem ser encontrado, naturalmente, em peças relacionadas com música. O pôster ao lado, da companhia de ballet da Ópera de Paris, é um ótimo exemplo de ritmo. Ao espaçar as pernas das bailarinas usando um determinado padrão, a foto ganha vida, como se elas de fato estivessem dançando.
Simplicidade
Às vezes, as mensagens mais contundentes são passadas com pouquíssimos elementos. A simplicidade do anúncio ao lado ajuda a ressaltar os elementos existentes, especialmente, no caso, o chapéu. Caso houvesse uma série de elementos poluindo a página, a diferença entre "sem chapéu" e "com chapéu" teria se perdido, ou no mínimo teria se enfraquecido. Simplicidade ressalta o que existe no design.
Há muito mais a ser visto sobre este tema. O intuito foi mostrar que de fato é possível encontrar elementos objetivos para se analisar um design, e decidir se ele é adequado, bem-sucedido, ou não. Não se trata somente de "gostar" ou "não gostar", e sim de verificar se a mensagem a ser passada está em harmonia com o que foi criado.
Referências:
Graphic Design Basics
Amy E. Arntson
Design para Quem Não é Designer
Robin Willians
An Evaluation Model for Graphic Design Works
Yin-Tzu Chen, Dengchuan Cai, HsinFu Huang and Jane Kuo
disponível em: http://www.idemployee.id.tue.nl/g.w.m.rauterberg/conferences/CD_doNotOpen/ADC/final_paper/287.pdf
AIGA website
http://www.aiga.org/
Blog: Produção Gráfica - CRP-0357 - Prof. Luli Radfahrer
http://www.luli.com.br/eca/pg
Glossário:
Simetria: Colocação formal de elementos de design de forma a criar uma imagem espelhada, geralmente horizontal, mas também vertical.
Equilíbrio: Distribuição dos pesos visuais de cada elemento de design
Harmonia: Agrupamento de elementos que dividem caracerísticas semelhantes, de forma a criar um conjunto homogêneo.
Proporção: Relação de tamanho entre componentes de um trabalho de design.
Ritmo: Ocorre quando elementos são colocados de forma regular dentro de uma obra.
Simplicidade: Refere-se ao uso mínimo de elementos de design, com o intuito de formar uma obra limpa de fácil leitura.

