Combinando tipos

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Eduardo Marcondes

Tabela de conteúdo

[editar] Combinando Tipos

A escolha de uma tipografia adequada deve levar em conta diversos fatores: o meio onde está sendo aplicado, o contexto, relações históricas, o conteúdo do texto e as combinações entre diferentes tipografias.


[editar] Tipografia e o meio

[editar] Impressos

Em publicações é incomum o uso de diferentes famílias tipográficas, geralmente a atuação se restringe ao uso de itálico, negrito e outras tipografias da mesma família, com casos de uso de outras tipografias para títulos e outras frases curtas destacadas. Em outras aplicações gráficas, o uso de tipografias não tem tais restrições, devendo sempre atentar-se aos princípios básicos de design e expandi-los ao contexto da tipografia.

[editar] Digital

Vemos o uso tanto de tipos serifados quanto sem serifa. Mas geralmente os webdesigners assumem uma preferência, estabelecendo uma divisão de ideias. Há quem afirme que a serifa causa embaçamento na leitura em tela e há quem negue, seguindo o uso tradicional de letras serifadas de rápida leitura para textos longos. Mas é pratica comum fazer a combinação de uma família tipográfica serifada com uma sem serifa na relação título e corpo de texto.

[editar] Tipografia e o contexto

Quanto estamos montando qualquer peça que envolve texto e a escolha da família tipográfica, não podemos nos esquecer de avaliar o contexto da peça e do conteúdo do texto.

Se estamos falando de um livro, a escolha da família tipográfica deve levar em conta antes de tudo a leitura. Deve ser uma tipografia fácil de ler, para destacar o conteúdo do texto e não sua forma. No entanto, o título da obra, dos capítulos e outros destaques e textos curtos podem se aproveitar para aplicar o conceito do conteúdo na tipografia. Por exemplo, um livro que tenha como tema tecnologia, porque não utilizar uma tipografia mais mecânica, como as tipografias denominadas “Grotesk” e “Gothic”? Por exemplo a Helvetica (inicialmente chamada de Neue Haas Grotesk) ou a Century Gothic.

Uma marca que queira passar estilo e glamour pode utilizar-se da Bodoni, até hoje ligada à qualidade e glamour devido à dificuldade de impressão que possuía na época que foi desenvolvida.


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O nome da tradicional revista de moda Vogue, escrito em Bodoni


Outros textos devem seguir um padrão de estilo cultural. Um email corporativo utilizando um tipografia cursiva ou cômica não causaria uma boa impressão.

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Se você tem mais que quinze anos, isso é muito errado


[editar] Combinando diferentes tipografias

[editar] Relações concordantes

São denominadas relações concordantes quando a família tipográfica é combinada dentro de suas próprias variações, sendo a única família tipográfica utilizada. Esse tipo de relação resulta em destaques sutis e de baixo contraste.

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O texto foi escrito em Bodoni e suas versões itálica e bold foram utilizadas para realizar destaques


[editar] Relações contrastantes

As relações contrastantes acontecem quando se utilizam tipografias de famílias e classificações diferentes. Por exemplo, uma tipografia sem serifa e uma com serifa, uma tipografia romana e uma egípcia, etc. No entanto certas combinações resultam em relações conflitantes (descritas no próximo tópico). Não existe uma regra para combinar diferentes tipografias. O ideal é possuir um profundo conhecimento da história e da estrutura da família tipográfica que será aplicada. No entanto, pode se obter certa segurança nas escolhas ao observar as características estruturais dos tipos.

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Os dois tipos, Gill Sans no título e Garamond no corpo, combinam devido possuírem estruturas similares de altura e espaçamento e de leitura rápida, dinâmica


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Tanto a Helvetica, título, e a Didot, corpo, possuem um perfil mais estático e geométrico, resultando numa combinação de contraste agradável


[editar] Relações conflitantes

As relações conflitantes ocorrem quando tipografias de diferentes famílias tipográficas são combinadas de forma a gerar estranhamento ou desconforto.

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Aqui vemos uma situação onde as fontes não se comunicam. A Futura, título, uma fonte geométrica e construída, fica totalmente independente da Bodoni, corpo


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Nesse caso, as tipografias Arial, título, e Helvetiva, corpo, geram desconforto devido as diferenças pequenas que chamam a atenção do leitor, que vê algo errado, mas não necessariamente compreende o quê


[editar] Relações históricas

Ao escolher uma fonte, considere o seu conteúdo histórico e seu passado cultural. Podemos encontrar em qualquer biblioteca exemplos de tipografias que possuem relação histórica com seu conteúdo como, por exemplo, textos da revolução industrial inglesa escritas em Baskerville ou Caslon, desenhadas na Inglaterra no século XVIII.

Relacionar uma tipografia a seu histórico não significa restringir a mistura de cultura, mas sim levar em consideração a história da tipografia na hora da sua seleção para destacar o conteúdo e energia do texto, seja alinhando os momentos históricos ou fazendo combinações de séculos e culturas de maneira planejada e consciente.

[editar] Exemplo

O jornal britânico The Guardian realizou uma reforma significativa na sua versão impressa em 2005, que possuía graves problemas com relações conflitantes entre suas tipografias, passando a trabalhar somente com uma família tipográfica, criada especialmente para o jornal, a "Guardian Egyptian" (o nome refere-se ao estilo tipográfico "egípcio", cujo diferencial é a comunicação visual).

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Versões comparadas do antigo jornal e de sua reformulação visual


Assim, o jornal impresso trabalha agora somente relações concordantes. No entanto, o portal do The Guardian, trabalha com diferentes famílias tipográficas, para beneficiar a leitura em dispositivos digitais, aproveitando-se de relações tipográficas contrastantes.

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Home do portal The Guardian

[editar] Referências Bibliográficas

BRINGHURST, ROBERT. Elementos do estilo tipográfico, versão 3.0. São Paulo: Cosac Naify, 2005

LUPTON, ELLEN. Pensar com tipos. São paulo: Cosac Naify, 2006

WILLBERG, HANS PETER. Primeiros socorros em tipografia. São Paulo: edições Rosari, 2007

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