Classificação de cor

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Willian Oliveira de Assis

Tabela de conteúdo

[editar] Os sistemas de cores


Nos mais variados âmbitos da ciência, categorias são estipuladas para que o estudo seja facilitado. No estudo das cores, não é diferente. Termos como cores primárias, secundárias, terciárias, quentes e frias são recorrentes nos inúmeros livros introdutórios sobre sistema de cores e, até mesmo, nas aulas de educação artística que se tem nos ensinos fundamental e médio. Contudo, deve-se entender a essência desses termos e que, muitas vezes, algumas dessas classificações podem depender do contexto em que uma cor em especial está inserida.
Porém, antes de entrarmos no mérito da classificação das cores, devemos discutir os diferentes sistemas criados para distinguir a cor de acordo com o suporte utilizado. Dessa forma, podem ser identificadas três classificações: o Lab, o RGB e o CMYK. Segundo Tom Fraser, o Lab foi criado pela Comission Internationale de l’Eclairage (CIE), uma organização científica internacional. Esse modelo cromático é baseado na percepção e compreende três instâncias: o L, que é a luminância, ou brilho, A e B, que são gamas de cores que vão do vermelho para o verde e do azul para o amarelo, respectivamente. Pensando em edição de imagens, o sistema Lab pode ser uma boa alternativa para se trabalhar, pois possui alta gama de brilho. No entanto, deve-se lembrar que, ao fechar um arquivo, é necessária a conversão para o RGB ou CMKY, que são os arquivos realmente aceitos nos respectivos suportes.

LabSys.jpg [Sistema Lab]

Os sistemas RGB e CMYK, mais conhecidos e utilizados do que o Lab, apesar de terem algumas ligações entre si, não são complementares ou simétricos. O primeiro (que significa Red, Green, Blue) se configura em um sistema aditivo de cores, baseado na emissão de luz. É utilizado para imagens digitais, em programas de edição de imagens e ilustrações e, até mesmo, nas produções audiovisuais. Nesse sentido, banners para exibição na internet, protetores de tela, fotografias exibidas em sites na forma de slide show e os próprios layouts de sites são, todos eles, feitos ou tratados no modo de cores RGB.
O segundo (que significa Cyan, Magenta, Yellow, Key color) constitui-se em um sistema subtrativo de cores, ou seja, em tons que absorvem luz. É utilizado geralmente nos processos gráficos que serão impressos ou fotocopiados, ou seja, em anúncios de jornais e revistas, outdoors, álbuns de fotografias e todas as imagens que são impressas. Entretanto, no momento em que uma peça gráfica é produzida, é aconselhável que se use o sistema RGB, pois, neste modo de cores, são aceitos maior número de efeitos e filtros de programas de edição, como Photoshop ou Illustrator, da empresa Adobe.
Tais sistemas parecem fáceis de serem entendidos. Entretanto, a partir disso se tem variações nas classificações das cores, pois os tipos de sistema devem ser levados em conta. Vejamos, a seguir, quais são essas variações e porque é importante entendê-las no contexto do projeto gráfico.

imagem_02.jpg [Como podemos notar, os dois sistemas não são simétricos, tampouco opostos]

[editar] Cores primárias, secundárias e terciárias


As cores primárias são aquelas que não derivam que qualquer outra. Em outras palavras, teoricamente, é impossível decompor uma cor primária em duas, três, etc. e, consequentemente, criá-la a partir da mistura de outras cores. Em essência, são chamadas de cores primárias porque é a partir delas que podem ser criadas outras cores por meio da mistura.
No sistema aditivo, as cores primárias são vermelho, verde e azul e a somas desses três tons resulta em branco, ou seja, incidência total de luz. Já no sistema subtrativo, tem-se o ciano, magenta e o amarelo que, somados, resultam em algo muito próximo do preto, ou seja, na ausência total de luz.
Seguindo essa mesma linha, as cores secundárias nada mais são do que o resultado da mistura entre duas cores primárias. Dessa forma, são cores secundárias do sistema RGB o magenta (vermelho + azul), o amarelo (verde + vermelho) e o ciano (azul + verde). Do sistema CMYK, são cores primárias o vermelho (amarelo + magenta), o verde (ciano + amarelo) e o azul (ciano + magenta). Percebe-se aqui a coincidência entre esses dois sistemas, uma vez que as cores primárias de um são as secundárias de outro e vice-versa.
De acordo com Israel Pedrosa, a cor secundária é o resultado da mistura proporcional de dois tons primários. Contudo, Fraser defende que, para obter uma cor secundária equilibrada, a mistura das cores primárias deve ser feita com proporções distintas. Somente assim a cor secundária não tenderá para uma ou outra cor primária.
A cor terciária, consequentemente, constitui-se na mistura entre uma cor primária e uma secundária, desde que ambas sejam complementares entre si. Na realidade, em uma análise fria podemos concluir que é importante saber realmente quais são as cores primárias, pois são a partir delas que todas as outras cores são atingidas. Dessa forma, pode-se produzir qualquer cor em especial com precisão a partir do controle da proporção de mistura (fato que não é garantido com a adoção de um diferente conjunto de cores).

[editar] Cores complementares


A percepção humana funciona através dos contrastes. Por isso, a diferença entre os objetos, seja de forma, tamanho ou cor, é fundamental para construir uma boa peça de comunicação, para fazer-se entender diante o receptor. Isso não significa que o contraste seja necessariamente uma diferença brusca (confunde-se muito, inclusive, o contraste com o alto contraste). Contudo, se é desejado causar impacto por meio de uma grande diferença, pelo menos no aspecto cromático, o mais indicado é pensar em cores complementares. As cores complementares são aquelas que estão opostas no círculo cromático. Visualmente, elas intensificam umas às outras quando postas juntas e, quando misturadas, produzem uma cor neutra, ou sem saturação. Em design, deve-se ter bom senso ao utilizar uma cor complementar à outra em uma composição, levando em conta exatamente os princípios de harmonia, equilíbrio, contraste e hierarquia. Se há vários elementos “gritando” em uma composição, ela não passa a segurança necessária a quem a está observando. Não obstante, ganha-se muito ao utilizar cores complementares em termos de destaque; ao aplicar uma informação escrita em amarelo, sobre um fundo roxo, por exemplo, o designer conseguirá facilmente destacar essa informação, chamando a atenção para o que há de mais importante em determinada composição.
Mais uma vez, é importante que se conheça as cores complementares, ou que pelo menos elas sejam levadas em conta no momento de escolha das cores de um projeto para que se atinja o objetivo estabelecido. Tal é a importância dessa classificação que diversas teorias ligadas a cores e seus significados levam em conta a polaridade baseada no círculo cromático para construir suas argumentações.

212123822_kamekura_1.jpg [1] 1834015779_a86955f82e.jpg [2]


É possível criar boas composições utilizando cores complementares, salientando, assim, o destaque, como podemos ver na imagem à esquerda. Contudo, deve-se tomar cuidado para que as cores não "briguem" entre si, como na imagem da direita.

[editar] Cores quentes x Cores frias


Essa classificação de cor leva em conta, acima de tudo, aspectos subjetivos e psicológicos. Kandinsky, por exemplo, afirma que cores quentes são todas aquelas que se aproximam do amarelo no círculo cromático, enquanto que cores frias são as que se aproximam do azul. A partir daí, o artista desenvolve uma série de características acerca desses dois tipos de cores. A cor quente, por exemplo, faz um movimento de aproximação do espectador, constituindo-se em uma representação material. Dessa forma, se aproxima de elementos físicos, sendo ativa e estando sempre em direção ao limite do superior. Já a cor fria se afasta do espectador e representa, em geral, um plano espiritual. Com isso, tem característica imaterial, sendo passiva.
Por outro lado, Fraser defende que as cores frias estão do lado azul do círculo cromático, enquanto que as quentes, do lado vermelho. Afirma também que se deve atentar para a relação desses dois tipos de cor em uma composição gráfica, como a supressão da cor quente sobre a cor fria, por exemplo. É claro que todas essas descrições são relativas, já que estamos falando de sensações. É importante ressaltar que a temperatura de uma cor pode variar de acordo com o contexto em que está inserida, como as cores que junto com ela, formam a composição. O que importa para o designer é conhecer essa classificação para ter um critério no momento de escolher cores para determinada produção de sua autoria.

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Nota-se nas imagens que a temperatura de uma cor está relacionada com o contexto da composição. A primeira, por exemplo, utiliza cores quentes para divulgar um baile soul/funky, tipicamente conhecido pela agitação. Já a segunda faz uso de cores frias para divulgar uma exposição, algo mis sóbrio, introspectivo. É curioso notar que o amarelo, no primeiro cartaz, tende a cores quentes, enquanto que, na segunda, a cores frias.

[editar] A cor fisiológica e a cor inexistente


No desenvolvimento de seus imensos estudos sobre as cores, Goethe confirma, baseado na premissa de que percepção e realidade efetiva convivem juntas, que é possível que uma mente saudável produza interferências em determinada cor. Tais situações dependem da sobreposição de imagens na retina humana e das condições do estímulo luminoso. Goethe também descobre que a retina humana compensa a exposição a uma cor com sua complementar. Para isso, parte da premissa de que o olho humano detém uma luz latente, pois é capaz de experimentar a sensação da cor através de sonhos, choques mecânicos ou exposições a luzes fortes.
Também considerando a percepção humana como fator preponderante na sensação das cores, Israel Pedrosa defende a existência da cor inexistente. Para ele, esse fenômeno consiste na criação, pelo cérebro humano, de cores em espaços em branco ou neutros de uma composição.

[editar] Referências


BARROS, Lilian Ried Miller. A cor no processo criativo – um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe. São Paulo: Ed. Senac São Paulo, 2006.
DIGISCRAPPERS Brasil. Cores Primárias, Secundárias e Complementares. Disponível em: <http://forum.digiscrappersbrasil.com.br/showthread.php/32-Cores-Prim%C3%A1rias-Secund%C3%A1rias-e-Complementares>. Acesso em 26/05/2011.
FRASER, Tom. O guia completo da cor. São Paulo: Ed. Senac São Paulo, 2007.
MELO, Filipe. Modos de cor no Photoshop. Disponível em: <http://imasters.com.br/artigo/6738/photoshop/modos_de_cor_no_photoshop/>. Acesso em 24/06/2011.
PEDROSA, Israel. O Universo da Cor. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2004.

[editar] Glossário


Cor primária: A cor que não é passível de decomposição e que, a partir da mistura, gera todas as outras cores. Varia de acordo com o sistema levado em conta.
Cor quente: Toda cor que, no círculo cromático, está próximo do vermelho.
Cor fria: Toda cor que, no círculo cromático, está do lado do azul.
Cor complementar: É a cor que está oposta a sua complementar no círculo cromático e que, ao serem misturadas, produzem uma cor neutra.

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