Camila Kiseliauskas da Silva
[editar] Projeto Final: Game Talk
Feito com Bruna Hodas.
[editar] Elementos pós-modernos na Internet
O pós-modernismo pode ser caracterizado como um estilo de cultura (ou subcultura) que tem como objetivo maior derrubar as fronteiras entre a cultura popular e a cultura elitista, através da democratização dos meios de produção cultural. Neste contexto alguns conceitos dos anos 80 e 90, como o de tribos, diluem-se numa difusão de identidades, faixas etárias e sexos, tornando alguns comportamentos simplesmente não-identificáveis. Nada de yuppies, hippies ou baby boomers. O ser pós modernos tem sua identidade fragmentada, em grande parte apoiada no aparato tecnológico que o permite entrar em contato com mais informação, e "multifacetar-se" cada vez mais.
Um PC conectado pode se transformar em uma editora, uma rádio, uma TV, ou mesmo em um fórum de troca de informação entre pessoas situadas em diversas partes do mundo. Cria, ainda, formas alternativas de acesso ao conhecimento e à interpretação da informação, que viabilizam aspectos democráticos e criativos faltantes nos meios tradicionais de comunicação, que são unilaterais, analógicos e quentes.
Um grande dilema que se coloca, no entanto, é o da qualificação da informação que se recebe - conforme o caso visto há pouco tempo atrás da nova campanha publicitária do Estadão. Se nos meios tradicionais a informação é avaliada pela reputação da fonte, seja ela apresentada pelo repórter ou a própria reputação do veículo, na rede, os critérios de seleção e avaliação ou não existem, ou ainda são fluidos, ou são alicerçados em uma reputação anterior à Internet (critério que passa a inexistir quando falamos das crianças nativas digitais que não conhecem o mundo sem internet).
A televisão marcou o ápice do processo de transformação do cidadão em consumidor (ou seria ao contrário?). A esfera pública tornou-se um espetáculo. O modelo consumista se tornou o padrão de atividade individual, política e social. Os discursos foram despidos de conteúdo, em detrimento da forma, da publicidade, do marketing, utilizados para moldar opiniões e atingir resultados.
Nesse contexto, anula-se a dimensão do privado, tornando quase tudo público, do cotidiano dos ansiosos por fama dos ex-anônimos do programa televisivo Big Brother - que está em sua enésima edição -, aos já famosos da revista Caras. Operam mecanismos de promoção da visibilidade do que era privado, como se se decretasse o fim do segredo ou o fim da intimidade.
Há um disfarce coletivo, parecendo que todos estamos bem. O mal-estar pós-moderno é visível e cotidiano, expressado na linguagem do dia-a-dia e do trabalho desenfreado, muitas vezes assumido hipocritamente como lazer ou ócio criativo, que gera stress, a perversão, a depressão, a obesidade, o tédio e a tendinite.
Nossa sociedade é regida mais do que pela ânsia de espetáculo; existe a ânsia de prazer a qualquer preço. Todos se sentem na obrigação de se divertir e de trabalhar muito para ter dinheiro ou prestígio social, não importando os limites de si próprio e dos outros. É uma intersecção entre o hadonismo e o masoquismo. As pessoas se sentem no dever de se vender como se fosse um prazer, de fazer ceia de Natal em casa à meia noite, de comemorar o gol que todo mundo está comemorando, de curtir o carnaval nos 3 ou 4 dias, de seguir uma religião, de usar celular sem motivo concreto, de gastar o dinheiro que não têm, de fazer cursos e mais cursos, ascender na empresa, escrever mil e um artigos por ano na universidade, enfim, todos parecem viver na obrigação de se cumprir uma ordem invisível, e de ser visivelmente feliz e vencedor. Se você não acredita, vá a lista de livros mais vendidos da Veja (provavelmente a revista lida por essas pessoas submersas no mundo das impressões), e conta quantos títulos de auto-ajuda estão no ranking.
O reflexo desta constante cobrança do que se deve ser é a popularização de experiências que virtualizam a existência e a vida em sociedade, um escape cada vez mais aprimorado pelas tecnologias de realidade virtual, como é o caso do Second Live. Construa seu avatar - quer dizer, você escolhe seu sexo, a cor de seus olhos, seu peso e altura -, tenha uma nova casa, uma nova família, um novo trabalho, e passe muitas horas frente ao computador vivendo o que no futuro poderá ser a única forma de contato social.
[editar] Sobre o Cluetrain Manifesto
Tópicos escolhidos:
84. Nós conhecemos algumas pessoas da sua empresa. Eles são legais online. Você tem mais destes escondidos por aí? Eles podem sair e jogar?
85. Quando nós temos perguntas, nós nos apoiamos em nós mesmos para obter respostas. Se você não tivesse um controle tão restrito sobre o "seu pessoal" talvez eles poderiam estar entre as pessoas em que nós nos apoiamos.
86. Quando nós não estamos ocupados sendo seu "target de mercado", muitos de nós somos seu pessoal. Nós preferiríamos falar com amigos online do que olhar o relógio. Isto poderia transmitir seu nome melhor que seu web site de um milhão de dólares. Mas você diz para nós que falar com o mercado é trabalho do Marketing.
87. Nós gostaríamos de saber o que está acontecendo aqui. Isto seria muito bom. Mas seria um grande erro pensar que estamos esperando de braços cruzados.
A prática da comunicação social no contexto corporativo perpassa diversos assuntos e dilemas delicados, alguns deles abordados nos tópicos escolhidos: coesão discursiva da empresa, a empresa como fonte primária de informações e mantenedora de diálogos em duas vias, o papel das novas ferramentas – digo novas porque, sim, ainda existem empresas, e não são poucas, que mal chegaram ao html – e a questão da transparência nos relacionamentos.
Esse é o clássico discurso do relações-públicas e de qualquer outro profissional de comunicação (ou que ao menos trabalhe com comunicação, mesmo que seja um biólogo) pouco especializado, que acredita que mural interno é a sétima maravilha do mundo. Pode ser, e não podemos subestimar a força das tradicionais ferramentas de comunicação, uma vez que convivem, diante de nossos olhos, o mais diversos tipos de tecnologias. Mas certamente ele está perdendo lugar para outras formas de comunicar.
O que é mais apavorante para uma empresa é perceber que ela tem um poder cada vez menor sobre os conteúdos que sobre ela circulam na rede. E é por essa e outras que, ao digitar iphone com sorte no Google, você vai parar em um site que não é o da Apple. Colaboradores e consumidores, por exemplo, criam profiles nas redes sociais, relacionam-se, trocam opiniões, impressões, emitem informações sobre as organizações e seus produtos, como neste exemplo do próprio iPhone . Assim fica fácil saber que produto comprar ou em qual empresa trabalhar. Porque se a empresa falar, você vai saber. E se ela falhar e tentar disfarçar, você vai saber também, como no caso desta promoção do produto Hot Pocket da Sadia, em que o consumidor deveria produzir um vídeo e postá-lo no Youtube para concorrer a prêmios. O que você, diretor de marketing da Sadia, faria ao ver este vídeo?
Nesse contexto de informação fluída a pressão sobre a empresa aumenta, digamos, numa velocidade exponencial sobre base logarítmica. A organização precisa andar na linha. E se ela errar, precisa saber admitir que errou, num exercício dificílimo de auto-aceitação. Precisa administrar seus colaboradores considerando que todos são potenciais fontes de informações privilegiadas e respeitadas, que como emissores podem antecipar-se á própria empresa na transmissão de informação.
O nome disso, não sei ao certo. Transparência apenas?
Ca Kise --201.43.62.191 20:54, 10 Setembro 2007 (PDT)