Camadas e transparência
Apresentação
As camadas e as transparências são ferramentas do design que se complementam. As camadas dividem cada parte da arte final, separando-a de acordo com suas características e funções. Enquanto a transparência estabelece uma relação ainda mais próxima entre as camadas, permitindo que elas se sobreponham, interpenetrando-se. Ambas essas ferramentas foram sendo mais utilizadas com o uso dos softwares de edição, porém, é importante utilizá-las pensando no resultado final e na influência que elas terão sobre ele.
Desenvolvimento
Em uma imagem ou seqüência – tanto de imagens, quanto de sons – existem camadas, que são componentes que se sobrepõe na arte. A palavra camada é utilizada em diversas áreas do conhecimento, para definir as partes de um todo. Independente da utilização, o termo em questão está relacionado à divisão de funções: no design não é diferente, cada elemento tem uma função, seja informar, equilibrar, tornar a arte mais harmoniosa, etc. E esses elementos se sobrepõe, formando um todo, que é a arte final. Assim, cada camada contribui para o resultado final, porém, sem perder sua característica e função que a tornam única.
O conceito de camadas está atrelado à arte cubista. No início do século vinte, os artistas sobrepunham imagens, pinturas e escritas por meio do processo de colagem; essa técnica causava nos observadores uma impressão tanto de achatamento quanto de profundidade.
Com o passar dos anos, a presença das camadas passou não apenas a ser artística, mas também funcional, exercendo um papel essencial no processo de impressão, no qual cada cor possui uma chapa, ou seja, assume uma posição na arte, sobrepondo-se a outras cores e elementos, sendo, portanto, uma camada da arte final.
Além da utilização das camadas, as maneiras de aplicá-las evoluíram com o tempo. Antes dos softwares de edição de imagem, vídeo e áudio se popularizarem, os designers buscavam formas mecânicas de se unir diferentes camadas em um trabalho, como, por exemplo, por meio da colagem.
Atualmente, os softwares facilitaram tal processo. Por meio da ativação e desativação das camadas (layers) no Photoshop, por exemplo, um designer pode observar variações de uma mesma arte, optando por aquela que o conjunto de camadas ficou mais adequado ao objetivo inicial.
No entanto, os softwares, por terem facilitado o uso das camadas, também o banalizou. O uso das ferramentas do design deve ser lógico, de maneira que cada elemento exerça uma função e tenha um sentido em meio à arte. Quando tal uso fica tão simples a ponto de não precisar de um planejamento antes de sua execução, muitos elementos ficam inadequados ao resultado final. O mesmo acontece com as transparências, cujo o uso foi facilitado e ampliado pelos softwares, abrindo um leque de oportunidades e, ao mesmo tempo, banalizando seu uso.
As transparências estabelecem uma relação entre as camadas de uma arte, mesclando-as de uma maneira mais suave e transformando o trabalho final em um todo do qual não é fácil definir claramente quais são as partes.
Para fazer sentido a transparência depende o outro – para ser percebida como tal – pois sem um elemento para comparação, um objeto com a opacidade entre 0 e 100% apenas aparenta estar mais claro do que o normal. A transparência em si só é percebida quando é possível observar a interpenetração entre dois ou mais elementos, duas ou mais camadas. Além disso, o nível de opacidade deve estar entre 0 e 100%, pois os extremos fazem o objeto simplesmente desaparecer na arte ou o tornam opaco.
A transparência pode assumir diversas funções em um design; funções estas que podem, as vezes, serem completamente distintas. Uma transparência pode enfatizar a ideia de clareza e objetividade de uma arte, mas também pode representar algo complexo, por meio da sobreposição de camadas. Além disso, as transparências possuem uma característica interessante, por não deixarem claro qual objeto está no primeiro plano e qual não está, por vezes, permitindo que o leitor assuma a visão que preferir.
Mais uma vez, é importante ressaltar a necessidade de se planejar o uso de cada ferramenta do design, de maneira que ela assuma funções essenciais para a arte final. Com o uso de transparências, os objetos perdem sua intensidade e, conseqüentemente, seu contraste, o que deve ser levado em conta pelos designers.
Os usos de camadas e transparências vão além de imagens, abordando tanto o design de roupas, quanto a edição de vídeos e áudios e as produções arquitetônicas. Na arquitetura é possível observar o uso de camadas, pois algumas estruturas e detalhes são sobrepostos, compondo a harmonia do todo. As transparências também são muito utilizadas na arquitetura: György Képes, em seu livro Language of vision comenta como a transparência faz com que o interior e o exterior de um projeto arquitetônico estabeleçam uma relação muito mais próxima, já que é possível ver o exterior quando se está no interior, e vice-versa.
As camadas e transparências permitem a sobreposição e a relação mais próxima entre imagens, contribuindo para uma das características do design, como remodelador de significados, por meio da junção de dois elementos já existentes que são transformados em um terceiro elemento que, por sua vez, assume um significado novo na sociedade.
Referências
LUPTON, Ellen; PHILLIPS, Jennifer. Graphic design: the new basics. Princeton Architectural Press, 2008.
Chapter 5: Layered Application Guidelines. Disponível em: < http://msdn.microsoft.com/en-us/library/ee658109.aspx> Acesso em: 05/06/2011.
KÉPES, György. Language of Vision. Courier Dover Publications, 1995.