Caio de Andrade Gandolfi
[editar] Elementos pós-modernos na Internet
A melhor maneira de iniciar uma conversa sobre o pós-moderno é explicando que ele não possui uma definição precisa, existem sim indícios e características que podem nos ajudar a entendê-lo. Em aula, também pudemos observar a dificuldade em caracterizar o ambiente da web, mas as suas características também se cruzam com as da pós-modernidade. Esses dois conceitos se interagem e complementam, a internet possibilitou grandes mudanças de comportamento e relacionamento do pós-moderno.
A velocidade talvez seja o ponto mais marcante e controverso da sociedade pós-moderna. Decisões são tomadas e retransmitidas para o mundo em um clique, uma campanha que era feita em semanas hoje pode ser criada, aprovada e veiculada em dias, não há mais tempo para esperar, se o seu concorrente lança um produto nesse mês, o mês que vem a sua empresa já tem que ter lançado um produto superior e assim por diante. Em grande parte, quem possibilitou toda essa “revolução do tempo” foi a internet, com os já ultrapassados e-mails, as demoradas cartas, telegramas, fax foram caindo em desuso. Os IM puderam aumentar mais ainda a velocidade do que os e-mails, já que se pode conversar com a pessoa como se ela estivesse na sua frente sem os problemas de um telefone, por exemplo.
E então os críticos logo vêm argumentar que viramos escravos da tecnologia, a internet nos aprisionou sempre querendo mais e mais rápido. No entanto, essas pessoas, não querem esperar o jornal impresso para saber das notícias que já foram veiculadas no Jornal Nacional do dia anterior e em tempo real pela internet. Todos preferem fazer um check in virtual do que esperar nas filas, o mesmo aos bancos virtuais, ou esperar dias para receber a resposta de uma carta em vez de resolver o assunto imediatamente. A internet e novas tecnologias nos trouxeram uma maior otimização do tempo, para o bem ou para o mal, mas a sociedade pós-moderna já se adaptou a isso (podemos notar nas novas gerações) e os “bons e velhos tempos” não vão mais voltar.
No mundo pós-moderno também é interessante falar sobe o ambiente em que habitamos, um garoto que mora em uma cidade do interior com uma pequena população, mas ele passa horas conectado à rede, que mundo ele habita? Cada vez fica mais difícil falar sobre isso, se passamos horas por dia tentando conquistar um castelo no WoW, jogando TheCrims com alguns poloneses, nos relacionando com pessoas de todos os cantos do mundo, ouvimos podcasts estrangeiros e vemos vídeos de diversos lugares no Youtube. Isso faz com que as pessoas percam a identidade territorial que as ligue com os seus vizinho (que passam o dia em sentados na praçinha da cidade) por exemplo.
O individuo pós-moderno tem uma grande dificuldade em encontrar a sua identidade. Num grande centro onde ninguém se conhece, todos são estranhos e com pouca vontade de conhecer e entender o outro, com isso acredito que cada vez mais as pessoas criem avatares de si mesmas, adicionando o máximo de informação que possa ser vista por outra. Seja as roupas, os lugares que freqüenta, o tipo de linguagem e o assunto sobre o que se fala pode indicar quem você é ou quem quer ser, usar um fone de ouvido branco pelas ruas indica muito sobre uma pessoa.
Mas como tudo no mundo pós-moderno, essas coisas são muito fluidas, em constante mutação. Então se vestir todo colorido e fluorescente dizia muita coisa há alguns anos, hoje esse signo já não tem mais força nenhuma. Acessar o orkut, usar nike shox e ter um celular de ultima geração que colocaria você em uma posição de classe alta a pouco tempo hoje mostra o contrario.
As tecnologias digitais, como a internet, refletem e reforçam os elementos da sociedade pós-moderna. Esses dois elementos estão sempre se influenciando e desenvolvendo em sintonia, já que um propicia o outro.
[editar] Aplicação inovadora que use três tipos de interface
[editar] Cluetrain Manifesto e Web 2.0
27. Falando em uma linguagem que é distante, pouco atrativa, arrogante, eles criam paredes para manter os mercados na baía.
28. A maioria dos planos de marketing são baseados no medo de que o mercado pode ver o que realmente está acontecendo dentro da empresa.
29. Elvis disse: "Nós não podemos seguir juntos com mentes suspeitas."
30. A lealdade a marca é a versão corporativa de uma relação estável, mas a separação é inevitável - e está vindo rápido. Porque eles estão em rede, mercados inteligentes estão prontos para renegociar relacionamentos em uma velocidade incrível.
Com o passar dos anos, a crescente concorrência entre produtos, de preços, a gama de variedades, os inúmeros atributos tangíveis e intangíveis fez com que se criasse um consumidor muito mais exigente. Exigente não só com os produtos, mas com a comunicação, as questões sociais, tudo o que envolve o seu consumo.
Mas até então não existiam canais diretos de comunicação, reclamação e sugestão do cliente, seus questionamentos paravam em velhas caixas de sugestão ou no ouvido de alguma atendente. Até que as mídias digitais possibilitaram uma conexão enorme de pessoas, a sua reclamação contra uma empresa que antes era praticamente nula, pode ser divulgada em um blog, e aqueles que partilham da mesma opinião começam a se juntar e aquela uma voz pode encontrar quem sabe 17mil outras iguais. Com isso, esse conceito de upload de informação alterou mais uma vez o campo de jogo e as suas regras, permitindo o consumidor a colocar tudo que quisesse de uma forma barata, fácil e rápida, para todo o mundo ver ou ouvir.
Logo o marketing arrumou uma solução para o problema, o marketing orientando para o foco no cliente. Com muitas pesquisas de grupo, análises de concorrência, planejamentos estratégicos as empresas pensam que estão abrindo canais de diálogo eficientes, estão utilizando bem as novas tecnologias, mas geralmente elas dão apenas uma nova maquiagem para os mesmos problemas. Os canais de comunicação ineficientes, toda a geração de conteúdo continua na mão da empresa e a interatividade aparente vira apenas mais um motivo de piada.
"Nós não podemos seguir juntos com mentes suspeitas", disse Elvis. Agora as suspeitas se concluíram e os consumidores querem ser ouvidos, as empresas estão sujeitas a serem expostas quando agem de má fé, esse conteúdo que não foi gerado por ela agora é notório do público e as empresas terão que arcar com isso. A conseqüência pode não ser jurídica, mas sim a perda de confiança de respeito pela marca, que vai se desgastando a cada escândalo e quanto mais tentarem esconder os fatos pior será a resposta.
Se a lealdade à marca é a versão corporativa de uma relação estável, então essa relação terminou em divórcio.
Mas algumas empresas compreenderam e souberam aplicar muito bem alguns conceitos principais da web 2.0 na sua comunicação. Por exemplo, o vídeo colaborativo feito para o Gmail, a proposta era para os usuários interessados enviarem vídeos com 10 segundos de um envelope com o logo do mesmo viajando pelos mais diferentes lugares. Centenas de vídeos foram enviados e os melhores (votados pelos próprios usuários) foram editados para formar o vídeo final. Diversão, interação, atitude e obviamente a participação dos consumidores que nem se divertiam enquanto participavam da comunicação de uma empresa. Os virais também seguem esse aspecto, talvez não tendo os consumidores como geradores do vídeo, mas criando um buzz em volta dele. --Caio Gandolfi 16:28, 10 Setembro 2007 (PDT)