Cézanne

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

[editar] Paul Cézanne

[editar] Principais características

Nas obras de Cézanne, é freqüente a presença de imagens retratando natureza morta associadas a elementos do cotidiano. Utilizando-se de formas geométricas e bem definidas, retrata lado a lado frutas e caveiras, frutas e utensílios domésticos, unindo o clássico (representado pela própria natureza morta, geralmente pintada de forma sóbria e tradicional, com pano de fundo chapado, por exemplo) com o corriqueiro (caveiras, jarras, utensílios domésticos), transformando telas que poderiam ser monótonas em obras convidativas e interessantes.
Outro tipo de quadro feito por Cézanne eram os retratos. Em suas obras quase sempre é apresentada apenas a parte superior da cintura dos modelos e, ao contrário das tradicionais telas de retrato (sérias e extremamente perfeccionistas no que se refere à textura de pele e luz), elas são expostas manifestando algum tipo de sentimento em sua face (fugindo da aparência séria e irredutível que a maioria dos retratos pintados apresentam). O autor não fazia apenas uma cópia da imagem da pessoa no papel, e sim a sua representação em um determinado momento, único e inimitável. Dessa forma é possível perceber que representar as emoções dos modelos era algo pelo qual Cézanne primava em seus trabalhos.
Além disso, há também as obras de paisagens pintadas pelo autor. Muitas vezes apresentando panoramas de natureza ou construções no horizonte, o pintor francês utilizava-se de imagens bem claras e limpas, sem muitos detalhes, que se apresentavam de forma bastante espontânea, como se fosse uma fotografia tirada de repente, sem aviso. A isso, associa-se uma imagem de serenidade, sempre presente nos quadros de Cézanne, fruto de um visual leve, simples e bem definido que o autor procurava criar. Percebe-se aqui a busca por uma representação de realidade bastante particular do pintor, como já dito anteriormente

[editar] As técnicas de Cézanne e algumas obras

Quanto aos fatores técnicos, como já dito, Cézanne procurava criar obras que representassem a realidade como realmente ela é, sem exageros ou fantasias (através, é claro, de sua própria experiência sensorial de mundo, expondo nas telas o que sentia dentro de si próprio como verdade). As e também se faziam presentes nas telas em que havia pessoas (as formas e curvas humanas eram claramente representadas por formas geométricas).

Natureza morta com uma jarra de gengibre e beringelas

Natureza morta com uma jarra de gengibre e beringelas

Quanto às cores, pode-se perceber pela imagem ao lado, Natureza morta com uma jarra de gengibre e beringelas que há sim uma definição bem clara de cores e tons, entretando Cézanne geralmente não criava grandes contrastes de cores em suas obras, primando pela criação de uma atmosfera leve que não causasse cansaço aos olhos do observador.
Esse clima de leveza se completa com a utilização de ambientes quase sempre claros, bem iluminados, que ressaltam ainda mais as formas e cores da obra.
O equilíbrio das obras de Cézanne é outra característica que chama a atenção. A obra, por maior que seja a impressão de simplicidade nela representada, apresenta uma série de minúcias que juntas consolidam o trabalho do pintor. A construção de perspectiva através do uso da bidimensionalidade é algo presente nessa tela. As frutas, colocadas no prato em uma posição diagonal, se destacam do restante dos objetos sobre a mesa (colocados numa posição horizontal, estática) sem agredir os olhos de quem observa o quadro. É uma forma de contraste calmo, recurso amplamente utilizado pelo pintor francês durante sua carreira.


Banhistas grandes

Banhistas grandes

Quanto ao enquadramento e a utilização de planos e terços, no quadro Banhistas grandes pode-se notar a forma como o autor lança mão de planos diferentes para importâncias diferentes de situações numa mesma tela.
Nessa obra, há um aglomerado de pessoas se banhando nas margens de um rio em primeiro plano. Essas pessoas se apresentam com nitidez nos traços e com formas bem definidas.
No segundo plano há a mata ciliar, que já é representada por traços um tanto quanto desfocados, servindo apenas como um objeto de composição do ambiente. E em terceiro plano, ao fundo, pode-se perceber uma paisagem com algumas pessoas e uma construção, que também auxiliam na composição do ambiente.
É curioso notar nessa tela que o autor consegue retirar o foco principal de atenção do centro, anulando o provável efeito de paralização e monotonia da cena (que surge quando todo o foco de atenção é baseado unicamente na centralização do objeto, deixando a percepção da obra, além de extremamente previsível, um tanto quanto cansativa). Nesse caso, ao colocar as pessoas no terço horizontal inferior há um contraste entre as pessoas e o céu ao fundo, criando uma dualidade entre a terra (ou a cor amarronzada) e o céu (azul claro).
Nota-se também nessa obra a iluminação bem utilizada, que não cria pontos cegos na obra, sendo possível a observação de qualquer parte do quadro sem dificuldade.
Além de tudo, há o fator espontaneidade que Cézanne buscava em suas obras. Nesse caso, a impressão que se dá é a de que as pessoa presentes na cena nem perceberam que foram imortalizadas pelo pintor. Paul consegue mostrar uma cena corriqueira de forma simples, como ela realmente é. Não há a superficialidade dos modelos posando para criar uma cena inexistente.


Auto-retrato

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Auto-retrato

Na tela Auto-retrato, Cézanne mostra uma das mais de 30 telas que pintou durante a sua vida com a temática do auto-retrato. Extremamente perfeccionista, somente ele próprio se pintava devido às longas e árduas sessões em que construía a imagem da forma que mais lhe parecia real. Em outras obras, deu mais destaque ao plano de fundo ou a paisagem em que se encontrava, pintando-se até mesmo enquanto exercia sua profissão de pintor (auto-retratou-se com pincéis e paleta em mãos), mas nessa obra em especial a principal personagem é o próprio Cézanne. Colocando-se em primeiro plano, e em segundo plano um fundo neutro meio acizentado, o pintor chama a atenção nesse quadro para o seu rosto, representado por tons pastéis e alguns tons avermelhados. Não há, como de costume em suas obras, um contraste violento entre as partes da obra, sendo os cabelos que cobrem sua nuca e sua própria barba e vestimentas confundidos com o fundo, pois apresentam uma tonalidade de cor semelhante. A ênfase nesse quadro se dá exatamente no rosto e no formato da cabeça do pintor. Colocada no plano superior do quadro, a cabeça chama a atenção tanto pela fuga do centro monótono quanto pelos tons claros já citados. A composição como um todo garante a atratividade da tela. Quanto ao sentimento de representação particular que Cézanne cultivou durante a vida, nesse caso é clara a sua aplicação. Com uma expressão enigmática no rosto (não se sabe se feliz ou triste, ou simplesmente indiferente), o autor foge do estereótipo dos retratos (que faziam com que os modelos se portassem como bonecos e com isso sua representação, por mais fiel que fosse, sempre estaria próxima à plasticidade das poses pré-estipuladas). Nesse quadro Cézanne se representa como sempre procurou ser durante sua vida: diferente dos demais.


Fonte de pesquisa: Coleção Folha - Grandes Mestres da Pintura. Editora Sol, 2007.


--Diego Santos 17:01, 9 Dezembro 2007 (PST)

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