Bruna de Araujo Manfre
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[editar] Marc Chagall
[editar] Solitude, 1933
Ao deparar-se com “Solitude”, o olhar do espectador recai sobre o judeu que carrega seus pergaminhos. Sua expressão denota solidão e até mesmo alguma tristeza, o que é reforçado pelo céu escuro da noite, sem nenhuma estrela ou outro tipo de iluminação; mesmo a cidade, distante da cena, também não apresenta sinal de luz. Próximo ao judeu encontram-se apenas uma vaca e um violino – uma dualidade que acompanha esse homem. A vaca representa simbolicamente a vida e, o violino, a morte. A vaca expressa algum tipo de compaixão e seu olhar está direcionado ao judeu, o que faz com que o próprio espectador também retorne o próprio olhar para ele. O quadro seria uma boa fotografia por impactar seu espectador, permitindo com que sinta a solidão do judeu do mesmo modo que o fotógrafo no momento da foto.
[editar] Birthday, 1915
O quadro mostra o encontro de um casal apaixonado no aniversário da mulher. Toda a composição do quadro indica o clima festivo do dia; as paredes decoradas, a mesa com o bolo e as flores que ela recebeu em mãos. O beijo do casal passa ao espectador a ternura e amor presentes no momento retratado, é como se contasse uma história. Pela janela que mostra o lado de fora do ambiente, percebe-se que já é noite e, provavelmente, o rapaz precisou se desdobrar para conseguir estar presente ali – é perceptível tanto por seu contorcionismo, quanto pela expressão surpresa no rosto da mulher. Os dois quase flutuam com o toque e o fotógrafo está ali, íntimo o suficiente para presenciar a cena, provavelmente parado, de pé.
[editar] The soldier drinks, 1912
“The soldier drinks”, como muitas das obras de Chagall, é uma boa fotografia por representar a dualidade e o conflito interno do soldado. Uma de suas mãos aponta para o lado de fora, para a guerra. A outra mão, no entanto, aponta o copo de bebida. O casal que dança, pequeno, entre o fotógrafo e o soldado, provavelmente é uma memória trazida pelo efeito da bebida. O fotógrafo parece se solidarizar ao conversar com o soldado e aparentemente é para ele que o soldado tenta expressar suas incertezas. Pelo posicionamento do fotógrafo, ele não está totalmente de frente para o soldado, parecendo recostado sobre o balcão também, embora de frente para a janela.
[editar] Music, 1963
A profusão de cores é o que causa maior impacto no quadro. Essa diversidade consegue exprimir com exatidão a polifonia presente em uma orquestra. Do ponto de vista do fotógrafo, toda a orquestra está visível, o que indicaria uma foto tirada de cima. O violinista é envolto pela cor preta e, como dito anteriormente, está ligado a sons melancólicos. Os violoncelos e tamborins, por reproduzirem sons mais fortes, são vermelhos, podendo remeter até mesmo a algo mais passional. As harpas tem um som tranquilo, representadas pelo azul que as recobre. Acima e afastado de todos está o que provavelmente é o maestro, com a partitura de Mozart em mãos. Ele é envolto por verde e amarelo, o mesmo amarelo, vibrante e vivo que caracteriza o som dos instrumentos de sopro, abaixo de todos.
[editar] Red Jew, 1915
Nosso olhar é atraído para o idoso que ocupa o centro da imagem. Percebe-se a idade ao se deter nas rugas do rosto e sua feição enigmática, ainda que isso só ocorra ao se olhar com mais atenção, uma vez que, à primeira vista, é a barba ruiva que prende a atenção. O fundo, com a mesma cor viva, apenas a acentua mais. Atrás desse homem percebe-se um vilarejo e, julgando-se pelas cores e a posição do sol, a cena acontece ao pôr-do-sol. O texto em hebraico nos faz retornar ao senhor, agora sabendo que é um judeu. Apesar da superstição alemã que associa o “judeu vermelho” a uma natureza violenta de desonestidade e enganos, o homem retratado parece solitário e descontente com algo, ainda que não violento. O fotógrafo utiliza-se bem da iluminação para enfatizar o judeu e, ao contrapor-se ao estereótipo criado pelos alemães, tira uma foto impactante.
[editar] Bill Brandt
[editar] Foto 1. East end girl, doing the lambeth walk
[1]
Ao recair o olhar sobre a fotografia, observamos a menina que se encontra em primeiro plano. Ela parece à vontade com o fotógrafo e ensaia alguns passos de baile, como se estivesse ensaiando para desfilar, achando graça. As outras crianças também parecem não se incomodar com a presença do fotógrafo, que fez questão de incluí-las na fotografia, mostrando a diversão delas ao observar a garota – quase como se tirassem sarro da mesma. Com isso, o olhar do espectador retorna a ela.
[editar] Foto 2. Nude
[2]
A mulher, sentada sozinha ao fundo da fotografia, passa a quem observa a cena um estado de melancolia e solidão tanto por sua postura, quanto por seu semblante. Como na maioria das fotografias de Brandt, ela parece alheia à presença do fotógrafo. O ambiente sugere uma sala, ainda que reforce a ideia de solidão pela ausência de móveis, além das outras duas cadeiras vazias. Apesar de a fotografia ser p&b, imagina-se que a foto tenha sido tirada durante a tarde ou manhã, pela cor clara. Pelo enquadramento, parece que o fotógrafo encontra-se sentado assim como ela ou abaixado, no lado oposto da sala.
[editar] Foto 3.
[3]
A cena retratada parece se passar numa sala de estar, onde as crianças são pegas de surpresa. As duas crianças espiam o movimento da rua pela janela; como não alcançavam a janela, foram obrigadas a pegar uma cadeira para que pudessem satisfazer sua curiosidade. O fotógrafo se faz invisível na foto, como se tivesse pegado as crianças desprevenidas e a tirado. Pela proximidade, pode até se esperar o próximo movimento, quando o fotógrafo chama a atenção dos dois e eles se assustam pelo flagrante.