Arte

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

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[editar] Um pouco sobre a história da arte

Pode-se estabelecer que no Ocidente, como estudo, a história da arte iniciou-se há aproximadamente 500 anos com os renascentistas florentinos, ela “nasceu do orgulho dos florentinos” (BAZIN, 1989) 1.

Antes do Renascimento, os pensadores medievais dividiam a arte em duas categorias: as artes servis (ou mecânicas) e as artes liberais. A Arte na idade média não compreendia a pintura e a escultura, entendidas como ofício mecânico, atividades brutas, manuais e não intelectuais; não eram atividades nobres de espírito. Cabia aos artistas liberais escrever os tratados sobre como os oficias deveriam fazer os trabalhos, que tinham que seguir os preceitos para representar o mundo celeste; os objetos representados, a obra de arte, deveriam emanar pela natureza os objetos divinos.

A herança da crença a respeito da superioridade clássica mostrou-se viva durante as manifestações dos ciclos históricos seguintes. Mesmo na Contemporânea é possível apreender que o resultado da “libertação” renascentista permanece, como na Op Art (baseado na geometrização da arte, percebe-se a aproximação das obras de arte com os conceitos da matemática – ascensão do trabalho artístico pictórico como uma atividade dentro da classificação do que era conhecido como arte liberal –, vale lembrar que a música era entendida como decorrente da aritmética, e portanto encontrava-se dentro da subdivisão das artes liberais), na Pop Art, que adquiriu status de arte erudita ou na Fotografia.

--Joice 05:57, 10 Setembro 2007 (PDT)


[editar] As tranformações da fotografia na arte

O advento da fotografia trouxe a arte um novo paradigma. A partir do momento em que se pôde reproduzir capturar momentos da realidade através da fotografia, as artes gráficas perdem o seu sentido enquanto reprodução visual do mundo, já que a fotografia pode fazer o mesmo de forma mais fiel e veloz. No começo do século XX, então, as vanguardas artísticas propuseram novas formas para as artes visuais, deixando para trás elas como simples reprodução fiel da realidade.

Joice e Adriano


[editar] Arte e Fotografia

A fotografia em seus primórdios, não era considerada como arte, embora diversos artistas se utilizassem delas para estudos da anatomia humana, bem como sua movimentação. Os artistas que o faziam geralmente contestavam o sistema artístico vigente na época, o academismo (Século XIX).

Essa escola era bancada pelo governo e faziam parte dela os grandes mestres do renascimento e da arte Greco-romana – como exemplo podemos citar Alexandre Cabanel, Jean-Leon Gerome e Thomas Coutore. Os filiados ao academismo seguiam diversas normas artísticas, como as regras clássicas de composição (Proporção Áurea) e a pintura relacionada a temas históricos, mitológicos e religiosos.

As normas artísticas acabaram por se transformar em fórmulas, fazendo com que os artistas as seguissem para ganhar os concursos existentes nas academias. Isso fez com que a arte fosse asfixiada, transformando-se em algo Kitsch.

Os artistas que começaram a utilizar a fotografia como auxílio à pintura foram Eugène Delacroix, Gustave Coubert e os artistas impressionistas. Delacroix era filiado ao romantismo, uma das escolas que era contra o academismo, cujas características básicas eram a ênfase na imaginação e o artista era visto como alguém conturbado.

Mesmo utilizando-se da fotografia em seu trabalho, ele ressalta que há um aspecto negativo na mesma: a grande exatidão fotográfica, ou seja, a fotografia captava detalhes que eram imperceptíveis ao olho humano e por muitas vezes distorcia a perspectiva. Foi por esse motivo que Eugène Delacroix “consertava” a perspectiva dos corpos nas suas pinturas.

Já Courbet, que era filiado ao realismo – o qual buscava uma aproximação do artista com o real do cotidiano – via a fotografia como uma forma nova de representar o real. Ele, assim como Delacroix, utilizava fotografias de nu para estudo, porém, Courbet assumia em suas pinturas a perspectiva distorcida das fotografias. Convém ressaltar que os artistas citados anteriormente escondiam o fato de usarem fotografias na pintura.

O impressionismo – arte urbana que descreve a mutabilidade, o dinamismo e a efemeridade da vida moderna em suas obras – utilizava de uma das técnicas da fotografia, o enquadramento. Ou seja, o corte feito pela fotografia era igualmente aplicado na pintura pelos artistas impressionistas.

Além disso, diversos movimentos artísticos tentaram afirmar a fotografia como arte, como a Fotografia Alegórica, O Pré - Rafaelismo, o Naturalismo e o Pictorialismo.

A Fotografia Alegórica, cujos expoentes eram Oscar Rejlander e Henry Peach Robinson, trabalha a fotografia como uma representação do pensamento, além de trabalhar com os elementos que tornam uma obra arte. Devido a isso, os fotógrafos começaram a assinar suas fotografias, tornando-as únicas, assim como as obras de arte. Os fotógrafos não utilizavam a perspectiva distorcida que era própria da fotografia bem como negavam a nitidez e o caráter instantâneo da fotografia. Para que tudo isso fosse possível os artistas se utilizavam do processo de fotomontagem (ou fotografia compósita)

No Pré – Rafaelismo (expoente: Julia Margaret Cameron), os fotógrafos costumavam recriar cenas da literatura, montando-as. Para isso utilizava-se de fotografias esfumaças, as quais visavam romper com o caráter mecânico que a fotografia possui.

O Naturalismo (expoente: Peter Henry Emerson) era uma tendência que contestava a fotografia alegórica, buscando uma aproximação com a natureza. Essa tendência buscava uma fotografia parecida com a visão humana, pois ela, ao contrário da fotografia, não conseguia observar diversos objetos simultaneamente.

O Pictorialismo, última tendência a ser observada, buscava aproximar a fotografia da pintura, sendo assim uma resposta à industrialização da fotografia. Os fotógrafos interferiam na revelação da fotografia, fazendo com que ela perdesse a nitidez. Devido a esse fato, as fotos eram consideradas únicas. Um dos problemas dessa tendência era que a fotografia tentava ser afirmada como arte pela imitação da mesma.


[editar] Arte e Fotografia no Brasil

Bem como as artes, a fotografia sofria de falta de espaço no século XIX, não havendo galerias próprias para exposição e dependendo da boa vontade “da parede alheia”. Em geral, as exposições de fotografia assemelhavam-se muito às de quadros, principalmente no formato e na apresentação, além de apresentarem fortes vínculos com a estrutura comercial de estúdio.

Os retratos eram considerados arte, em oposição à fotografia técnica, de áreas especializadas. Assim, o retrato incita a intensificação do uso de portfolios, papéis protetores e todo o tipo de adornos a este tipo de fotografias.

Em diversas áreas, do jornalismo à arte, a fotografia é um instrumento onipresente. Na pintura, especialmente a de teor histórico, é utilizada por quase todos os pintores. “Com vergonha, meio escondido”, como aponta Ruth Tarasantchi em seu ensaio sobre pintura de paisagem em São Paulo, “aproveitaram cartões postais de vistas interessantes ou pouco conhecidas. É este o motivo de encontrarmos a mesma paisagem representada por vários artistas, como é o caso da pedra de Itapuca, executada por Oscar Pereira da Silva, J. Wasth Rodrigues, Clodomiro Amazonas, José Perissinoto e também alguns cariocas”. Lasar Segall, em sua tela Encontro (1924), inclui seu retrato, utilizando-se de uma fotografia.

Na virada do século XIX para o XX, a fotografia era terminantemente técnica, não havendo uma discussão sobre a possibilidade de virar arte, como havia na Europa.

A fotopintura então surge como um híbrido, tendo grande valor comercial e atraindo tanto artistas, como fotógrafos. Tendo amplo uso e sendo acessível ao bolso da classe média, carregava um caráter de presente, homenagem, que atraíram muitas pessoas para fazer o serviço, que apresentava diversas qualidades.

Mesmo o trabalho de laboratório e a intervenção fotográficos não eram vistos como fotografia para alguns, como a fotojornalista alemã Hildegard Rosenthal, para quem a fotografia era meramente documental.

Na década de 20, a fotografia é constantemente aproximada do nível técnico de registro, pura documentação, como o fizeram Oswald de Andrade e Monteiro Lobato, que carregavam o termo fotografia de negatividade quando no âmbito das artes.

A fotomontagem era outra atividade em que arte e fotografia se misturam. Jorge de Lima ressalta sua importância para melhor entender os movimentos artísticos em voga, como o cubismo e o sobre-realismo.

A presença artística da fotografia se manteria nula até o segundo pós-guerra. Até então, prevalecia o ideal dos movimentos que privilegiavam a visão psicológica e mentalista, em oposição à percepção puramente visual, processando-se deste modo uma desumanização da arte, culminando com o abstracionismo.


Editado por Camila K. e Danilo Müller


[editar] Bibliografia

1. BAZIN, Germain. A História da Hisória da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1989

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