Anna Paula Muniz Costa de Andrade

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Elementos da sociedade pós-moderna que são refletidos nas tecnologias digitais.

Toques de Celular – “Ringtones”: mais do que um aviso de chamada, o toque do celular procura ser mais um meio de o indivíduo comunicar a sua diferença em relação aos outros à sua volta. Como diz a propaganda a seu respeito, o ringtone “personaliza” o aparelho de telefone de acordo com o a forma como seu dono quer ser julgado. O ringtone é mais uma forma de se fazer perceber pelos outros sobre seu estilo, seus gostos, seu humor sem nem mesmo dirigir o olhar para as pessoas à volta. Basta que o celular toque no ônibus, shopping, no trabalho ou qualquer outro local público e aquela pessoa que ainda não foi notada - ou não pôde se fazer notar – por suas roupas, corte de cabelo ou pela quantidade de piercings em seu corpo passa ser olhada e julgada sobre suas preferências e personalidade. Uma característica do ringtone é que ele pode ser adquirido em alguns sites sem custo, o que faz com que mesmo dentro de grupos sociais com menor poder aquisitivo o ringtone seja também uma forma de diferenciação do indivíduo no grupo.

Navegar na Internet e transitar por uma avenida movimentada são experiências facilmente aproximáveis pela fluidez e fragmentação das informações que cruzam os caminhos do internauta e do indivíduo perambulando a pé ou de carro. Certamente nenhuma das duas experiências é plagio da outra, mas ambas são características de um estilo de vida - o atual - cuja forma de acessar as informações e as pessoas se assemelha pela imediatez e superficialidade. Situações que podem exemplificar são as conversas de banco de ônibus, com o porteiro e a pessoa que serve a bebida no boteco, relações fisicamente tão próximas, mas tão imediatas e superficiais. De outro lado, é possível estabelecer e dar continuidade a relações profundas com amigos e parentes mediadas por email, msn, Skype, orkut entre outros mediadores presentes na web.

Construção do Conhecimento - o maior expoente atual da nova forma de construção do conhecimento com a inserção da Internet é a Wikipédia. O diferencial dessa ferramenta é a possibilidade oferecida ao usuário de contribuir com o conteúdo da enciclopédia acrescentando, modificando e criando verbetes que serão incluídos à enciclopédia e acessados por todos os outros usuários. Essa característica de construção do conteúdo pelos usuários é a base da Wikipédia. E o fato de ela ser uma das ferramentas de consulta mais acessadas pode ser devido a isso. Da mesma forma, sites e blogs podem ser também fontes de informação via internet que estão acessíveis www.blogger.com para uma pessoa que tenha interesse em veicular algum tipo de informação a um grande número de pessoas.

Efemeridade dos ícones - nos tempos pós-modernos a efemeridade é um fato a ser enfrentado por produtos de tecnologia, moda, música, arte, informação entre outros. Assim, o “tempo de vida”, e permanência desses elementos é curto, sempre dando lugar a outras novidades que serão a febre do momento seguinte e contagiarão crianças, jovens e adultos entre os diversos grupos de consumo. Na Internet também há “febres” geralmente ligadas a entretenimento como vídeos, fotos, sites, informações e mitos que tem seu momento de ápice. O fato é tão nítido que já é possível saber quais foram os vídeos, jogos ,fotos, sites e notícias que fizeram maior sucesso na rede durante cada semana.O levantamento é feito por sites e por programas de televisão como a MTV. Claro que alguns “produtos” permanecem mais do que uma semana entre os mais famosos e acessados da rede, porém, a efemeridade dos ícones da rede é em maior se comparada, aos ícones de fora da rede cuja permanência no hall das novidades é maior do que uma semana. Essa diferença pode se dar devido à característica de cada meio. Enquanto na Internet as informações chegam e se tornam acessíveis com bastante dinamismo e na maior parte não há barreiras para o acesso a elas a partir do momento em que se está na rede, com as novidades do mundo material esse processo se dá de forma diferente. O acesso a elas costuma estar ligado à disponibilidade financeira do indivíduo.

Fragmentação do indivíduo - as inúmeras possibilidades de ser que as sociedades, tanto materiais quanto digitais, oferecem ao indivíduo permitem que ele desenvolva a multiplicidade e a fragmentação de suas personalidades. A possibilidade de anonimato frente às grandes metrópoles e aos diversos espaços que se pode freqüentar sem encontrar as mesmas pessoas e podendo atuar de formas diferentes em cada situação diferente permitem ao sujeito experimentar e desenvolver diferentes e múltiplas identidades. A Internet e o ambiente digital facilitam ainda mais esse processo com a inserção de verdadeiros mundos virtuais como o second life, onde o sujeito pode criar um avatar que seja verossímil a ele ou com características totalmente novas e diferentes.

Mudança de referências em informações - o crescente número de emissoras de rádio, televisão e jornais impressos pode ter contribuído para essa situação, mas com certeza a popularização da Internet que trouxe a influência dos sites e posteriormente dos blogs, que hoje podem ser criados e gerenciados por qualquer pessoa que tenha acesso à rede, teve grande peso nessa onda de descrédito da população em relação às informações. Esse fenômeno se dá em maior parte com aqueles que têm acesso à diversos meios de informação. Nesse sentido, a crise se instaura pela contradição de fatos, novas versões e novos olhares sob um acontecimento, diferindo da situação anterior quando mesmo em emissoras diferentes a informação era a mesma porque a fonte também era a mesma. A credibilidade dos meios mais tradicionais de informação também é ameaçada pelos meios digitais por estes proporcionarem maior riqueza de detalhes, vídeos, fotos e informações na íntegra, que em outros veículos não seriam expostos por questões políticas e de linha editorial, além da possibilidade que a Internet oferece de interatividade de uma informação com outras e um histórico da mesma. Claro que sempre há a possibilidade de se encontrar informações falsas, afinal, não há um controle sobre o conteúdo veiculado em sites de particulares, porém, muito mais atrativa é a possibilidade que se tem de obter uma informação mais completa sobre algo e fazer um julgamento com mais autonomia sobre ele.



Uma idéia inovadora integrando o uso de três interfaces de naturezas diferentes

Celular com glicossimetro glicossimetro e monitor de pressão arterial

A idéia que se propõe aqui é a criação de um software para atender pessoas portadoras de diabetes e hipertensão. Esse software será instalado e operará a partir de um aparelho celular. O aparelho deverá ser desenhado especialmente para isso, como um novo modelo, já que deverá acompanhar dois itens que serão utilizados acoplados ao celular. Esses itens serão o furador coletor do sangue para a medição do índice glicêmico e a pulseira para aferição da pressão. A funcionalidade dessa idéia está na possibilidade de o usuário poder ter em seu celular e a um preço reduzido duas ferramentas que são atualmente vendidas separadamente e com um custo relativamente elevado em vista de sua importância para as pessoas que precisam deles. Por caracterizarem aparelhos de pequeno porte, é possível adaptar as tecnologias utilizadas neles para um aparelho celular e fazer de seus aporte fundamentais acessórios do celular. A primeira interface utilizada é a interface de atenção. Ela será a primeira a entrar em contato com o usuário que será avisado sobre o dia de se medir a pressão e a glicemia. A segunda interface é a interface conversacional que dará as instruções ao usuário de forma escrita pelo visor do celular sobre como proceder para medir a sua pressão e o índice glicemico. A terceira interface é a que trará maior inovação: a interface gestual. A interface gestual será necessária pois a aferição de pressão e o teste glicemico poderão ser feitos com a utilização do celular que acompanhará em seu kit um furador e as filipetas de papel com as quais o sangue será colhido e serão inseridas em um orifício no aparelho celular para que seja feita a análise glicemica. As instruções e o resultado serão mostrados no visor do celular. Também será possível realizar a aferição da pressão com o auxilio do celular, pois este terá uma pulseira que será conectada nele e deverá ser colocada no pulso da pessoa cuja pressão será auferida. As instruções e os valores serão mostrados no visor do celular. Essa inovação visa melhorar o bem estar das pessoas que sofrem dessas doenças, pois elas poderão fazer o auto-exame em qualquer momento e local. Para o exame glicemico, por exemplo, que deve ser realizado em jejum, o celular será programado para despertar e lembrar o usuário pela manhã sobre a tarefa de medir a glicemia e ainda, se for o caso, o horário de tomar o remédio ou aplicar a insulina. Outra possibilidade a ser explorada seria a implantação de uma agenda com dicas dos hábitos de vida que o usuário deve priorizar e os que deve rejeitar.



Tópicos do Manifesto Cluetrain para discussão

44.As empresas tipicamente instalam intranets de cima para baixo para distribuir políticas de RH e outras informações corporativas que os trabalhadores estão dando o melhor de si para ignorá-las.

45. Intranets naturalmente tendem a ser chatas. As melhores são feitas de baixo para cima por indivíduos participativos cooperando para construir alguma coisa muito mais valiosa: uma conversação corporativa intraconectada.

46. Uma intranet sadia organiza trabalhadores nos vários sentidos da palavra. Seu efeito é mais radical que os objetivos de qualquer sindicato.

47. Enquanto isto assusta as empresas, elas também dependem enormemente de intranets abertas para gerar e compartilhar conhecimento crítico. Elas necessitam resistir a tentação de "melhorar" ou controlar estas conversações em rede.

A intranet é o objeto dos quatro tópicos do Manifesto Cluetrain que serão aqui discutidos. Todos relacionados com o seu uso dentro de organizações e abordando o ponto de vista dos usuários, da organização, formas produtivas e improdutivas de uso, e as situações em que a intranet alcança os seus objetivos iniciais. A discussão será iniciada com o tópico de número 44. Nele aborda-se o fato de que as empresas geralmente utilizam a intranet como interface informativa de forma a produzir o resultado menos interessante, ou seja, o formato descendente. Esse tipo de implantação tende a ser utilizado mais como uma forma unilateral de diálogo com os funcionários, pois trabalha a emissão de informações sem qualquer possibilidade de participação por parte dos receptores das mensagens. Nesse caso, o funcionário, que a essa altura já tem conhecimento da possibilidade de relações de mão dupla, tende a preferir interfaces que permitem a interação e a troca de informações e assume uma postura de neutralização da interface, tornando-a ineficiente frente ao seu propósito inicial que seria informar os funcionários. O tópico de número 45 aborda primeiramente um “dogma” a respeito da intranet: o interesse que ela gera em seus funcionários. O tópico coloca a intranet como chata e, por isso já não muito popular entre seus usuários latentes. Em seguida fala sobre os casos em que ela assumiu uma posição mais próxima de seu objetivo inicial: quando sua construção é baseada na colaboração entre os próprios membros e usuários com vistas na obtenção de uma rede de diálogo corporativo interconectada. Esse conceito aproxima-se da um outro em ascensão na grande rede (web) que é o de redes colaborativas para a construção e aperfeiçoamento de produtos e serviços. Geralmente utiliza-se um canal freqüentado por aficionados e debatedores de um produto ou serviço especifico e canaliza-se essa criticidade para a obtenção de sugestões a respeito do objetivo em questão, a fim de utilizá-las na produção de uma edição melhorada. Da mesma forma, em uma intranet colaborativa, os funcionários passam ser ativos a participantes por meio de opiniões e sugestões junto aos membros administrativos e diretivos de uma instituição. Esse formato inclusive tende a tornar as organizações menos hierarquizadas. A diferença de cargo não significa necessariamente subordinação incondicional dos funcionários do baixo escalão à diretoria. Ao contrario, a possibilidade de uma gestão participativa por meio da expressão da opinião dos funcionários torna os próprios funcionários mais satisfeitos com as deliberações por terem tipo a possibilidade de expressar suas opiniões a respeito. O tópico 46 da continuidade a questão da intranet participativa e traz a afirmação de que esse formato proporciona á organização benefícios preciosos como a “fidelização” do funcionário. Comparam-se os feitos de uma internet participativa aos um sindicato. Ao passo que um sindicato busca entre os funcionários uma fidelização aos ideais e a luta incondicional ao seu lado, uma intranet participativa desperta esse efeito junto aos funcionários, podendo ser utilizada como uma ferramenta eficiente de relação institucional com os colaboradores. No tópico 47 volta-se a discutir a situação atual da maioria dos casos de utilização da intranet. Expõe-se o medo e a necessidade das empresas de obter conhecimento crítico tendo como público e sujeito dessas ações os funcionários e como interface a intranet. O fato é que essa necessidade só será suprida verdadeiramente com o uso da intranet se a direção da organização entender que construção de conhecimento e massa critica com ajuda dos funcionários não vai ocorrer com intervenções e métodos de controle da discussão e do conteúdo, mas sim com a permissão para a fluência das informações e a troca de opiniões nessa rede.

Anna Paula Muniz Costa de Andrade

--201.75.171.254 17:13, 13 Outubro 2007 (PDT)

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