Ana Luísa Sertã
Nº USP: 5934985
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[editar] Henri de Toulouse Lautrec
“Procurei ser verdadeiro e não falsear a realidade de maneira maravilhosa. Talvez seja um erro, mas é-me impossível ignorar as verrugas; junto-lhes ainda uns pelos maliciosos e gosto de os fazer ainda maiores e de lhes aplicar um ponto brilhante.” (Toulouse-Lautrec)
Dancer Adjusting Her Tights
Neste quadro, uma bailarina ajusta sua meia-calça. Sua saia está levantada, as alças do vestido caídas nos ombros. Sua postura é levemente curvada, a cabeça abaixada, os pés semi-abertos. A imagem da bailarina nos bastidores contrasta com a glamourização dessa personagem no palco, de cabeça sempre erguida, postura e aparência impecáveis. A retratada não demonstra qualquer constrangimento em relação a seu observador, reforçando a impressão de se estar presenciando uma cena corriqueira, parte do cotidiano do local onde se encontra. Na pintura, este local se "desmancha", numa abstração suficiente apenas para indicar onde seus pés pisam, configurando uma ausência de cenário que concentra toda a atenção do observador à figura central da bailarina. O acesso do pintor a esta cena tão íntima é o que permite o acesso dos demais observadores que a contemplam, e que, em sua maioria, não presenciariam este momento pessoalmente. Esta pintura, apesar de não representar um retrato posado, não deixa por isso de ser um retrato, capturando um momento fugaz que a aproxima da fotografia moderna.
At the Moulin Rouge
Os vários planos e personagens desta imagem compõem uma experiência do "estar-lá": o observador parece inserido no ambiente que contempla. Essa impressão é enfatizada pela figura da mulher que está em primeiro plano, olhando diretamente a seu observador, e também pelo ângulo da cena. O Moulin Rouge se revela no conjunto dos personagens: uma mesa de frequentadores; uma mulher se arrumando em frente ao espelho ao lado de sua amiga - que, por registros, sabe-se tratar de uma famosa dançarina; dois homens ao fundo circulando pelo espaço - o próprio pintor e seu amigo; e inúmeras outras mesas esboçadas no cenário. O caráter noturno do cabaré é representado pelos tons escuros, preto, marrom e verde.
In the Salon of the Rue des Moulins
O local é, mais uma vez, o cabaré, um tema que perpassa boa parte da obra de Toulouse Lautrec. As figuras, de cores claras, aparecem imersas em um ambiente completamente vermelho: os tons da parede, do sofá, a decoração e mesmo as cores de suas roupas e cabelos. Esses tons avermelhados parecem se adequar à sensualidade proposta pelo cabaré. As moças estão à vontade, em posição de descanso e de espera, ignoram seu observador, exceto por uma delas, que o fita com familiaridade. As formas dessas figuras são típicas do pintor, que se esforçava por "não falsear a realidade", de modo que as mulheres não são retratadas com uma aparência ou postura idealizadas. A direção da cena vai da esquerda para a direita, de modo que o olhar do observador é direcionado à mulher que o olha. A composição dispersa essa atenção com a inserção de mais uma figura ao canto direito, entrecortada e apagada. O contraste das tonalidades, dos corpos brancos no ambiente escuro, é um dos elementos que mais chama atenção na obra.
[editar] Dorothea Lange
Migrant Mother
Esta foto é, possivelmente, a mais famosa da fotógrafa, integrando uma série de fotografias de cunho político sobre migração nos Estados Unidos na época da Grande Depressão Americana dos anos de 1930. A foto representa uma mãe com dois de seus filhos. A expressão dessa mulher, suas roupas gastas, seu ar de sofrimento e preocupação, com seus dois filhos cobrindo os rostos, provoca um impacto muito representativo deste momento de dificuldades nos Estados Unidos. A composição da foto é muito interessante por sua simetria, com uma figura central e duas outras menores posicionadas cada uma de um lado da principal. A opção pela foto em preto-e-branco reforça o impacto proposto pela temática, provocando um efeito que não seria o mesmo caso a foto fosse feita em cores.
Woman of the High Plains “If You Die, You’re Dead–That’s All.”
Mais uma foto da série de migração. Essa imagem tem sua força na expressão de desespero da mulher representada. O sol forte que bate em seu rosto e o cenário rural dão à foto um clima árido, um relato da situação da representada. A composição, impecável, ressalta linhas e formas geométricas: a linha do horizonte paralela à linha das nuvens, os braços da mulher formando triângulos, acompanhando também outra linha formada pelas nuvens no céu. Novamente, o preto-e-branco dá à imagem uma força e impacto particulares.
Cotton Picker
Se nas outras fotos analisadas a expressão facial dos retratados conferiu às imagens a representação de suas dificuldades, nesta nossa atenção recai às mãos do catador de algodão. Seus olhos estão escondidos pela sombra, mas a mão que cobre seu rosto define sua expressão, mais que seu rosto. A mão do trabalhador rural tem uma textura endurecida, rugas e calos. Essa textura é captada pela imagem em preto-e-branco, que reforça o contraste das linhas. Mais uma vez, a fotógrafa compõe com linhas e formas geométricas. O braço do trabalhador forma um triângulo com o pedaço de madeira que segura com a outra mão. Seu rosto foi parcialmente cortado da composição, de modo que seus olhos e sua mão ficassem em destaque, no centro da imagem.
White Angel Breadline
A fila para o pão: mais uma situação decorrente da Grande Depressão. Esta imagem é muito impactante, especialmente pela figura principal, o homem que se destaca por estar virado na direção contrária dos demais que estão na fila, mais iluminado que os outros. Seu chapéu está velho e gasto, suas mãos fechadas em posição de espera, que também se assemelha a uma posição de reza. Apesar de não vermos seus olhos, seu rosto traz um semblante de tristeza e preocupação. A fila, com muitos homens anônimos, de costas, se "humaniza" e se personifica nsse personagem, que sensibiliza o observador com sua expressão e postura corporal. A fotografia se compõe também por linhas de tons claros na parte inferior, contrastando com os tons escuros majoritários e provocando um efeito interessante na totalidade da imagem.
[editar] Luzes de um filme: Moça com brinco de pérola
O filme foi inspirado no quadro homônimo de Johannes Vermeer, pintor holandês do século XVII. A iluminação do filme procura reproduzir os artifícios de luz típicos das pinturas clássicas da época, de modo que muitas cenas se assemelham a quadros com grande contraste de luz e sombra e de tons predominantemente escuros.
Nesta cena o rosto da atriz aparece iluminado enquanto abre ma janela. O efeito proposto é que a luz que a ilumina seja a luz solar que vem do lado de fora da casa, que criaria o forte contraste entre sua figura e o cenário, que permanece escuro. Uma luz frontal ilumina seu rosto e braços, indicado pela sombra formada em seu antebraço, e uma outra fonte iluminando parcialmente o fundo.
A primeira deste conjunto de duas cenas possui claramente uma composição, tema, tons e iluminação típicos das pinturas clássicas do século XVII. A luz ilumina os atores, principalmente os centrais, deixando o cenário apagado. Na segunda cena uma fonte de luz quente lateral ilumina o rosto dos dois atores, provocando um forte contraste no rosto do ator. Há posivelmente uma outra fonte de luz, mas suave, iluminando o rosto da atriz.