Alfabetização visual

Repositório de trabalhos de alunos. Conteúdo experimental.

Texto em negrito== Alfabetização Visual ==

Chamamos alfabetização visual à capacidade de ver algo além do mero enxergar. A alfabetização visual permite a percepção e o entendimento de tudo o que se vê, por exemplo, o conteúdo de uma imagem - incluindo seus aspectos formais como perspectiva e profundidade –; enfim, do que representa algo não utilizando palavras. Mais profundamente, no entanto, a alfabetização visual inclui a compreensão da manipulação das imagens e apreciação estética dos meios visuais e de comunicação; além do entendimento de elementos culturais que circundam toda essa veiculação de imagens nas sociedades humanas. Ainda como objetivos da alfabetização visual, há os que não diferem daqueles perseguidos pela alfabetização da língua escrita e falada: dar subsídios ao maior número possível de pessoas para que elas possam aprender, interagir, receber informações, interferir e criar em uma realidade que se apresenta, atualmente - com a diversificação de suportes e de linguagens através do quais se dão as comunicações -, quase que por completo através de recursos visuais.

A alfabetização verbal e escrita não foi atingida com rapidez nem facilidade, portanto o mesmo não ocorreria com a alfabetização visual, mais sofisticada e complexa. Assim como na primeira, na segunda também existem níveis de excelência; há uma grande diferença entra alguém que sabe apenas ler e escrever e outro extremamente culto. Na alfabetização visual, a cultura é adquirida por meio de educação e da aquisição de repertórios, ou seja, além dos ensinamentos técnicos, a experiência em ler o mundo é fundamental.

Sem dúvida, a linguagem verbal é uma poderosa ferramenta de comunicação, mas não dá conta de toda a gama de significados a serem transmitidos entre os seres humanos. A linguagem visual é o novo patamar da interação social, é a chave para uma grande evolução na comunicação e no entendimento entre os diferentes indivíduos e grupos. Ela abre uma infinidade de portas para as possibilidades de expressão, e não só facilita e agiliza sua trasmissão, mas amplia a profundidade dos significados. Utilizamos a linguagem visual cada vez com mais intensidade, e algumas vezes irresponsavelmente, sem a noção dos resultados que serão gerados.

[editar] A necessidade da Alfabetização Visual na Idade Contemporânea

A dinamicidade que se desenvolveu entre os séculos XX e XXI, graças ao advento de novas tecnologias e de novos meios de comunicação, passou a supervalorizar a imagem em detrimento de mensagens escritas e veiculações que requeriam o uso de habilidades de leitura. Em um país como o Brasil, por exemplo, a cultura criada devido a tal valorização da imagem passou por um processo de aceitação demasiadamente rápido – uma vez que temos em questão uma sociedade em que prevalece o analfabetismo –. Uma grande quantidade de mensagens que se baseiam basicamente em imagens bombardeia diariamente o cidadão, visando induzir gostos, preferências e interpretações. Tudo isso sem uma cuidadosa análise crítica, o que sugere uma imensa lacuna de conhecimento entre os emissores e seus receptores; desarmados e sujeitos à manipulação cognitiva, já que a vida de todos eles depende grandemente de tais imagens e a simples absorção de convenções não dá base para uma completa e racional vivência social. Na era pós-industrial, em um planeta globalizado de tendências à homogeneização cultural, a imagem se congura como o principal agente de troca entre diferentes culturas e organizações sociais. A alfabetização visual então aparece com o papel de incluir os indivíduos neste novo contexto que surge e que traz como principal elemento intermediador para os homens entre si e estes em relação ao espaço e ao tempo; não mais apenas a língua, mas sim, e talvez muito mais, a linguagem visual. Portanto visa dar subsídios às pessoas para que possam aprender, interagir, interferir e criar a “realidade”.

[editar] A Alfabetização Visual e os Comunicadores

Todos nós tendemos, em função da maneira como fomos educados, a sermos analfabetos visuais. Portanto, é necessário, que principalmente, nós, comunicadores, façamos um grande esforço para reverter este quadro, já que nossa ferramenta de trabalho inclui e depende da linguagem visual. Precisamos ser educados neste novo aspecto para sermos capazes de construir mensagens visuais claras eficazes e, muitas vezes, universais, já que cada vez mais os mercados deixarão de ser locais ou regionais para se tornarem globais.

A leitura do mundo precede a da palavra por isso esta não pode se desenvolver perfeitamente sem aquela. Sendo assim, a urgência pela alfabetização visual se torna evidente, uma vez que, sua intenção primeira é a de incluir os indivíduos neste novo contexto que surge e que traz como principal elemento intermediador da tríade homem-espaço-tempo, não mais a língua, outrossim, a imagem, as formas visuais, sejam elas estáticas ou dinâmicas.

[editar] O papel da fotografia no processo da Alfabetização Visual

A fotografia - quando encarada como uma ferramenta de linguagem e de comunicação - torna-se um recurso quase imprescindível para o desenvolvimento da leitura e compreensão de uma realidade circundante; além de desenvolver a sensibilidade, a criatividade e a capacidade de percepção. Desta forma, a fotografia pode ser tida como aliada nesse processo, podendo ser tomada como um veículo para aquisição do conhecimento e para a expressão da cidadania.

O contato com a "produção" de uma imagem - que ocorre no momento em que é tirada uma fotografia - ajuda no processo de alfabetização visual no quesito leitura do ambiente que se visa fotografar. É importante no ponto em que o fotógrafo é obrigado a parar e olhar o que está a sua volta, ter consciência de elementos como luz e cores; enfim, compreender como se dá sua visão de mundo. Trata-se, portanto, de um momento que pode ser utilizado na alfabetização visual. O sentido e a finalidade dessa aproximação com textos imagéticos têm como necessidade urgente o desenvolvimento de atitudes críticas e criativas para que se possam tornar responsáveis e envolvidos no processo de formação cotidiana. O estudo da imagem é fundamental para o entendimento dos múltiplos pontos de vista que os homens constroem a respeito de si mesmos e dos outros, de seus comportamentos, seus pensamentos, seus sentimentos e suas emoções em diferentes experiências de tempo e espaço. É o despertar da sensibilidade. O uso da imagem facilita o processo de alfabetização visual das pessoas, favorecendo o desenvolvimento de um olhar crítico que estabeleça relações de contextualização, interpretação e apreciação estética da fotografia.


 Stephanie Stamm Biglia e Gabriela Lancellotti Zapparolli Pupin
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